Em meio ao caos vivido pela Aston Martin na temporada 2026 da Fórmula 1, Fernando Alonso revive um velho pesadelo. De volta ao volante de um carro com motor Honda, o bicampeão enfrenta uma situação difícil, semelhante à que viveu entre 2015 e 2017 pela McLaren.
O desafio vai além da busca por desempenho no frágil AMR26. As vibrações crônicas no chassi têm causado dores nas mãos e nos pés dos pilotos e já provocaram um duplo abandono nas duas primeiras etapas do ano.
Surge, então, o questionamento: vale a pena para Alonso, aos 44 anos e com um legado consolidado na categoria, seguir por mais uma temporada? A seguir, os fatores que pesam a favor e contra uma possível aposentadoria.
Já consagrado, o Alonso atual pouco pode oferecer à Fórmula 1

São 428 largadas, 32 vitórias, 106 pódios e dois títulos mundiais. São estes os números que resumem a carreira de Alonso até a publicação desta matéria. Primeiro e único campeão de Fórmula 1 de seu país, o espanhol viveu seu auge entre 2005 e 2012, período marcado por disputas intensas com nomes lendários como Michael Schumacher, Sebastian Vettel, Lewis Hamilton e Kimi Räikkönen.
A trajetória construída ao longo de 23 anos (excluindo as temporadas de 2019 e 2020, quando esteve fora do grid) é mais do que suficiente para colocá-lo entre os pilotos mais icônicos da história da categoria e um dos maiores deste século. No entanto, o Alonso atual está distante do brilho das décadas anteriores.
Desde o retorno à Fórmula 1, em 2021, pela Alpine, o piloto alternou momentos de altos e baixos. Embora mantivesse o discurso de que ainda poderia brigar na frente, o máximo que conseguiu alcançar foram nove pódios entre 2021 e 2023. Neste último ano, contou com um raro carro competitivo da Aston Martin, que também lhe permitiu disputar uma pole position em Mônaco. Aquela temporada, na prática, foi o último lampejo da equipe e do piloto na parte de cima do grid.
De volta a 2026, onde ocupa a parte de trás do grid, é pouco provável que a Aston Martin dê um salto significativo de desempenho de um ano para o outro, deixando de figurar entre os piores carros do grid para brigar no pelotão de frente. Tanto o presente como o futuro próximo não apontam para uma mudança drástica na situação, e o piloto segue correndo por registros insignificantes perante ao que já construiu na categoria.
Prestes a completar 45 anos em julho, Alonso segue na Fórmula 1 sem um norte claro e sem perspectivas reais de disputar vitórias, pódios ou, neste momento, sequer pontos.
Planos do espanhol incluem um último ano competitivo

Ainda em 2025, Alonso afirmou que, caso a Aston Martin tivesse uma temporada competitiva, havia grandes chances de encerrar a carreira em alta ao fim de 2026. Do contrário, admitiu que seria “difícil desistir sem tentar novamente” caso o carro não fosse competitivo o suficiente.
A projeção do espanhol, no entanto, pode não ter considerado o quão limitado seria o conjunto diante do novo regulamento. Ainda assim, ele garante que se sente competitivo e segue determinado a encerrar a carreira de forma digna, afastando, por ora, a possibilidade de aposentadoria.
Se cumprir o que declarou, Alonso deixará a Fórmula 1 como o recordista absoluto de corridas disputadas, uma marca que tende a ser difícil de superar pelas próximas gerações. Em termos de longevidade, o espanhol lidera com ampla vantagem sobre Lewis Hamilton, cuja permanência no grid por tempo suficiente para ameaçar o recorde também é incerta.
Fora das pistas, um fator relevante que pode pesar na decisão é o nascimento de Leonard, seu primeiro filho com a parceira, a jornalista Melissa Jiménez, ocorrido na semana do GP do Japão de 2026. Outro pai recente do grid, Max Verstappen, declarou que repensa seriamente se compensa para ele passar tempo significativo longe de casa e da família. Resta saber se Alonso pensará parecido ou se conciliar a paternidade com a competição não será um problema.
Atualmente, o espanhol ocupa apenas a 21ª colocação no campeonato de Fórmula 1 de 2026, ainda sem pontuar.
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