O volante Allan resolveu calar a boca dos críticos, e num momento bem particular do Flamengo na temporada, pra não dizer urgente. A equipe rubro-negra, que tinha tudo pra sair de cabeça erguida do Mundial de Clubes, após a eliminação pro Bayern de Munique, acabou entrando numa maré de problemas, tanto dentro das quatro linhas quanto fora. Só que, apesar de todo esse caos, Allan deu a cara a tapa e tem brilhado entre os titulares de Filipe Luís.
A verdade é que a torcida nunca demonstrou grande empolgação em ver Allan em campo. Fosse pela aparente falta de vontade quando ganhava minutos, pelos erros de passe, ou pelas decisões equivocadas. A situação começou a mudar quando o Flamengo voltou ao Brasil depois do Mundial. Erick Pulgar se lesionou e ficou três meses fora. Gerson, por sua vez, fez as malas rumo ao futebol russo. Ou seja, duas perdas pesadíssimas pra equipe de Filipe Luís.
Sem reforços imediatos, o caminho era claro: Allan teria que jogar. E esse é um ponto que também pesa nas costas de José Boto, pela falta de imposição no mercado. Mas o tempo jogou a favor do ex-Fluminense. Com sequência, Allan começou a mostrar valor, aquele que não víamos nas últimas temporadas e começou a atrair os holofotes.
Contra o São Paulo, já dava pra notar a evolução. A confiança dele estava voltando. Allan sempre teve uma leitura de jogo diferenciada, capaz de enfiar bolas em profundidade, virar o jogo com precisão, cruzar com qualidade… e claro, defender. No Maracanã, o Flamengo dominou o tricolor paulista e Allan teve uma atuação de destaque.
Depois, veio o Santos. A vitória não veio de bandeja, mas a atuação de Allan seguiu em alto nível. Enquanto outros mostravam respeito (até demais) por Neymar, Allan foi pra cima. Deu bote, errou, fez falta, mordeu mesmo. Não acertou todas, e nem precisava. A vontade de desarmar Deus e o mundo já serviu como cartão de visitas. Pode ter chegado atrasado, mas chegou, e é isso que importa.
O ponto é: demorou, mas ele apareceu. E num momento crucial. Pra fechar a sequência de boas atuações, Allan manteve o ritmo contra o Fluminense, seu ex-time. A parceria com Jorginho no meio tem dado frutos. Os dois se entendem bem, enxergam o jogo como poucos. Coisa fina de se ver.
Allan no Flamengo

O cenário atual de Allan no Flamengo é bem diferente do que a torcida se acostumou a ver. Ele nunca foi unanimidade. Nem entre os torcedores, nem entre as comissões técnicas que passaram pelo clube. Simplesmente porque não mostrava nada que justificasse mais minutos. Chegou a ser alvo constante de críticas, com razão. Seus poucos minutos em campo falavam por si só.
Brigou por espaço e perdeu, principalmente quando Evertton Araújo subiu da base. Pelo valor que o Flamengo investiu, ninguém imaginava que ele cairia tanto de rendimento. Mas agora parece que encheu o saco de ouvir que desaprendeu a jogar bola, e resolveu mostrar serviço.
Allan já teve chances reais de sair do Rio de Janeiro, mas, por algum motivo, essas transferências nunca se concretizaram. Talvez o destino estivesse guardando esse momento pra ele. O fato é que conviver com um elenco recheado de craques atrapalhou, sim, sua briga por espaço. Mas agora, com a oportunidade nas mãos, ele está aproveitando como nunca.
A saída de Gerson deixou o clube meio à deriva no setor. Com De La Cruz sem condições de jogo, Pulgar fora por meses e Boto em silêncio no mercado, o Flamengo precisava de alguém pra dar conta do recado. Ainda mais com um treinador como Filipe Luís, que exige intensidade do primeiro ao último minuto. Allan entendeu a missão, e tá cumprindo.
Foto: Marcelo Cortes/Flamengo