Não foi apenas a Ferrari que inovou na concepção da asa traseira. A Alpine aproveitou a maior liberdade proporcionada pelo novo regulamento da Fórmula 1 para o design das partes aerodinâmicas e desenvolveu uma asa que, em vez de criar uma fenda, se contrai para trás quando o Modo Reta está ativado. No entanto, a equipe francesa admite ter preocupações quanto à eficiência da solução.
O diretor técnico da equipe, Steve Nielsen, afirmou que a Alpine está “nervosa” em relação à sua asa traseira inovadora. Entre os motivos está o fato de nenhuma outra equipe do grid ter apostado na mesma estratégia.
Alpine foge do óbvio para tentar superar o péssimo 2025
A temporada 2026 representa uma virada de chave para a Alpine. O retorno de Flavio Briatore a Enstone veio condicionado a uma mudança drástica na operação: a troca do autofornecimento pelos motores Mercedes.
O time chegou ao ponto mais baixo de sua trajetória na Fórmula 1 em 2025. Mesmo diante de projetos independentes e menos tradicionais, ocupou a última posição do campeonato de construtores. Para superar o ano desastroso, mudanças severas precisaram ser feitas, e isso não se resumiu à unidade de potência.
A Alpine apostou em soluções pouco usuais para tentar ascender no pelotão. Exemplo disso é o esquema pull-rod na suspensão dianteira, que, entre as outras equipes, apenas a Cadillac adotou. Mas o que mais chamou a atenção foi a asa traseira, especialmente porque o flap não produz uma fenda — o chamado “slot-gap”, como no antigo DRS —, mas se abaixa para permitir a passagem do ar.

Naturalmente, mudanças radicais de conceito deixam o paddock tanto curioso quanto apreensivo. Em alterações de regulamento, sempre há equipes que fogem do convencional para tentar extrair ganhos de certas brechas, o que nem sempre resulta em sucesso esportivo. O “zero-pod” da Mercedes em 2022 e os bicos alongados adotados por muitas equipes em 2014 são exemplos que não converteram inventividade em ganho de tempo.
Nielsen adota uma postura cautelosa em relação à asa traseira e afirma que os efeitos só serão conhecidos ao longo da temporada. “Quando algo é incomum, não quer dizer que esteja errado, e fizemos isso por nossos próprios motivos. Mas, claro, você pensa: ‘Uau, isso não é igual aos outros’. É uma diferença evidente, mas ainda não sabemos se é a direção certa ou errada”, declarou.
Pré-temporada apresenta indícios positivos
Se a solução encontrada pelos engenheiros da Alpine terá grande impacto, positivo ou negativo, ainda é cedo para afirmar. Mas os sinais deixados pelo time francês nos testes de pré-temporada foram animadores.
A Alpine completou mais de 1000 voltas ao longo das sessões de Barcelona e Sakhir e, de acordo com Nielsen, tem uma base sólida para iniciar a temporada 2026. O carro conta com motores Mercedes, que exploram uma brecha no regulamento em relação às taxas de compressão. Cerca de 0,3s por volta estariam sendo ganhos graças a essa brecha.
A equipe de Enstone é apontada como principal força do meio do pelotão, ao lado da Haas. Nesta fase inicial, espera-se que a Alpine esteja à frente de equipes como Audi, Racing Bulls e Williams, caso os dados da pré-temporada se confirmem.
Em termos de tempo de volta, a dupla Franco Colapinto e Pierre Gasly ficou bem próxima do top-10 no acumulado das duas semanas de testes no Bahrein. No entanto, é importante destacar que números brutos não são tão relevantes nesta altura, já que muitas equipes escondem o jogo, utilizam mapas de motor distintos e cumprem diferentes programas de teste. Isso pode mascarar o desempenho real de cada uma.
(Foto principal: Reprodução / Estadão)


