Aaron Pico
Lutas UFC

Aaron Pico: a promessa do Bellator que chega ao UFC querendo mudar a divisão dos penas

O nome de Aaron Pico há tempos circula entre os fãs mais atentos do MMA como sinônimo de promessa. Atleta completo, com base olímpica no wrestling, mãos pesadas e uma mentalidade competitiva quase obsessiva, Pico é daqueles raros casos em que se enxerga um potencial de campeão mundial desde os primeiros passos no esporte profissional. Agora, após anos construindo sua reputação no Bellator e uma breve passagem pela PFL, ele finalmente desembarca no UFC, a elite do MMA mundial, com fome de grandes desafios e de olho no cinturão da categoria dos pesos-penas.

A recepção, no entanto, não foi das mais calorosas. Movsar Evloev, top contender da divisão, recusou enfrentar o americano em sua estreia, já que o campeão Alexander Volkanovski prometeu que a primeira defesa de cinturão ccontra ele. Mesmo assim, o novo reforço do UFC garante: está pronto para enfrentar qualquer um. E muitos acreditam que, com o talento que tem, pode acelerar rapidamente sua escalada rumo ao topo.

Pico não é um lutador comum. Sua história no esporte começou ainda na infância, com conquistas importantes no wrestling olímpico. Era visto, ainda adolescente, como uma das maiores promessas do esporte nos Estados Unidos. Aos 17 anos, ele já era considerado parte do projeto olímpico da seleção americana. Paralelamente, desenvolvia também habilidades no boxe, com passagens de destaque por torneios amadores.

Sua estreia profissional no MMA, porém, foi traumática. Em 2017, no Bellator 180, Pico caiu por finalização logo no primeiro round diante de Zach Freeman. O hype inicial deu lugar às dúvidas: será que o talento bruto se traduziria em carreira sólida?

A resposta veio rapidamente. Pico ajustou sua preparação, lapidou seu jogo, amadureceu. Em suas lutas seguintes, mostrou o poder devastador de seus punhos, com nocautes brutais e domínio físico que assustava adversários experientes. Durante sua passagem pelo Bellator, acumulou um cartel de 14 vitórias e apenas 4 derrotas, sendo 11 vitórias por nocaute.

Mas talvez o mais importante seja o seu desenvolvimento técnico e mental. Pico se tornou mais paciente, mais estratégico, e passou a usar seu wrestling de forma mais tática, não apenas como base, mas como arma para controlar o ritmo da luta.

Por que os penas do UFC devem se preocupar?

A categoria dos penas no UFC é uma das mais empilhadas em termos de talento. Com nomes como Volkanovski, Diego Lopes, Yair Rodriguez e Evloev, é preciso mais do que potência física para se destacar. Mas Pico, aos 27 anos, chega ao UFC com experiência internacional, poder de nocaute, defesa de quedas afiada e wrestling ofensivo de elite, uma combinação que poucos na divisão podem alegar ter.

Sua capacidade de explodir em momentos de pressão e de ditar o ritmo das lutas com força e variação tática faz dele um oponente difícil para qualquer estilo. Contra trocadores, tem o wrestling para nivelar o combate no chão. Contra grapplers, tem o boxe e a movimentação para manter a luta em pé e punir com volume e potência.

A recusa de Evloev, por exemplo, pode ter sido estratégica: além do risco técnico real de enfrentá-lo, não há muito a ganhar enfrentando um estreante, ainda que esse estreante seja um dos nomes mais temidos fora do UFC nos últimos anos.

Quem pode ser o primeiro desafio de Pico?

Com Evloev fora da equação, o UFC pode buscar nomes consolidados, mas que ocupam posições intermediárias no ranking para o primeiro teste de Pico. Giga Chikadze, por exemplo, seria um duelo interessante: um striker técnico e perigoso, contra o wrestling e os punhos de Pico. Dan Ige ou o “porteiro” Calvin Kattar também são nomes com bagagem, bons para medir o nível do novato — e ao mesmo tempo, lutas empolgantes para o público.

Pico deixou claro que não quer esperar muito. Em entrevistas recentes, afirmou que aceitaria lutar já nos próximos dois meses, se possível contra alguém dentro do top 10, citando nomes como Brian Ortega e Aljamain Sterling. Ele sabe que, com vitórias consistentes, pode chegar ao título em tempo recorde.

Apesar do talento inegável, Pico terá que provar no octógono o que já mostrou em outras organizações. O UFC exige consistência, mentalidade afiada e capacidade de adaptação a adversários de altíssimo nível. O caminho até o cinturão não será fácil, mas se há alguém com ferramentas para percorrê-lo, é ele.

Se conseguir estrear com uma vitória convincente, Pico entra de vez no radar da elite. Dois ou três triunfos contra nomes ranqueados podem colocá-lo em uma eliminatória por título até o fim de 2025. E se isso acontecer, o UFC pode ter encontrado sua nova estrela nos penas.Aaron Pico está pronto. Agora, é o UFC que precisa estar.

(Foto: Matt Davies/PxImages)