O atacante Dominic Calvert-Lewin fez essas declarações após o Leeds United arrancar um empate por 1 a 1 diante do Brentford neste domingo (14), pela 16ª rodada da Premier League 2025/26. Autor do gol que garantiu o ponto fora de casa, o camisa 9 aproveitou o momento para refletir sobre a mudança de percepção em torno de seu desempenho. Antes da última pausa para jogos internacionais, ele havia balançado as redes apenas uma vez com a camisa do novo clube na temporada. O clima era de apreensão, e parte da torcida temia que o roteiro se repetisse, como em seu último ano no Everton, quando marcou somente três gols em uma campanha marcada por problemas físicos.
Desde a retomada da Premier League, em meados de novembro, porém, o cenário mudou. Calvert-Lewin engrenou uma sequência positiva, com quatro gols em cinco partidas, incluindo bolas na rede em cada um de seus últimos quatro compromissos. O gol mais recente veio em uma cabeçada precisa, direcionada ao canto oposto, selando o empate contra o Brentford e deixando o Leeds três pontos acima da zona de rebaixamento. Ao alcançar seu 62º gol na elite do futebol inglês, o atacante afirmou à Sky Sports: “Estou me sentindo bem. Acho que as atuações estão falando por si neste momento”.
Antes de tudo, Calvert-Lewin assinou contrato de três temporadas com o Leeds United em agosto, chegando sem custos após encerrar uma passagem frustrante de nove anos pelo Everton. Revelado nas categorias de base do Sheffield United, o atacante de 28 anos chegou a somar 11 convocações para a seleção inglesa durante sua trajetória pelos Toffees, mas deixou Merseyside ao fim da última temporada, com o vínculo expirado e após conviver com uma série de lesões severas.
Desde a temporada 2018/19, o atacante ficou afastado por quase 600 dias devido a problemas físicos. Ainda assim, em 2025/26, esteve à disposição em 14 dos 16 jogos do Leeds na Premier League. Sua boa fase coincide diretamente com a reação dos Peacocks na luta contra o rebaixamento. A equipe comandada por Daniel Farke somou cinco pontos nos últimos três jogos e conseguiu sair da zona da degola após uma sequência negativa de quatro derrotas consecutivas.
Diante desse contexto, já é possível voltar a discutir uma eventual convocação de Calvert-Lewin para a seleção inglesa? Para Farke, a resposta é positiva. O treinador alemão descreveu o centroavante, que não veste a camisa da Inglaterra desde 2021, como “um dos melhores atacantes ingleses do campeonato”. O próximo desafio do Leeds será no sábado (20), às 17h (horário de Brasília), contra o Crystal Palace, no Elland Road, pela 17ª rodada da Premier League 2025/26.
Além disso, o interesse do Leeds em Calvert-Lewin não surgiu de forma repentina. O atacante já estava no radar do clube desde o início da janela de transferências de verão. Mesmo tendo sido ligado brevemente a Manchester United e Newcastle, os Whites não hesitaram quando surgiu a oportunidade de contratá-lo. Farke acreditava que, se conseguisse extrair o melhor do jogador, ele poderia ser o nome capaz de impulsionar o time na tabela da Premier League.
Hoje, Calvert-Lewin é a principal referência ofensiva do Leeds United e conta com o apoio incondicional da torcida, muito em função de sua entrega e capacidade de participar do jogo coletivo. Sua trajetória lembra a de um bom vinho: amadureceu com o tempo. O atacante encontrou seu espaço em Leeds e exerce influência positiva no elenco. Apesar de ter desperdiçado algumas oportunidades no início — incluindo um pênalti na Copa da Liga Inglesa contra o Sheffield Wednesday, em sua estreia —, vive agora sua melhor sequência goleadora desde os tempos em que atuava sob o comando de Carlo Ancelotti no Everton.

Calvert-Lewin renasce no Leeds e volta a mirar a elite da Premier League com a Copa de 2026 no horizonte
Em grande fase, Dominic Calvert-Lewin vive, no Leeds United, um momento-chave de reconstrução em sua carreira. Após temporadas marcadas por lesões recorrentes, perda de ritmo e dúvidas sobre seu futuro no Everton, o centroavante inglês encontrou em Elland Road o ambiente ideal para se reconectar com o futebol que, no passado, o levou à seleção da Inglaterra.
