Almería
Futebol La Liga

Almería, uma fábrica de milhões no mercado da bola; Confira

A trajetória recente do Almería transformou o clube andaluz em uma das referências do mercado espanhol quando o assunto é identificar jogadores com potencial de valorização e convertê-los em grandes receitas. A reportagem do Marca destaca justamente essa característica: a equipe passou a funcionar como uma verdadeira “fábrica de milhões”, baseada em contratações estratégicas, desenvolvimento de talentos e negociações firmes no momento certo. Embora o projeto também tenha acumulado apostas que não deram o retorno esperado, o saldo das principais operações explica por que os Rojiblancos ganharam reputação de clube vendedor extremamente eficiente nos últimos anos em divisões inferiores de La Liga.

O principal símbolo dessa transformação é Darwin Núñez. Contratado junto ao Peñarol, o atacante uruguaio chegou ao Almería ainda em processo de afirmação no futebol europeu e acabou vendido ao Benfica por valores que chegaram a cerca de 34 milhões de euros, considerando os diferentes componentes da operação. O negócio tornou-se um marco porque demonstrou que o clube poderia investir em jovens jogadores de mercados menos valorizados, oferecer-lhes uma plataforma competitiva e, posteriormente, negociá-los por cifras muito superiores. A própria direção almeriense já explicou que a venda de Darwin foi fundamental para a montagem de um elenco que posteriormente conseguiu o acesso à primeira divisão espanhola.

A fórmula voltou a funcionar com Umar Sadiq. O nigeriano foi contratado do Partizan por aproximadamente 5 milhões de euros, com possibilidade de acréscimos por variáveis, e assumiu a responsabilidade de substituir justamente Darwin. Depois de superar as dúvidas iniciais, tornou-se protagonista ofensivo e acabou vendido à Real Sociedad por uma quantia significativamente superior ao investimento inicial. Mais importante do que o lucro isolado foi a repetição do modelo: o Almería identificou um jogador ainda distante do protagonismo nas grandes ligas, apostou em seu desenvolvimento e transformou seu desempenho em ativo financeiro.

Do mesmo modo, El Bilal Touré representa outro capítulo dessa política. O atacante malinês chegou do Stade de Reims e, após uma passagem marcada por evolução, gols e valorização, foi negociado com a Atalanta em uma operação que alcançou aproximadamente 31 milhões de euros, considerando valores fixos e variáveis. A sequência formada por Darwin Núñez, Sadiq e El Bilal consolidou a imagem do Almería como um clube capaz de identificar talentos antes de sua explosão, desenvolvê-los no futebol espanhol e negociá-los posteriormente por cifras expressivas.

A estratégia também incluiu Luis Suárez, contratado por cerca de 8 milhões de euros e posteriormente negociado com o Sporting de Portugal por valores que chegaram a mais de 27 milhões entre parcelas fixas e variáveis. Dion Lopy é outro exemplo citado no levantamento recente: adquirido por aproximadamente 6,5 milhões de euros, o volante proporcionou nova margem financeira ao clube com sua transferência. Somadas às demais operações, as principais vendas do Almería representam centenas de milhões de euros movimentados e reforçam a dimensão econômica do projeto.

Nem todas as apostas, naturalmente, produziram o mesmo resultado. Arvin Appiah é lembrado como um dos casos negativos, depois de uma contratação próxima de 8,8 milhões de euros que não conseguiu gerar retorno esportivo ou financeiro proporcional. A política de empréstimos também recebeu críticas, justamente porque muitos jogadores cedidos não conseguiram retornar ao elenco principal com impacto relevante. Isso mostra que a fórmula do Almería não é infalível, mas os acertos de Darwin, Sadiq, El Bilal, Luis Suárez e outros ativos compensaram amplamente parte dos erros.

O diferencial do Almería, portanto, não está apenas em vender caro, mas em construir um ciclo de mercado. O clube compra jogadores jovens, acompanha sua evolução, aumenta sua exposição competitiva e estabelece um preço elevado quando percebe que o ativo atingiu o momento ideal de negociação. É uma estratégia que exige observação, paciência e capacidade de negociação, mas que transformou o emblema andaluz em uma das máquinas de valorização mais interessantes do futebol espanhol. Enquanto clubes maiores dependem de enormes investimentos para montar seus elencos, os Rojiblancos encontraram outra maneira de competir: transformar talento em patrimônio e patrimônio em milhões.

Foto: Getty Images

Como o Almería se tornou um dos clubes do futebol europeu que mais vendeu atletas nos últimos anos

A capacidade de transformar jogadores em ativos financeiros tornou o Almería um caso particular no futebol espanhol. Nos últimos anos, o clube passou a estruturar sua política esportiva de maneira que o desempenho em campo e a valorização no mercado caminhem lado a lado. A venda de Dion Lopy ao Al-Ittihad, oficializada em agosto de 2026, representa o capítulo mais recente dessa estratégia e reforça uma característica que já se tornou parte da identidade administrativa da equipe andaluza.

No caso do meio-campista Lopy, o Almería encerra uma passagem de três temporadas e 105 partidas oficiais. Contratado ao Stade de Reims em 2023 por 6,5 milhões de euros, o senegalês agora deixa o clube rumo à Arábia Saudita em uma operação de 13 milhões de euros fixos, além de seis milhões em variáveis e 10% de participação em uma futura venda. O acordo também estabelece que o Reims receba parte da mais-valia, graças à cláusula prevista na transferência anterior, reduzindo o retorno financeiro da equipe andaluz.

