Chelsea x Bayern
Futebol UEFA Champions League

Champions para sempre – A inesquecível conquista do azarão Chelsea diante do poderoso Bayern

No dia 19 de maio de 2012, a cidade de Munique parou para receber a final da Champions League entre Bayern e Chelsea. Foi um massacre ofensivo da equipe alemã, que esteve por duas vezes com a mão na taça. Mas, no fim, após disputa de pênaltis, melhor para os ingleses, que levantaram a “orelhuda” pela primeira vez em sua história.

A final da temporada 2011-12 da Champions começou muito antes do apito inicial. O Bayern de Munique queria virar a página da temporada anterior, quando viu o Borussia Dortmund ser campeão da Bundesliga. O time terminou em terceiro lugar e teve que disputar a pré-Champions para garantir vaga na competição.

O Chelsea vinha de uma campanha um pouco melhor, embora insuficiente para conquistar a Premier League. Terminou em segundo, nove pontos atrás do Manchester United de Alex Ferguson — o que garantiu vaga direta na fase de grupos da Champions seguinte.

Após superar os suíços do Zurich na pré-Champions, o Bayern confirmou sua vaga. Era a segunda temporada sob o comando de Jupp Heynckes, com um elenco repleto de jogadores no auge: Robben, Ribéry, Lahm, Mario Gomez e Schweinsteiger, mesclados com jovens como Alaba, Boateng, Kroos e Thomas Müller.

A equipe foi discreta no mercado, mas trouxe reforços importantes como Manuel Neuer, do Schalke 04, e o brasileiro Rafinha, do Genoa. Além deles, o elenco ainda contava com Luiz Gustavo e Breno.

O Chelsea também não gastou muito. As principais contratações foram Juan Mata, do Valencia, e Raul Meireles, do Liverpool. O elenco trazia remanescentes da derrota na final de 2008, como Cech, Terry, Ashley Cole, Essien e Drogba. Entre os brasileiros: Alex, David Luiz e Ramires.

A temporada começou com André Villas-Boas como técnico, vindo de ótimo trabalho no Porto, mas ele foi demitido nas oitavas da Champions. Roberto Di Matteo assumiu como interino.

As trajetórias até a final da Champions

O Bayern caiu num grupo difícil com Manchester City, Napoli e Villarreal. Já o Chelsea enfrentou Bayer Leverkusen, Valencia e Genk. Ambos terminaram em primeiro. O Bayern com 13 pontos e apenas uma derrota (para o City, na última rodada); o Chelsea com 11, garantindo a liderança ao vencer o Valencia e contar com tropeço do Leverkusen.

Nas oitavas, o Chelsea enfrentou o Napoli. Após derrota por 3×1 na ida, Villas-Boas foi demitido. Com Di Matteo, o time devolveu o placar e, com gol de Ivanovic na prorrogação, avançou. O Bayern enfrentou o Basel, perdeu por 1×0 na ida, mas esmagou na volta: 7×0, com quatro gols de Mario Gomez.

Nas quartas, o Bayern passou tranquilo pelo Olympique de Marseille, vencendo por 2×0 nos dois jogos. O Chelsea eliminou o Benfica com duas vitórias também.

As semifinais foram épicas. O Bayern encarou o Real Madrid de Cristiano Ronaldo e Kaká. Venceu em casa por 2×1, perdeu fora pelo mesmo placar, e venceu nos pênaltis. O Chelsea enfrentou o poderoso Barcelona: vitória por 1×0 na ida, gol de Drogba, e empate heroico por 2×2 no Camp Nou, com golaço de Ramires.

A grande final

Apesar de passar por adversários mais difíceis, o Chelsea era o azarão. O Bayern jogava em casa e tinha um ataque formado por Gomez, Robben e Ribéry. Entraram em campo com: Neuer; Lahm, Boateng, Tymoshchuk e Contento; Kroos, Schweinsteiger e Muller; Robben, Gomez e Ribéry.

O Chelsea, sem Ramires e Terry, foi escalado com: Cech; Bosingwa, Cahill, David Luiz e Cole; Mikel, Lampard, Kalou, Malouda e Mata; Drogba.

O domínio foi total dos alemães: 34 finalizações contra nove, mais de 60% de posse. O gol parecia inevitável, e saiu aos 38 minutos com Muller, de cabeça.

Poucos acreditavam na reação do Chelsea. Mas aos 43, após escanteio, Drogba apareceu como ídolo que é: cabeçada perfeita e empate. Prorrogação.

No tempo extra, o Chelsea manteve a marcação forte. Drogba, mais recuado, acabou cometendo pênalti em Ribéry. Robben foi para a cobrança, mas Cech brilhou: defesa crucial do goleiro tcheco.

Disputa por pênaltis e vitória do Chelsea

A decisão foi para os pênaltis. Lahm marcou, Mata perdeu. Gomez, David Luiz, Neuer e Lampard converteram. Cech então defendeu o chute de Olic. Ashley Cole empatou.

Na sequência, Schweinsteiger chutou na trave. A bola do título ficou com Drogba, que cobrou com categoria e garantiu o título inédito.

Chelsea campeão da Champions contra todos os prognósticos. A redenção de um grupo que sofreu a derrota em 2008, e que finalmente alcançou o topo. Os ingleses teriam a chance do bicampeonato anos depois, novamente como azarões — e mais uma vez, trocando de técnico durante a competição. Coincidência?

(Foto: Wolfgang Rattay/Getty Images)