Khamzat Chimaev
Lutas UFC

Khamzat Chimaev deveria esperar pelo vencedor de Strickland x Imavov ou subir de categoria no UFC?

Khamzat Chimaev quer recuperar o cinturão dos médios do UFC, mas a insistência em enfrentar o vencedor de uma luta que sequer tem data confirmada pode representar um caminho pouco vantajoso para o lutador. Depois de perder a invencibilidade e o título para Sean Strickland, o russo voltou a reivindicar uma oportunidade pelo campeonato, mesmo sabendo que Nassourdine Imavov está na frente na fila. A questão é se vale a pena permanecer preso a uma disputa que depende de negociações ainda indefinidas ou se chegou o momento de considerar seriamente a mudança para os meio-pesados.

A posição de Chimaev é compreensível. A derrota para Strickland no UFC 328, em maio de 2026, foi a primeira de sua carreira e interrompeu uma trajetória que parecia destinada ao domínio da divisão. O resultado também deixou uma sensação de pendência para o ex-campeão, que acredita não ter apresentado sua melhor versão naquela noite. Ao afirmar que deveria enfrentar o vencedor de Strickland contra Imavov porque seria o verdadeiro campeão, ele deixa claro que não pretende abandonar a disputa pelo cinturão.

O problema é que o caminho até essa revanche pode ser consideravelmente mais longo do que Chimaev gostaria. Strickland ainda precisa resolver questões para oficializar a defesa de título contra Imavov, e não existe uma data anunciada para o confronto. Além disso, o russo já demonstrou impaciência com a possibilidade de ficar muito tempo sem lutar, enquanto também reconheceu que carrega lesões que precisam de tratamento.

Nesse cenário, insistir nos médios pode significar adiar decisões importantes sobre sua carreira, especialmente quando existe uma alternativa que talvez seja mais adequada às suas condições físicas.

A espera por Strickland e Imavov pode atrasar os planos de Chimaev

Nassourdine Imavov conquistou o direito de disputar o cinturão depois de construir uma sequência consistente de resultados, incluindo vitórias sobre Israel Adesanya e Caio Borralho. Por isso, a possibilidade de enfrentar Strickland é natural dentro da hierarquia esportiva da categoria. Chimaev, por sua vez, perdeu justamente para o atual campeão e precisa lidar com a consequência de não ser mais o primeiro nome na fila.

A situação fica ainda mais complicada porque o duelo entre Strickland e Imavov não foi oficializado. O próprio campeão afirmou que as partes estavam discutindo os valores financeiros para a luta e que o acordo dependia da resolução dessa questão. Imavov chegou a oferecer US$ 500 mil do próprio bolso para tentar convencer Strickland a aceitar o confronto, um indicativo de que a negociação não avançava com a facilidade esperada.

Mesmo que o impasse seja resolvido, ainda será necessário definir uma data, realizar a preparação dos atletas e, posteriormente, aguardar o resultado. Se Imavov vencer, Chimaev poderá precisar negociar uma nova disputa contra um campeão que acabou de conquistar o cinturão. Se Strickland mantiver o título, a revanche também dependerá da disposição do norte-americano e dos interesses comerciais do UFC.

Portanto, não existe garantia de que Chimaev terá uma oportunidade imediata depois desse confronto. A luta pode acontecer apenas no início de 2027, e qualquer atraso adicional aumentaria o período de espera. Para um atleta que já manifestou o desejo de voltar ao octógono e chegou a dizer que gostaria de lutar antes do fim de 2026, permanecer condicionado a uma disputa ainda sem data parece uma escolha contraditória.

O próprio Chimaev já demonstrou que não gostaria de ficar um ou dois anos esperando pela recuperação de Strickland. Em setembro, ele chegou a afirmar que pretendia aceitar outro adversário caso não conseguisse uma oportunidade de lutar em Abu Dhabi. Também revelou que, se não fosse escalado até dezembro, poderia fazer uma pausa para cuidar de problemas físicos acumulados.

Existe, portanto, uma diferença entre querer recuperar o cinturão e organizar a carreira exclusivamente em função de uma revanche. Chimaev ainda tem muito a oferecer ao UFC, mas não precisa necessariamente ficar parado até que Strickland e Imavov resolvam suas pendências.

Os problemas com a balança tornam a mudança de categoria mais atraente

O segundo ponto envolve uma questão ainda mais importante: o peso. Chimaev já teve dificuldades para atingir o limite dos meio-médios, chegando a ultrapassar em 7,5 libras o limite de 170 libras antes do UFC 279, em 2022. Na ocasião, o problema comprometeu o confronto originalmente previsto contra Nate Diaz e provocou mudanças importantes no card.