O caso explica por que o Almería conseguiu construir uma reputação tão forte no mercado. A lógica não depende exclusivamente de revelar jogadores formados em sua própria base, mas de identificar atletas em momentos anteriores ao auge, oferecer-lhes espaço, aumentar seu valor esportivo e negociar quando surge uma oportunidade financeiramente vantajosa. Foi assim que o clube criou uma sequência de operações capazes de gerar receitas expressivas mesmo quando a equipe não estava entre as principais forças da Espanha.

O uruguaio Darwin Núñez foi um dos primeiros grandes exemplos dessa transformação, enquanto Umar Sadiq, El Bilal Touré e Luis Suárez deram continuidade ao modelo em diferentes momentos. O resultado foi uma política de recrutamento que passou a enxergar o elenco também como patrimônio financeiro. Em vez de tratar cada contratação apenas como reforço esportivo, o Almería passou a considerar idade, margem de evolução, potencial no mercado internacional e possibilidade de revenda, criando uma estratégia voltada à valorização dos ativos e à sustentabilidade do clube.

A estratégia ganhou ainda mais importância após temporadas marcadas por forte movimentação financeira no mercado. Na temporada 2025/26, por exemplo, o clube registrou as vendas de Luis Suárez, Marc Pubill, Luís Maximiano, Lázaro, Kaiky e outros jogadores, reforçando seu modelo de geração de receitas. Mesmo com investimentos para recompor o elenco, o Almería conseguiu manter uma diferença expressiva entre os valores arrecadados com transferências e os recursos destinados às contratações. O planejamento financeiro, assim, tornou-se peça importante para garantir sustentabilidade e competitividade esportiva.

Até mesmo negociações realizadas por outros clubes podem continuar gerando receitas para o Almería. A transferência de Samu Costa, do Mallorca para o Al-Nassr, por aproximadamente 22 milhões de euros, proporcionou cerca de 3,8 milhões de euros aos cofres do clube andaluz. O valor é resultado dos 20% da mais-valia que o Almería havia preservado no acordo firmado em 2023. Dessa maneira, a operação demonstra como o clube mantém mecanismos financeiros capazes de gerar retornos mesmo após a saída definitiva de seus antigos jogadores.

Por isso, a venda de Lopy não deve ser analisada isoladamente. Ela representa mais uma demonstração de que o Almería transformou o mercado de transferências em uma das principais ferramentas de sustentabilidade do projeto. O clube compra, desenvolve, valoriza e vende seus jogadores, preservando cláusulas e percentuais sempre que possível. Em agosto de 2026, essa política já não parece apenas uma sequência de bons negócios, mas um modelo esportivo e financeiro consolidado, capaz de gerar receitas recorrentes e fortalecer o planejamento do clube para as próximas temporadas.

Foto: Getty Images

Será que o Almería poderá fazer mais negócios lucrativos em breve?

O Almería ainda pode transformar o mercado de transferências em uma importante fonte de receitas nas próximas semanas. A saída de Dion Lopy para o Al-Ittihad, oficializada em agosto, não encerrou necessariamente o movimento do clube, que continua trabalhando com um elenco formado por jogadores com potencial de valorização e negócios capazes de gerar novas entradas financeiras. A sequência recente de operações indica que a diretoria não trata as vendas apenas como respostas a necessidades imediatas, mas como parte de um planejamento econômico mais amplo.

Lopy é o exemplo mais recente dessa política. O meio-campista senegalês foi adquirido do Stade de Reims por 6,5 milhões de euros e deixou o Almería por 13 milhões fixos, com outros seis milhões condicionados a objetivos e 10% de uma futura transferência. Mesmo com a existência de uma participação do clube francês na mais-valia, a operação demonstra a capacidade almeriense de transformar um investimento relativamente controlado em uma negociação muito mais elevada.

E há outros sinais de que o ciclo de vendas pode continuar. Marko Perovic foi negociado com o Raków, da Polônia, por cerca de um milhão de euros, mantendo ainda um percentual para o Almería em uma futura transferência. O clube também trabalha com jogadores que podem gerar receitas adicionais caso encontrem novos destinos antes do fechamento da janela, enquanto os atletas que permanecerem no elenco terão a oportunidade de aumentar seu valor durante a temporada.

Outro fator importante é que o Almería não depende exclusivamente de suas próprias vendas para lucrar. A transferência de Samu Costa do Mallorca para o Al-Nassr, por 22 milhões de euros, garantiu aproximadamente 3,8 milhões ao clube andaluz graças ao percentual de mais-valia preservado no negócio anterior. Esse tipo de cláusula mostra uma estratégia mais sofisticada: mesmo depois de vender um jogador, o clube tenta manter participação econômica em sua valorização futura.

Assim, agosto de 2026 apresenta um cenário favorável para novos negócios. O Almería já demonstrou que consegue vender jogadores por valores superiores aos investimentos realizados e, ao mesmo tempo, preservar percentuais sobre futuras transferências. Com a janela ainda aberta até setembro, novas saídas podem ampliar uma receita que já ganhou força neste mercado. Mais do que simplesmente vender, o desafio agora é repetir a fórmula: identificar oportunidades, esperar a valorização adequada e negociar no momento em que o retorno financeiro seja considerado ideal.

(Foto: Getty Images)