Israel Adesanya pode encerrar sua gloriosa carreira no UFC de maneira melancólica no evento em Seattle, marcado para este sábado (28). Ex-campeão dos médios, o nigeriano vem de três derrotas consecutivas e terá pela frente o promissor Joe Pyfer, uma das sensações da divisão. O cenário, que antes parecia improvável para um dos lutadores mais dominantes da categoria, agora levanta dúvidas reais sobre o futuro de uma trajetória histórica.
Oficialmente, Israel Adesanya garante que esta não será sua despedida. Em entrevistas recentes, o lutador de 36 anos admitiu que enxerga o fim da carreira se aproximando, mas assegurou que pretende seguir competindo até 2027 ou 2028. Na semana da luta contra Pyfer, ele reforçou essa visão, afirmando ainda ter “muito a entregar” ao UFC, seja em desempenho ou em entretenimento.
A realidade, entretanto, pode não corresponder ao discurso. Adesanya, ex-campeão dos médios e dono de dois reinados marcantes, vive um momento claro de declínio técnico e competitivo. Derrotas para Sean Strickland, Dricus du Plessis e Nassourdine Imavov expuseram fragilidades que antes pareciam inexistentes em seu jogo. A aura de invencibilidade desapareceu, substituída por questionamentos sobre reflexos, timing e motivação.
Diante desse contexto, o duelo contra Pyfer ganha contornos decisivos. Não se trata apenas de mais uma luta, mas possivelmente de um divisor de águas. Uma derrota convincente para um atleta em ascensão pode acelerar um processo que já parece em curso: o encerramento de uma carreira que redefiniu o peso médio.
Adesanya é um déjà vu para Cejudo?
Quem acredita nessa possibilidade é Henry Cejudo, lenda do UFC que anunciou aposentadoria recentemente após uma sequência negativa. Em entrevista, o ex-campeão traçou um paralelo direto entre sua própria trajetória e a de Adesanya, destacando que o declínio nem sempre está ligado apenas ao talento, mas à motivação.
Segundo Cejudo, chega um momento em que o lutador passa a enxergar outras possibilidades fora do esporte. Ele citou o fato de Adesanya já estar envolvido com projetos paralelos, como carreira musical e presença constante em atividades fora do octógono, como sinais de que o fim pode estar mais próximo do que se imagina.
A leitura de Cejudo não é isolada. No MMA, a transição entre auge e declínio costuma ser abrupta. Lutadores que dominaram suas divisões por anos, de repente, enfrentam dificuldades para acompanhar o ritmo de uma nova geração mais jovem, agressiva e faminta. Pyfer representa exatamente esse perfil: um atleta em ascensão, sem o peso das derrotas recentes e com tudo a ganhar.
Caso Adesanya seja superado de forma contundente, o impacto pode ir além do resultado esportivo. A narrativa de encerramento melancólico ganharia força, e a pressão por uma decisão definitiva aumentaria consideravelmente. Permanecer ativo após uma sequência tão negativa poderia afetar ainda mais seu legado.
Trajetória de respeito
Independentemente do que acontecer em Seattle, a história de Adesanya não será esquecida. O nigeriano construiu uma das trajetórias mais relevantes da história recente do UFC, com dois reinados no peso médio e seis defesas de cinturão. Mais do que números, ele redefiniu o estilo da categoria com sua base no kickboxing, precisão técnica e controle de distância.
Adesanya também se destacou pelo carisma e pela capacidade de gerar interesse. Suas lutas raramente passaram despercebidas, seja pela rivalidade com adversários, seja pelo espetáculo dentro e fora do cage. Ele ajudou a manter o peso médio em evidência durante anos, sendo peça central em grandes eventos.
Além disso, sua influência ultrapassa o esporte. Adesanya se tornou uma figura midiática, conectando-se com diferentes públicos e expandindo sua atuação para áreas como entretenimento e cultura pop. Esse alcance reforça a ideia de que sua carreira não se limita aos resultados recentes.
Ainda assim, o esporte de alto rendimento é implacável. O passado vitorioso não garante espaço no presente, e cada luta passa a carregar um peso maior. Para Adesanya, o confronto contra Pyfer representa mais do que uma tentativa de recuperação: é um teste sobre sua permanência entre a elite.
Se será o capítulo final ou apenas mais um episódio de superação, só o sábado dirá. Mas, pela primeira vez em muito tempo, a possibilidade de um adeus melancólico deixou de ser improvável e passou a ser uma hipótese concreta.
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