A mudança de cenário foi decisiva. No Leeds, Calvert-Lewin voltou a ser a principal referência ofensiva, recuperando confiança, intensidade física e, sobretudo, regularidade — algo ausente em suas últimas campanhas. Utilizado como pivô, ele explora sua força no jogo aéreo e presença na área, mas também evoluiu na participação coletiva, ajudando na construção das jogadas e na pressão sem a bola, exigência constante do futebol inglês atual.
As atuações consistentes e os gols recentes recolocaram seu nome em evidência. Mais do que estatísticas, o atacante tem exercido influência direta nos jogos: vence duelos, incomoda as defesas adversárias e aparece nos momentos decisivos, marcas registradas de sua melhor fase. No Leeds, deixou de ser visto como um talento interrompido para reassumir o status de atacante confiável em partidas importantes.
Esse retorno à boa forma não passa despercebido fora do clube. Em meio à renovação e à forte concorrência no ataque da seleção inglesa, Calvert-Lewin sabe que cada rodada da Premier League funciona como vitrine. A Copa do Mundo de 2026 surge como motivação clara. Mesmo fora das convocações recentes, ele entende que a Inglaterra ainda busca opções com perfil físico, força aérea e presença de área — características que ele entrega quando está saudável.
Aos 28 anos, o atacante vive uma fase de maturidade. O discurso se tornou mais cauteloso, o jogo mais consciente e o corpo finalmente responde. Em Leeds, Calvert-Lewin fala menos em números e mais em continuidade. Impressionar novamente a Premier League é o primeiro passo; voltar a vestir a camisa da Inglaterra, o grande objetivo.
Se antes sua trajetória parecia caminhar para o rótulo de “talento interrompido”, agora o roteiro aponta para redenção. E, em uma liga que não costuma perdoar fragilidades, Dominic Calvert-Lewin mostra que ainda tem espaço — e ambição — entre os atacantes de elite do futebol inglês.

Calvert-Lewin pode ser a chave do Leeds na luta pela permanência na Premier League?
A batalha do Leeds United contra o rebaixamento ganha contornos cada vez mais decisivos, e Dominic Calvert-Lewin ocupa posição central nessa disputa. Contratado para ser mais do que uma simples aposta, o atacante assumiu protagonismo justamente no momento mais delicado da temporada, quando cada ponto conquistado vale como uma decisão.
Após um início instável, o Leeds começou a demonstrar sinais claros de reação, muito em função do crescimento ofensivo da equipe. Recuperado fisicamente e mais confiante, Calvert-Lewin voltou a cumprir o papel de referência: segura a bola no ataque, alivia a pressão defensiva e, principalmente, converte oportunidades em gols — um diferencial para equipes que brigam na parte inferior da tabela.
Sua relevância vai além dos números. Em confrontos diretos contra rivais da luta pela permanência, sua força física e experiência em jogos de alta pressão têm feito a diferença. Habituado ao ambiente intenso da Premier League, o atacante entende o peso emocional desses duelos e tem liderado o setor ofensivo com postura de veterano, algo que faltou ao Leeds em momentos recentes.
Internamente, o clube enxerga em Calvert-Lewin um trunfo competitivo. A comissão técnica aposta em sua capacidade de decidir partidas equilibradas, sobretudo em bolas aéreas e transições rápidas — fundamentos que costumam definir jogos tensos na reta final do campeonato. Para o Leeds, mantê-lo saudável até o fim da temporada é quase tão crucial quanto qualquer ajuste tático.
Ainda assim, o desafio permanece complexo. A luta contra o rebaixamento exige consistência coletiva, e o Leeds sabe que não pode depender exclusivamente de um único jogador. No entanto, em um campeonato decidido nos detalhes, contar com um atacante em ascensão pode ser a diferença entre sobreviver e cair.
Se o Leeds permanecerá na elite, ainda é cedo para afirmar. O que já está claro é que Dominic Calvert-Lewin terá, sim, a oportunidade — e a responsabilidade — de ser um dos símbolos dessa batalha. Para o clube, a permanência significa estabilidade. Para o atacante, pode representar a consolidação de uma redenção pessoal e esportiva no palco mais exigente do futebol inglês.
(Foto: Getty Images)