Samuel Lino, Flamengo. Foto: Gilvan de Souza/Flamengo.
Futebol Brasileirão

Flamengo domina e tem futebol envolvente, mas até onde fragilidade do Botafogo influenciou nisso?

Vencer o Botafogo sem dúvidas foi saboroso para o Flamengo no último domingo (30). A equipe de Leonardo Jardim não somente derrotou um rival, como também reduziu a vantagem em relação ao líder Palmeiras, que agora se encontra a quatro pontos de distância na tabela do Brasileirão. Porém, o desempenho da equipe rubro-negra esteve longe da perfeição e, em alguns momentos, acumulou oscilações e viu o Glorioso ter um bom momento no certame.

No primeiro tempo, o Flamengo foi bem e teve mais posse de bola. O gol de Samuel Lino consolidou a melhor fase do jogador no time, premiando também o técnico Jardim que modificou o posicionamento do camisa 16. O tento de Lino foi apenas 1 das 12 conclusões que o Fla tentou nos 45 minutos iniciais e que levaram o goleiro adversário Gabriel Batista (curiosamente ex-jogador e cria do rubro-negro) a fazer duas defesas importantes.

Para se ter uma breve noção, o Botafogo teve apenas quatro arremates no mesmo período — apenas um terço do que o Flamengo somou. Mas, há de ressaltar também: em 12 chutes, dois foram defendidos e o outro encontrou o caminho das redes, ou seja, três finalizações foram no alvo (25%). Sendo assim, esta é uma evidência de que a equipe segue com o problema de acertar o alvo e pode ser fatal contra oponentes mais qualificados do que o frágil Glorioso.

Flamengo domina e aproveita a fragilidade

É inegável que, no primeiro tempo, o Flamengo foi teve mais imponência, volume de jogo e predominou em campo. Os jogadores que mais se destacaram foram Jorginho, Pulgar, Ayrton Lucas e, claro, Samuel Lino, autor do gol. Todos esses tiveram liberdade para executar as jogadas, principalmente o ítalo-brasileiro.

No primeiro gol, Jorginho recebeu dos zagueiros sem nenhuma pressão e conseguiu achar o lançamento para Lino abrir o placar. Chama a atenção que nas duas ocasiões — de quem dá a assistência e quem faz o gol —, os dois estavam livres. Falha de marcação clara, mas que não apaga o mérito dos envolvidos, até porque a característica do camisa 16 é fazer movimentações ‘facões’ nas costas dos defensores.

A dominância sobre o rival é um claro sinal de que existia uma distância técnica entre os dois planteis. O Flamengo está mais confiante e vem de uma classificação para a próxima fase da Libertadores, com destaques individuais — estes que sobressaíram na vitória de ontem. O único, que por ventura, correu no outro sentido foi Pedro, que esteve numa tarde infeliz e não se saiu bem.

Queda no segundo tempo

No segundo tempo, para quem acompanhou, existiu uma clara diferença comportamental no Fla em relação ao que foi no primeiro. A equipe voltou cansada, desatenta e errática. Por sorte, o rival não soube aproveitar as chances e espaços que teve.

O momento do Botafogo não é bom, mas poderia ter ganhado um alento com algum ponto conquistado diante do principal adversário. A situação do clube não se estabeleceu desde o revés na Sul-Americana, que custou a eliminação no torneio, e isso reflete a desordem administrativa. De todo o modo, os jogadores não colaboram e, mesmo exercendo uma pressão no Flamengo, não converteram as oportunidades. Sorte do time de Leonardo Jardim, que precisa reaver fortemente a preparação físicas dos atletas.

A curiosidade é que, quando o Fla esteve melhor, marcou apenas um gol. Quando esteve mal, marcou dois. Mais refrescado e sob um novo esquema tático, o rubro-negro foi feliz nos belos gols de Samuel Lino (o segundo) e a pintura de Carrascal depois da troca de passes na entrada da área.

O placar final não registrou duas equipes completamente diferentes em momentos técnicos, mas um Flamengo, especificamente, extenuado e inconstante no certame. A revisão do condicionamento físico é uma virtude para a equipe de Jardim e a falta disso pode custar caro nas frentes que o clube ainda luta.

Créditos da foto de capa: Gilvan de Souza/Flamengo