Israel Adesanya ainda não quer encarar a aposentadoria como realidade. Mesmo vivendo a pior sequência da carreira no MMA, o ex-campeão dos médios do UFC deixou claro que não pretende encerrar sua trajetória neste momento, apesar das quatro derrotas consecutivas e da fase de incerteza dentro do octógono.
Aos 36 anos, Adesanya tenta lidar com uma mudança de cenário que contrasta completamente com seu auge dominante na divisão dos médios. A última derrota veio em fevereiro, quando foi superado por nocaute técnico no segundo round por Joe Pyfer, no UFC Fight Night 271, ampliando o momento mais delicado de sua carreira profissional.
Mesmo assim, Izzy segue confiante de que ainda pode competir em alto nível, e admite que existe um fator emocional forte por trás da decisão de continuar lutando.
Adesanya fala em ego e recusa aceitar fim da carreira
Em entrevista ao canal de Demetrious Johnson, Adesanya abriu o jogo sobre o momento atual e foi direto ao explicar por que não consegue considerar a aposentadoria.
O ex-campeão afirmou que não quer encerrar sua história sendo definido apenas pela fase negativa recente. Segundo ele, sua trajetória ainda o coloca em um patamar elevado dentro do esporte, mesmo com as derrotas acumuladas.
Mas o ponto mais forte da entrevista foi a admissão de que o ego tem grande influência nessa decisão. Adesanya deixou claro que ainda acredita no próprio potencial e não quer aceitar que este seja o “capítulo final” da sua carreira.
Em outras palavras, Izzy ainda se vê como alguém capaz de reescrever a própria história dentro do UFC.
Um dos maiores nomes da história recente do UFC
Mesmo em fase instável, a carreira de Adesanya segue sendo uma das mais relevantes do MMA moderno.
O nigeriano foi campeão dos médios e defendeu o cinturão cinco vezes, ficando atrás apenas de Anderson Silva no ranking histórico da categoria. No auge, Adesanya se consolidou como um dos strikers mais técnicos e criativos do UFC, com vitórias dominantes e performances marcantes.
A rivalidade com Alex Pereira também marcou sua trajetória. Após perder o cinturão para o brasileiro no UFC 281, Adesanya deu a volta por cima ao vencer a revanche no UFC 287, em abril de 2023, reconquistando o título em uma das lutas mais simbólicas da sua carreira.
Naquele momento, a expectativa era de continuidade no topo. Mas o cenário mudou rapidamente.
A pior sequência da carreira de Adesanya
Depois de recuperar o cinturão, Adesanya não conseguiu manter o ritmo que o levou ao topo da divisão.
A sequência de quatro derrotas consecutivas transformou completamente a narrativa em torno do lutador, que agora vive um cenário incomum: o de precisar provar que ainda pertence à elite da categoria.
A derrota mais recente, para Joe Pyfer, reforçou esse momento de instabilidade e aumentou as dúvidas sobre o futuro competitivo de Adesanya no UFC.
Mais do que resultados, o que chama atenção é a dificuldade em sustentar performances consistentes diante de adversários em ascensão na divisão dos médios.
Adesanya entre o legado e a realidade
A fala de Adesanya sobre o ego ajuda a entender o tamanho do dilema que ele enfrenta neste momento da carreira.
De um lado, existe um atleta com um dos maiores legados recentes do UFC, com cinturão, defesas e vitórias contra nomes de elite. Do outro, há a realidade de uma fase em que os resultados já não acompanham o nível do seu auge.
Essa tensão entre passado e presente coloca Adesanya em uma posição delicada: continuar tentando voltar ao topo ou aceitar que o ciclo competitivo está mudando.
O próprio lutador rejeita a ideia de encerramento precoce. Para ele, ainda existe espaço para evolução e reconstrução dentro do esporte.
O futuro de Adesanya no UFC
Ainda não há definição sobre o próximo passo do nigeriano no UFC. Sem luta marcada, o ex-campeão deve passar por um período de avaliação antes de decidir seu retorno ao octógono.
O cenário é de incerteza, mas também de expectativa. Cada nova luta pode representar um ponto de virada — positivo ou negativo nessa reta final de carreira.
Por enquanto, Adesanya segue firme na decisão de continuar competindo, sustentado pela crença no próprio potencial e pela dificuldade de aceitar que sua história no MMA esteja chegando ao fim.
Porque, para Adesanya, a carreira ainda não acabou, mesmo que o tempo e os resultados comecem a cobrar uma nova resposta.
Foto: Josh Hedges/ Zuffa LLC