O Manchester City segue vivo na Copa da Liga Inglesa, mas a classificação veio acompanhada de um alerta. Nesta quarta-feira (28), a equipe de Enzo Maresca empatou por 2 a 2 com o Brighton no Etihad Stadium e venceu por 4 a 3 nos pênaltis, graças a duas defesas decisivas de Geronimo Rulli. O resultado garantiu a vaga nas quartas de final, mas também deixou evidente que o time ainda tem problemas para resolver.
O City precisou correr atrás do placar duas vezes e passou boa parte do confronto sob pressão. A capacidade de reação evitou uma eliminação precoce, enquanto o desempenho do goleiro argentino foi determinante para que a noite terminasse em festa. Ainda assim, o jogo deixou uma pergunta importante para Maresca: como impedir que as dificuldades vistas contra o Brighton se repitam nos próximos compromissos?
Rulli assume o protagonismo em noite decisiva
A disputa por pênaltis transformou Geronimo Rulli no nome da classificação. Depois de sofrer dois gols durante o tempo regulamentar, o goleiro argentino respondeu quando o Manchester City mais precisava e defendeu as cobranças de Yasin Ayari e Lewis Dunk.
A intervenção sobre o capitão do Brighton selou a vitória por 4 a 3 e confirmou a vaga dos Citizens. Antes disso, Jason Steele havia defendido a tentativa de Mateo Kovacic, colocando a equipe de Maresca em situação delicada na disputa.
O desempenho ganha relevância pelo contexto. Gianluigi Donnarumma vinha sendo alvo de críticas após a derrota para o Aston Villa, e Rulli recebeu uma oportunidade para mostrar seu valor. Em sua segunda partida pelo clube, o argentino não apenas correspondeu: tornou-se decisivo em um confronto eliminatório.
Seria precipitado transformar uma atuação em uma mudança definitiva na hierarquia dos goleiros. No entanto, Rulli aproveitou o momento e mostrou que pode oferecer segurança quando for acionado.
As dificuldades coletivas preocupam mais do que o placar
O principal problema do Manchester City não foi precisar dos pênaltis, mas a maneira como chegou até eles. O Brighton conseguiu impor seu ritmo em diversos momentos, encontrou espaços para atacar e mostrou capacidade para incomodar a defesa mandante.
Malick Yalcouyé abriu o placar aos 30 minutos do primeiro tempo, aproveitando uma jogada construída pelos visitantes. Aos 40, Kovacic respondeu com uma finalização precisa de fora da área e restabeleceu a igualdade.
O equilíbrio, porém, durou pouco após o intervalo. Logo no início da segunda etapa, Georginio Rutter colocou o Brighton novamente em vantagem. O City precisou se reorganizar para buscar outro empate, que veio aos 27 minutos, quando o brasileiro Vitor Reis desviou uma cobrança de falta de Rayan Cherki e marcou seu primeiro gol pela equipe inglesa.
A reação foi importante, mas não elimina as dificuldades de construção e controle do jogo. Em vez de impor sua habitual superioridade com a bola, o Manchester City permitiu que o adversário encontrasse oportunidades e prolongasse a pressão.
Esse comportamento merece atenção especialmente após o tropeço diante do Aston Villa. Em uma temporada na qual cada ponto pode fazer diferença na disputa da Premier League, depender de uma reação tardia ou de uma disputa por pênaltis representa um risco desnecessário.
Doku muda o cenário e mostra uma alternativa importante
Um dos aspectos positivos para Maresca foi o impacto de Jérémy Doku depois de sair do banco de reservas. A entrada do belga aumentou a velocidade das ações ofensivas e ofereceu ao City uma alternativa para superar a marcação do Brighton.
Com capacidade para vencer duelos individuais e atacar espaços em velocidade, Doku deu mais profundidade à equipe. Sua presença dificultou o trabalho dos defensores visitantes e ajudou os mandantes a pressionarem com maior intensidade.
A diferença reforça a importância de jogadores capazes de alterar a dinâmica de uma partida sem depender de uma construção coletiva perfeita. Quando o adversário consegue bloquear os caminhos centrais, a habilidade de desequilibrar pelos lados pode abrir novas possibilidades.
O City tem qualidade individual para encontrar soluções, mas precisa transformar esses recursos em um funcionamento mais consistente. A entrada de Doku foi um trunfo importante; não deveria, porém, ser a única resposta quando a equipe encontra dificuldades para controlar o confronto.
Brighton deixa um aviso antes do reencontro
A classificação também serve como prévia do próximo compromisso entre as equipes. Manchester City e Brighton voltarão a se enfrentar no sábado (31), novamente no Etihad Stadium, desta vez pela Premier League.
O cenário torna a atuação ainda mais relevante. O Brighton mostrou que pode competir de igual para igual, pressionar a saída de bola e criar problemas para uma equipe que costuma se sentir confortável quando controla a posse. Apesar da eliminação na Copa da Liga, os visitantes saíram do confronto com motivos para acreditar em um resultado melhor no campeonato.
Para o City, o desafio será corrigir os erros sem perder a confiança conquistada pela classificação. A equipe precisará proteger melhor a própria área, reduzir os espaços concedidos e encontrar maneiras de assumir o controle desde o início.
O resultado nos pênaltis garante a continuidade na competição, mas não deve esconder o desempenho irregular. O Manchester City sobreviveu porque reagiu duas vezes e contou com um goleiro decisivo. Para seguir competitivo nas diferentes frentes da temporada, terá de oferecer mais do que isso.
A vitória valeu a vaga nas quartas de final. O aviso, porém, é claro: contra um Brighton que demonstrou tanta capacidade de incomodar, repetir os mesmos erros pode ter consequências bem diferentes no próximo encontro.
Foto: Divulgação/Site Oficial do Manchester City