Desde então, o russo passou a competir nos médios, mas a preparação para a luta contra Strickland voltou a levantar dúvidas sobre o desgaste provocado pelo corte de peso. Durante a pesagem do UFC 328, Chimaev aparentou desconforto, e integrantes da equipe de transmissão especularam que a redução até os 185 libras poderia ter afetado seu rendimento. A possibilidade ganhou força porque o lutador também vinha considerando uma mudança para os meio-pesados e poderia ter iniciado um processo de ganho de massa muscular antes de aceitar o confronto com Strickland.

Não é possível afirmar que o corte de peso tenha sido o responsável pela derrota. Strickland apresentou uma defesa de quedas eficiente, neutralizou boa parte das tentativas de grappling e conseguiu impor sua estratégia durante a luta. O desempenho do campeão precisa ser reconhecido, sem transformar o resultado em uma consequência automática de uma eventual dificuldade física do adversário.

Ainda assim, a questão merece atenção. Chimaev é um atleta cuja principal vantagem está na capacidade de impor um ritmo intenso, pressionar os adversários, conectar quedas e controlar posições no chão. Para executar esse estilo durante cinco rounds, precisa chegar ao combate em condições físicas adequadas. Se o processo de perder peso compromete parte dessa capacidade, permanecer nos médios pode significar abrir mão de uma parcela importante de suas melhores características.

Subir para os meio-pesados, categoria de até 205 libras, poderia reduzir esse desgaste e permitir que Chimaev desenvolvesse uma preparação mais direcionada ao desempenho dentro do octógono. A mudança também abriria a possibilidade de enfrentar adversários maiores sem precisar passar por um corte tão agressivo antes de cada compromisso.

Isso não significa que a nova divisão seria um caminho simples. Chimaev teria pela frente atletas naturalmente mais pesados, com força física e potência superiores às encontradas entre os médios. A diferença de tamanho poderia dificultar algumas de suas entradas de queda e tornar mais custosas as disputas de posição. Além disso, seria necessário avaliar como seu corpo responderia ao ganho de massa e à adaptação a adversários mais fortes.

Mesmo com esses obstáculos, a mudança parece uma alternativa que merece ser considerada com seriedade, especialmente diante do histórico de dificuldades com a balança.

Permanecer nos médios ainda faz sentido?

Existe um argumento esportivo importante para Chimaev continuar na divisão. Ele chegou ao topo dos médios, conquistou o cinturão e perdeu o título em uma luta apertada, na qual não conseguiu impor o domínio que havia apresentado em outras apresentações. Uma revanche contra Strickland seria uma oportunidade de corrigir os erros, demonstrar evolução e recuperar uma posição que acredita ainda lhe pertencer.

Além disso, uma vitória sobre o vencedor de Strickland e Imavov teria grande valor para sua carreira. Se Imavov conquistar o cinturão, Chimaev poderia enfrentar um adversário com quem ainda não resolveu uma disputa pelo título. Se Strickland vencer novamente, a revanche teria um apelo comercial evidente, especialmente depois da primeira derrota do russo.

Entretanto, o UFC não é um esporte em que os atletas podem organizar seus calendários apenas em função de uma revanche desejada. A disponibilidade dos adversários, as negociações contratuais, as lesões e a própria hierarquia das divisões influenciam diretamente o planejamento. Chimaev precisa considerar que esperar pelo resultado de uma luta ainda não oficializada pode custar meses de atividade, enquanto sua condição física exige atenção.

Também existe uma questão de carreira: aos 32 anos, o russo não precisa desperdiçar uma parte importante de seu auge esportivo aguardando uma oportunidade que não depende exclusivamente dele. Se a intenção é continuar ativo, enfrentar outro adversário nos médios poderia ser uma solução temporária, mas não resolveria necessariamente o problema estrutural relacionado ao corte de peso.

A mudança para os meio-pesados, por outro lado, não deveria ser uma decisão tomada apenas por frustração com a derrota. Seria necessário avaliar o ganho de massa, a preparação física e a possibilidade de competir de maneira sustentável na nova divisão. O objetivo não pode ser simplesmente evitar a balança, mas encontrar uma categoria na qual Chimaev consiga apresentar seu melhor desempenho.

No fim, a insistência em enfrentar o vencedor de Strickland e Imavov parece mais uma tentativa de recuperar imediatamente o que perdeu do que a alternativa mais inteligente para sua carreira neste momento. A revanche pode continuar sendo um objetivo, mas não precisa ser a única possibilidade considerada. Com uma luta pendente de negociação, um calendário que pode empurrar o confronto para 2027 e um histórico de dificuldades para atingir o limite dos médios, Chimaev tem motivos suficientes para repensar seus próximos passos.

Subir para os meio-pesados não seria uma garantia de sucesso, mas talvez represente uma oportunidade de preservar melhor seu físico, voltar a competir com regularidade e iniciar uma nova trajetória no UFC. Antes de esperar que Strickland e Imavov decidam seu futuro, Chimaev deveria avaliar se continuar nos médios ainda é realmente a melhor escolha.