Em um jogo muito equilibrado, o Flamengo conseguiu uma vitória suada contra o Corinthians fora de casa, virando a partida por 2 a 1 e disparando na liderança do Brasileirão. Apesar da clara diferença técnica, o que se viu foi um jogo em que o Corinthians foi melhor no primeiro tempo e poderia ter saído com o triunfo. A segunda etapa mostrou ajustes simples, mas fundamentais para o Flamengo crescer no confronto.
Embora a análise imediata seja apontar a qualidade do elenco rubro-negro e dos jogadores que vieram do banco, o que Filipe Luís fez foi além de trocar peças. Ele conseguiu alterar a atitude de uma equipe que estava sendo dominada fisicamente pelo Corinthians e trouxe mudanças táticas importantes para retomar o controle do meio de campo.
Por isso, vamos analisar esse duelo, desde os problemas apresentados pelo Flamengo na etapa inicial até as alterações que garantiram ao time uma vitória essencial no campeonato.
O primeiro tempo: um Flamengo cansado e sem intensidade
A primeira etapa do Corinthians foi praticamente perfeita. Com um meio dominante fisicamente, sobretudo com Breno Bidon e Maycon apoiando Gui Negão, que incomodou os volantes e a defesa do Flamengo, o Timão criou bastante e poderia ter saído com um resultado maior, já que ainda perdeu um pênalti com Yuri Alberto.
Grande parte dessa superioridade se explica pela forma como o Flamengo entrou em campo. O time, acostumado a iniciar com intensidade, recuou e defendeu em bloco médio, que foi sendo empurrado pelo Corinthians à medida que o time de Dorival pressionava. Isso aconteceu porque o Flamengo vinha de jogo duro contra o Estudiantes na quinta-feira e já voltou a campo no domingo contra um rival muito físico.
Além disso, a maior parte dos ataques corintianos saiu pelo lado esquerdo, onde Léo Pereira e Matías Viña tiveram atuação ruim. Léo sofreu com os movimentos de Yuri Alberto, enquanto a parceria de Matheuzinho e Bidon trouxe problemas para Alex Sandro. No entanto, o próprio Matheuzinho também não foi bem, o que ajudou a conter um pouco o perigo.
O segundo tempo: mudança de postura e domínio do meio-campo
Na volta, o Flamengo tentou subir suas linhas, mas sem os ajustes corretos. O resultado foi um time vulnerável às transições corintianas e ao espaço entre meio e defesa. Em uma dessas jogadas, Yuri Alberto recebeu em velocidade, passou por Léo Ortiz e fez o gol que abriu o placar para o Timão.
Depois disso, no entanto, a partida mudou para o Flamengo. Filipe Luís já havia mexido no setor esquerdo, colocando Danilo e Alex Sandro nos lugares de Léo Pereira e Viña, e compactou mais a equipe, impondo novamente sua intensidade e controlando o jogo.
Um dos principais ajustes foi no posicionamento de Saúl. O espanhol, que sofria com a força corintiana, passou a jogar mais recuado, perto da zaga, liberando De La Cruz para atuar como meia de ligação. Com isso, Jorge Carrascal também se beneficiou, já que De La Cruz passou a chegar na área, desestabilizando a linha de três defensores do Corinthians e dando mais espaço ao colombiano.
Com a movimentação de Samuel Lino e Bruno Henrique, Arrascaeta e De La Cruz retomaram o domínio do meio para o Flamengo, com Saúl como âncora defensiva e Carrascal levando a bola da direita para o centro. Assim, com um simples ajuste, o time liberou sua qualidade ofensiva, voltou à intensidade e virou o placar com Luiz Araújo, que saiu do banco.
Filipe Luís reafirma sua qualidade no comando técnico
Embora criticado nas últimas partidas por atuações ruins, Filipe Luís mostrou diante do Corinthians mais uma prova de sua qualidade como treinador. O ajuste em Saúl foi resultado de pura leitura, e sem trocar todo o setor, ele recuperou o comando da partida.
O Flamengo tem elenco superior, mas isso não adianta se não houver um treinador capaz de ler os jogos. Filipe mostrou novamente que sabe fazer isso, e o rubro-negro seguirá competitivo enquanto ele estiver no banco de reservas.
(Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)