De volta à Ponte Preta dezessete anos depois de sua última passagem, Nelsinho Baptista retorna a Macaca com uma missão, afastar a equipe do Z-4 do Brasileirão da Série B, e brigar na parte de cima, buscando uma arrancada por uma das quatro vagas na primeira divisão do ano seguinte. O treinador de 73 anos de idade assume o time pela quinta vez na carreira, e nessa temporada, alcança o posto de profissional mais velho entre os treinadores da competição, antes ocupado por Hélio dos Anjos, técnico do Paysandu, e que tem 66.
Com mais 30 partidas a disputar pela frente, a Ponte Preta pode ter seu novo técnico desbancado caso Geninho (76 anos), Givanildo Oliveira e Felipão (ambos com 75), sejam contratados por uma das 19 equipes adversárias nesta Série B. Os três treinadores, colegas da geração de Nelsinho, e que também já lhe enfrentaram muitas vezes ao longo da história, seguem em atividade e estão livres no mercado. Entre os mais novos da segundona, o América-MG tem o treinador Cauan de Almeida, com 35 anos, e o Amazonas tem o ex-técnico do Caxias, Rafael Almeida, de 39.
Pai e filho se encontram em duelo
Com Nelsinho estreando pela Ponte Preta neste domingo, em duelo da oitava rodada da Série B, o campeonato pretende trazer um confronto inédito duas partidas depois, na cidade de Campinas. O Moisés Lucarelli, casa da Macaca, vai receber o duelo da equipe contra o Novorizontino, comandado por Eduardo Baptista, filho do treinador ponte-pretano.
Perguntado sobre o encontro com o filho, Nelsinho brincou e tratou do duelo com naturalidade acerca da história que fará, enquanto Eduardo, em entrevista concedida no final do ano passado, afirmou que um dos sonhos de sua carreira era enfrentar o pai em um jogo de futebol. Ambos trabalharam juntos durante dez anos, com Eduardo sendo preparador e auxiliar das equipes que Nelsinho comandou, e tendo iniciado sua carreira solo em 2014.
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Eu sabia que isso poderia acontecer em algum momento. Eu encaro isso com naturalidade e normalidade. Há um respeito muito grande por ser meu filho, mas também pelo profissional Eduardo. Ele vai trabalhar a parte dele, eu vou trabalhar a minha e cada um vai buscar o melhor. O bom é que eu conheço ele, né? Mas ele me conhece bastante também.”
— Nelsinho Baptista, técnico da Ponte Preta.
Já falei para ele: ‘não para (a carreira) que um dia quero estar em um campo e poder enfrentá-lo. Sempre trabalhei do lado dele e sonho podermos nos enfrentar desportivamente com ele em outro clube. Quem sabe. Meu pai está bem, com saúde e com disposição para trabalhar. Se não puder enfrentá-lo, que eu possa voltar a trabalhar com ele. Às vezes ele demonstra que quer voltar a ser treinador, outras vezes não.”
— Eduardo Baptista, técnico do Novorizontino.
De volta ao Brasil e à Ponte Preta, Nelsinho demonstra motivação
Seis anos depois de deixar o Brasil para treinar pela segunda vez o Kashiwa Reysol, do Japão, Nelsinho volta ao país de origem motivado a trabalhar em favor da Ponte Preta, e com a missão de recuperá-la no campeonato após a saída de João Brigatti, que se demitiu no último domingo na derrota para o Ituano. O último trabalho de Nelsinho Baptista no Brasil foi no Sport, em 2018, tendo comandado o Leão pernambucano em 18 jogos, e deixado o comando em abril daquele ano.
Se eu não estivesse me sentindo bem, não estaria aqui. Estou bem fisicamente e com uma cabeça de 50 anos. Participo dos treinos, participo do dia a dia e trabalho dentro do campo. Eu tenho meu staff, minha comissão, mas eu trabalho de forma participativo. Eu estou apto, muito bem e só não posso entrar dentro de campo. Me sinto 100% lúcido e cada vez mais motivado.”
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Iniciando sua quinta passagem pela Ponte Preta, e tendo comandado o time em 116 jogos, Nelsinho retoma sua caminhada no alvinegro neste final de semana, em duelo da Macaca com o CRB, pela sétima rodada do Brasileirão Série B, a ser disputado às 16h deste domingo (03). O jogo no Moisés Lucarelli é determinante para a equipe, atualmente 16ª colocada do campeonato – a primeira fora do Z-4, e sem vencer há quatro jogos -, se afastar da degola e sonhar com uma briga entre as quatro que vão para a disputa da primeira divisão em 2025.
Foto: Marcos Ribolli / Ponte Press