O zagueiro Nicolás Otamendi fará sua despedida definitiva da Argentina na última rodada das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo, diante do Equador, fora de casa, nesta terça-feira (9), às 20h30 (horário de Brasília), em Guayaquil. Aos 37 anos, e depois de 127 partidas vestindo a camisa da Albiceleste, o defensor anunciou a aposentadoria da equipe nacional para se dedicar exclusivamente ao Benfica, em uma etapa que pode representar o encerramento de sua carreira como jogador profissional. Sua trajetória começou em 20 de maio de 2009, quando, defendendo o Vélez Sarsfield, foi chamado por Diego Armando Maradona para estrear na seleção.
Dezesseis anos depois, com duas conquistas da Copa América e o título mundial de 2022, chega ao fim a jornada de um dos nomes mais marcantes da história recente do futebol argentino. Na coletiva que antecedeu a partida, o técnico Lionel Scaloni fez questão de ressaltar a importância de Otamendi, elogiando não apenas sua qualidade técnica, mas também seu caráter. “Com tudo o que aconteceu em torno de Messi, esquecemos o valor que ele tem para nós. Ele merece reconhecimento, porque nos ajudou imensamente, dentro e fora de campo. Vestir esta camisa, para ele, sempre foi sinônimo de entrega total”, afirmou o treinador.
O comandante também confirmou que o camisa 19 usará a braçadeira de capitão neste duelo, um gesto de homenagem que coincide com a ausência de Lionel Messi, já liberado para retornar aos Estados Unidos e se concentrar no Inter Miami, após marcar dois gols na vitória da Argentina por 3 a 0 sobre a Venezuela, na última quinta-feira. “Ele é um dos grandes da nossa história e merece todo o respeito. Não há dúvidas de que será o capitão”, completou Scaloni. Assim, mais um protagonista de uma era vencedora se despede.
Em menos de uma semana, a Argentina viu Lionel Messi se afastar momentaneamente da Albiceleste e agora Otamendi encerrando seu ciclo, o que aponta para um processo natural de renovação antes do próxima Copa do Mundo, que será disputada no Canadá, Estados Unidos e México. A partida em Guayaquil marcará o último ato do defensor com a seleção tricampeã mundial, formando dupla de zaga ao lado de Leonardo Balerdi, do Olympique de Marseille, no fechamento da Data Fifa de setembro. A equipe comandada por Lionel Scaloni assegurou a liderança das Eliminatórias e já não pode mais ser ultrapassada.

Otamendi: a solidez que definiu uma era na defesa argentina
A carreira internacional de Nicolás Otamendi ficará registrada como a de um dos maiores defensores que vestiram a camisa da Albiceleste nas últimas décadas. Foram 127 aparições oficiais e títulos que o elevaram ao patamar dos ídolos imortais do país, consolidando uma reputação construída com disciplina, intensidade e liderança.
Sua primeira chance veio em 2009, quando Maradona decidiu apostar em um jovem zagueiro que se destacava pelo Vélez Sarsfield. Desde então, atravessou diferentes fases da seleção, incluindo períodos de questionamentos, até se afirmar como referência absoluta da defesa. Com marcação implacável, força no jogo aéreo e disposição para assumir responsabilidade em momentos decisivos, tornou-se peça quase obrigatória em todas as convocações.
O auge de sua trajetória veio sob o comando de Lionel Scaloni. Durante esse ciclo, Otamendi assumiu a liderança do setor defensivo e desempenhou papel central nas conquistas mais expressivas da Argentina nos últimos anos: a Copa América de 2021 e a Copa do Mundo de 2022, no Catar. Ao lado de Cristian Romero, formou uma parceria sólida que deu à equipe a consistência necessária para atingir o nível mais alto.
No vestiário, seu impacto ia além do campo. Reconhecido como exemplo de profissionalismo e como elo entre diferentes gerações, ganhou respeito unânime dos companheiros e da comissão técnica. Não à toa, Scaloni resumiu sua importância ao dizer que “ele simboliza o que significa vestir esta camisa”, uma frase que sintetiza o peso do zagueiro dentro do grupo.
Agora, no auge de sua maturidade, Otamendi encerra o ciclo com a seleção usando a braçadeira de capitão, em uma despedida simbólica que coroa um legado marcado por resiliência, liderança e conquistas inesquecíveis. Sua história fica registrada como a de um jogador que foi além da função defensiva para se tornar parte essencial do capítulo mais vitorioso do futebol argentino.

Otamendi: de questionado a intocável no coração da defesa
Se há alguém que simboliza a transformação da seleção argentina nos últimos 15 anos, esse jogador é Nicolás Otamendi. Durante muito tempo alvo de críticas em momentos de instabilidade, o zagueiro conseguiu se reinventar e se consolidar como figura incontestável na defesa da Albiceleste, sobretudo após a chegada de Lionel Scaloni.
A virada de chave ocorreu depois da eliminação na Copa do Mundo de 2018, quando a equipe iniciou um processo de renovação com jovens talentos e necessitava de líderes experientes. Scaloni confiou em Otamendi para comandar a retaguarda, e o veterano respondeu com atuações seguras, tornando-se referência para parceiros mais novos como Cristian Romero e Lisandro Martínez.
Com um estilo de jogo baseado em imposição física, personalidade e capacidade de decidir em partidas de alta pressão, Otamendi foi fundamental para devolver competitividade à Argentina. Brilhou na conquista da Copa América de 2021, no Maracanã, destacando-se nos duelos individuais, e repetiu o protagonismo no Mundial do Catar, onde foi peça-chave na final contra a França.
Sua importância, no entanto, não se restringiu ao campo. Nos bastidores, o zagueiro assumiu um papel de liderança discreta, mas firme, ajudando a fortalecer a união de um elenco que combinava astros consagrados como Messi com jovens em ascensão. Essa postura o transformou em referência incontornável tanto para companheiros quanto para a comissão técnica.
Aos 37 anos, ao se despedir da seleção, Otamendi deixa a imagem de um defensor que sobreviveu a diferentes gerações, treinadores e críticas para consolidar-se como um dos mais respeitados jogadores da história recente da Argentina. Seu nome pode não ter a mesma projeção midiática de Messi ou Di María, mas foi sua solidez e constância que permitiram à Albiceleste reencontrar o caminho da glória.
(Foto: Getty Images)