Phil Foden Manchester City
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Haaland não joga? Foden mostra que o Manchester City tem outra solução

A goleada por 5 a 1 sobre o AEK Atenas, pela Champions League, trouxe ao Manchester City uma resposta importante para além do resultado. Com Erling Haaland preservado após sofrer uma pancada no pé, Phil Foden assumiu o protagonismo, marcou três gols e participou diretamente de quatro dos cinco tentos da equipe. A atuação recolocou em evidência uma possibilidade que pode ampliar as alternativas ofensivas de Enzo Maresca: utilizar o inglês como falso nove quando o principal centroavante não estiver disponível.

O desempenho também representa um possível ponto de virada individual. Depois de duas temporadas abaixo das expectativas, o meia-atacante começa a dar sinais de recuperação justamente em um momento no qual precisa reconquistar espaço e confiança. O desafio agora é transformar uma noite excepcional em regularidade, algo que faltou durante seu período mais recente.

Foden oferece uma alternativa sem Haaland

A ausência de Haaland abriu espaço para Maresca experimentar uma formação diferente. Inicialmente posicionado pelo lado direito, Foden passou a atuar como falso nove durante a partida e respondeu com uma das melhores apresentações individuais da temporada.

A função não exige que o jogador reproduza exatamente os movimentos de um centroavante tradicional. Em vez de permanecer fixo entre os zagueiros, o falso nove pode recuar para participar da construção, ocupar espaços entre as linhas defensivas e abrir corredores para as infiltrações dos companheiros. Foden tem características que favorecem esse papel, especialmente pela mobilidade, pelo controle de bola em espaços curtos e pela capacidade de finalizar com poucos toques.

O hat-trick diante do AEK reforçou justamente esse último atributo. Enquanto dois gols saíram de finalizações próximas à meta, o segundo chamou atenção pela execução técnica: Foden abriu o corpo e acertou um chute de primeira no ângulo, de dentro da área.

A versatilidade permite ao Manchester City variar a maneira de atacar sem necessariamente recorrer a uma substituição ou alterar toda a estrutura da equipe. Com Foden centralizado, o time ganha um jogador capaz de conectar o meio-campo ao ataque e, ao mesmo tempo, aparecer na área para concluir as jogadas.

Isso não significa que Haaland tenha perdido importância. O norueguês oferece presença física, profundidade e capacidade de finalização que Foden não reproduz da mesma maneira. A questão é encontrar soluções para os momentos em que o centroavante estiver indisponível ou precisar descansar.

A recuperação de confiança pode mudar a temporada

O talento de Foden nunca esteve realmente em discussão, mas seu rendimento recente levantou dúvidas sobre a capacidade de recuperar o nível que o transformou em um dos principais jogadores ingleses. Na temporada 2023/24, ele marcou 19 gols na Premier League, conquistou o campeonato com o City e recebeu os prêmios de melhor jogador da liga e da Associação de Jogadores Profissionais da Inglaterra (PFA).

O cenário mudou na temporada seguinte. Foden encerrou o período sem marcar nos últimos 31 jogos por clube e seleção, uma sequência que contrastou com a influência que exercia anteriormente. A ausência na convocação da Inglaterra para a Copa do Mundo também representou um revés, enquanto a expulsão no clássico contra o Manchester United, em setembro, acrescentou um episódio negativo ao início de sua nova fase.

O próprio jogador reconheceu que ainda está longe do melhor nível, embora tenha afirmado estar avançando na direção certa. Antes do hat-trick, ele havia voltado a marcar contra o Ipswich, encerrando um jejum de 10 meses na Premier League.

A sequência recente oferece um sinal positivo, mas não encerra a discussão. Uma grande atuação pode recuperar a confiança e modificar a percepção externa, porém a confirmação depende da capacidade de repetir o desempenho contra adversários e em contextos diferentes.

Para Maresca, o aspecto mais importante é ter novamente um jogador capaz de decidir partidas. O treinador já havia manifestado confiança no inglês e ressaltado que os problemas das últimas temporadas não diminuíam sua avaliação sobre o potencial do atleta.

Maresca ganha opções para além do centroavante

A goleada também mostrou a importância de um elenco capaz de responder mesmo com mudanças na escalação. Maresca promoveu oito alterações em relação à equipe que havia enfrentado o Ipswich, mantendo apenas Gianluigi Donnarumma, Rúben Dias e Foden entre os titulares.

Apesar da vantagem construída, o City precisou reagir depois de sofrer um gol no início do segundo tempo, quando o placar estava em 2 a 1. A equipe elevou o ritmo e terminou com uma vitória confortável, enquanto Foden assumiu o papel de principal referência ofensiva.

O resultado indica que a alternativa sem Haaland pode funcionar, mas ainda é necessário avaliar seu comportamento diante de defesas mais compactas e adversários capazes de explorar os espaços deixados pela movimentação do falso nove. A presença de um centroavante de origem continua sendo uma ferramenta importante, sobretudo quando o City precisa atacar a área com frequência.

A atuação de Foden, contudo, dá a Maresca mais liberdade para administrar minutos, preservar jogadores e modificar a estrutura ofensiva durante as partidas. Em uma temporada exigente, ter alternativas confiáveis pode ser tão importante quanto contar com um goleador de alto nível.

O próximo passo é transformar o brilho em regularidade

O hat-trick contra o AEK Atenas também colocou Foden em um grupo restrito da história da Champions League. Ele se tornou apenas o terceiro inglês a marcar três gols e dar uma assistência em uma mesma partida da competição, depois de Wayne Rooney, pelo Manchester United em 2004, e Raheem Sterling, pelo próprio City em 2019.

O feito reforça a dimensão da atuação, mas o principal objetivo do jogador será manter o crescimento. Aos 26 anos, Foden ainda reúne condições para recuperar o protagonismo que conquistou na temporada do título inglês de 2023/24. Para isso, precisará combinar confiança, continuidade e maior influência ao longo dos jogos.

O Manchester City, por sua vez, ganha uma alternativa que pode ser útil em diferentes cenários. Foden não precisa substituir Haaland em todas as características para ser uma solução: sua contribuição está justamente em oferecer outro tipo de movimentação, aproximar setores e criar novas possibilidades de ataque.

A goleada sobre o AEK não prova que o City deixou de depender do centroavante norueguês, mas mostra que há caminhos para manter a produção ofensiva quando ele não está em campo. Se Foden conseguir sustentar o nível apresentado, Maresca terá mais do que um jogador recuperando a confiança: terá uma opção tática capaz de tornar a equipe menos previsível.

Foto: Getty Images