Ruben Amorim reencontra Manchester United
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Ruben Amorim reencontra Manchester United em um momento diferente; veja o que mudou sob comando de Carrick

O amistoso entre Manchester United e Milan neste sábado (15), que será disputado na Polônia, carrega um simbolismo que vai além de um jogo de pré-temporada. Ruben Amorim reencontra o clube que o demitiu para enfrentar seu sucessor, Michael Carrick.

Há um ano, o cenário era completamente diferente. Marcus Rashford defendia o Barcelona por empréstimo, Carrick havia acabado de ser demitido do Middlesbrough, então na Championship, e Ruben Amorim se preparava para sua primeira temporada completa à frente do Old Trafford. Doze meses depois, os três nomes voltam a se cruzar em circunstâncias diferentes, com Rashford retornando ao clube sob o comando de Carrick, seu ex-companheiro de equipe e capitão, enquanto Amorim tenta encerrar uma pré-temporada sem vitórias à frente do Milan justamente contra o time que ele deixou em janeiro.

As diferenças táticas entre Ruben Amorim e Carrick

A resistência de Ruben Amorim em se adaptar taticamente marcou boa parte de sua passagem conturbada por Old Trafford. Contratado para reverter a crise do clube, o técnico português insistiu no esquema com três zagueiros que já utilizava desde os tempos de Sporting. A rigidez tática, somada a resultados ruins, culminou em sua demissão em janeiro deste ano, depois de 14 meses no cargo, com o Manchester United na sexta posição da Premier League e apenas 17 vitórias em 33 jogos disputados sob seu comando. Problemas parecidos já afetam o início do trabalho de Ruben Amorim em Milão.

Carrick colocou uma identidade oposta desde sua chegada ao Manchester United. Em sua estreia no comando, ainda em um dérbi contra o Manchester City, o técnico deu liberdade ofensiva ao time, que venceu por 2 a 0. Esse estilo mais direto e verticalizado seguiu presente ao longo da pré-temporada, com o reforço Andrey Santos se destacando pela característica de romper linhas com passes para frente, e Mbeumo aproveitando espaços nas costas da defesa adversária. Bruno Fernandes também foi outro beneficiado com a mudança, retornando à posição de número 10, de onde ajudou a construir uma sequência de assistências que igualou o recorde de passes para gol em uma única temporada da Premier League.

Um clima diferente dentro do Manchester United

Além das mudanças táticas, o ambiente em torno do clube também mudou. As falas de Ruben Amorim contribuíram para um clima de pessimismo generalizado entre os torcedores, com discursos sobre tempestades, sofrimento necessário e até a autodescrição do próprio elenco como o pior da história do clube. Mesmo quando o Manchesteter United estava próximo do G-4 no momento de sua demissão, dificilmente isso transparecia pelo discurso ou postura do treinador português.

Foi justamente Carrick quem conduziu o Manchester United à classificação direta para a UEFA Champions League, um objetivo que o próprio Amorim havia dito publicamente que o elenco não estava preparado para alcançar. Para a nova temporada, o otimismo é visível, e jogadores como Leny Yoro e Mbeumo já declararam publicamente o desejo de brigar pelo título da Premier League, sonho que Carrick tem incentivado abertamente junto ao grupo e que o Manchester United não conquista desde 2012/2013.

Um detalhe simbólico dessa mudança de postura foi o próprio comportamento de Carrick fora de campo, incluindo sua presença em jogos das categorias de base do Manchester United, algo que Ruben Amorim nunca fez ao longo de seus 14 meses no comando, reforçando o discurso do técnico de valorizar a conexão entre o time principal e a academia do clube.

Segundas chances no Manchester United

Um dos pontos mais criticados da gestão de Ruben Amorim envolve justamente a forma como ele lidou com jovens talentos e jogadores que não se encaixavam totalmente em seu padrão de jogo. Alejandro Garnacho foi o mais afetado, vendido ao Chelsea antes de ser emprestado ao Aston Villa após uma passagem decepcionante em Londres. Kobbie Mainoo também parecia caminhar para a saída, chegando a ser barrado do time principal e tendo apenas uma titularidade entre dezembro e o início de janeiro, justamente antes da saída de Amorim.

A mudança de comando reverteu por completo essa realidade. Reintegrado por Carrick logo em seu primeiro jogo, contra o próprio Manchester City, Mainoo apresentou atuação de destaque e se tornou peça relevante do elenco ao longo da temporada.

Já o caso de Rashford segue mais indefinido. O atacante nunca teve sua qualidade técnica questionada, mas o desconforto de Amorim com sua conduta o levou a dois empréstimos consecutivos, primeiro ao Aston Villa e depois ao Barcelona, clube pelo qual conquistou o título da La Liga na última temporada. Coube a Carrick reabrir as portas de Old Trafford para o atacante, mostrando confiança em sua capacidade de gerenciar grupos.

Depois de assumir de forma interina e comandar a reta final vitoriosa da temporada passada, Carrick teve seu contrato efetivado por mais duas temporadas, encerrando qualquer dúvida sobre sua permanência no cargo. O amistoso deste sábado contra o Milan, portanto, representa muito mais do que um simples reencontro entre técnico e ex-clube, funcionando como um retrato do quanto o Manchester United mudou de rumo em apenas um ano.

Créditos da foto de capa: Justin Tallis / AFP