O início de Xabi Alonso no comando do Chelsea segue promissor. Neste domingo, os Blues receberam o Brighton em Stamford Bridge e, depois de construírem uma vantagem confortável e sofrerem uma reação que colocou o resultado em risco, conseguiram confirmar a vitória por 4 a 3.
O resultado mantém o Chelsea com seis pontos em duas rodadas e na vice-liderança da Premier League, atrás apenas do Manchester City. Mais uma vez, o time londrino mostrou força ofensiva e contou com atuações importantes de João Pedro, Cole Palmer e Morgan Rogers para superar um Brighton que não desistiu mesmo depois de ficar em desvantagem por três gols.
Do outro lado, os Seagulls permanecem com três pontos e ocupam a nona colocação. Apesar da derrota, a equipe mostrou capacidade para reagir e chegou a transformar uma partida praticamente controlada pelo Chelsea em um confronto de tensão na etapa final.
O jogo
O Chelsea precisou de pouco tempo para transformar a iniciativa em vantagem. Logo nos primeiros minutos, os Blues pressionaram a saída do Brighton e começaram a encontrar espaços na defesa visitante.
Aos quatro minutos, uma bola levantada na área encontrou João Pedro, que desviou de cabeça. Verbruggen se atrapalhou na pequena área e acabou deixando a bola à disposição de Lavia. O meio-campista não desperdiçou a oportunidade e abriu o placar.
O Brighton tentou reagir mantendo sua característica de controlar a bola e construir desde a defesa. A equipe visitante teve períodos de posse, mas encontrou um Chelsea muito perigoso quando recuperava a bola e acelerava as transições.
Foi assim que saiu o segundo gol. Aos 14 minutos, Rogers recebeu pela esquerda, partiu para cima da marcação e conseguiu chegar à linha de fundo. O atacante cruzou rasteiro para Pedro Neto, que apareceu livre para completar e ampliar a vantagem dos mandantes.
O Brighton não abandonou sua proposta e continuou tentando trocar passes, mas o Chelsea encontrava maneiras de atacar os espaços deixados pelos visitantes. O trio formado por João Pedro, Palmer e Rogers começou a causar problemas constantes para a defesa adversária.
João Pedro, que assumiu a responsabilidade de ser o novo camisa 9 do Chelsea, também deixou sua marca. O brasileiro recebeu um passe preciso de Hato, dominou dentro da área e bateu cruzado, sem dar chances para Verbruggen.
Com 3 a 0 no placar, o Chelsea parecia encaminhar uma vitória tranquila. O Brighton, porém, encontrou uma resposta antes do intervalo.
Depois de uma rápida descida pela direita, Yalcouyé recebeu espaço e finalizou com categoria para diminuir a diferença. O gol deu novo ânimo aos visitantes e evitou que o Chelsea chegasse ao intervalo com uma vantagem ainda mais confortável.
A segunda etapa começou com o Brighton mais agressivo. Os Seagulls passaram a pressionar mais alto e conseguiram empurrar o Chelsea para trás. Aos 18 minutos, Gross avançou pela direita e tentou o cruzamento rasteiro. A bola desviou em João Pedro e acabou entrando contra a própria meta.
O gol mudou completamente o ambiente em Stamford Bridge. O que parecia uma vitória encaminhada passou a ser uma partida aberta, com o Brighton acreditando no empate e o Chelsea precisando recuperar o controle. Os visitantes chegaram a ameaçar novamente e colocaram os Blues sob pressão durante alguns minutos.
Foi então que Cole Palmer apareceu. O meia fez uma boa associação com João Pedro, recebeu espaço pelo lado direito, trouxe a bola para dentro e finalizou colocado, no canto de Verbruggen. O gol devolveu tranquilidade ao Chelsea e freou a reação dos visitantes.
O Brighton ainda encontrou tempo para marcar novamente nos acréscimos, com Gross, mas o lance aconteceu quando a partida já estava praticamente decidida. O Chelsea confirmou a vitória por 4 a 2 e manteve o aproveitamento perfeito no campeonato.
Análise: ataque promissor, mas Chelsea ainda precisa controlar melhor os jogos
A vitória deixa uma impressão bastante positiva sobre o início do trabalho de Xabi Alonso, principalmente pela capacidade ofensiva apresentada pelo Chelsea.
O time possui jogadores capazes de resolver diferentes tipos de situação. João Pedro mostrou presença de área e participou ativamente do jogo ofensivo. Palmer voltou a ser decisivo quando a equipe mais precisava, enquanto Rogers teve papel importante na construção das jogadas e foi responsável por uma das principais ações da partida.
A conexão entre os três foi um dos pontos mais interessantes do jogo.
João Pedro oferece referência central, mas também consegue participar da construção. Palmer tem liberdade para circular e aparecer entre as linhas, enquanto Rogers consegue atacar os espaços e criar situações de um contra um. Quando esses jogadores conseguem combinar suas características, o Chelsea ganha muita capacidade para acelerar os ataques.
O problema apareceu quando o Brighton conseguiu tirar o jogo desse ritmo.
Depois de abrir 3 a 0, o Chelsea permitiu que os visitantes voltassem para a partida. A equipe perdeu parte do controle territorial, sofreu com a pressão adversária e teve dificuldades para impedir que o Brighton chegasse próximo de sua área.
O segundo gol dos Seagulls, inclusive, mostrou como uma partida aparentemente resolvida pode mudar rapidamente. O Chelsea tinha uma vantagem enorme, mas passou alguns minutos sem conseguir controlar as ações e viu o adversário se aproximar do empate.
Esse é um aspecto que Xabi Alonso certamente precisará trabalhar.
Uma equipe que pretende disputar a parte de cima da Premier League não pode depender apenas da qualidade de seus atacantes para resolver partidas. É preciso também saber controlar os diferentes momentos do jogo, principalmente depois de construir uma vantagem significativa.
Por outro lado, há um mérito importante na maneira como o Chelsea reagiu ao próprio momento de dificuldade. Quando o Brighton cresceu e o estádio começou a ficar apreensivo, Palmer assumiu a responsabilidade, encontrou espaço e marcou o gol que praticamente encerrou a reação.
Isso também é sinal de maturidade.
O Chelsea ainda não parece uma equipe completamente pronta, mas já demonstra uma característica fundamental: possui talento suficiente para decidir partidas mesmo quando o funcionamento coletivo não está no nível ideal.
A vitória por 4 a 2, portanto, representa mais do que os três pontos. É uma demonstração de potencial ofensivo, mas também um alerta para Xabi Alonso. O Chelsea mostrou que pode machucar adversários com João Pedro, Palmer e Rogers, mas ainda precisa encontrar maior equilíbrio para evitar que partidas dominadas se transformem em confrontos perigosamente abertos.
O começo é promissor. Duas vitórias em duas rodadas colocam os Blues na vice-liderança e dão confiança ao novo projeto. Mas, se quiser realmente brigar pelo título, o Chelsea terá de transformar esse poder de fogo em um jogo mais consistente durante os 90 minutos.
O ataque já oferece motivos para empolgação. Agora, o desafio de Xabi Alonso é fazer o Chelsea controlar melhor aquilo que acontece quando o adversário reage.
(Foto: Getty Images)



