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O mistério Ancelotti: por que a Itália nunca chamou seu maior treinador?

O porquê Carlo Ancelotti nunca foi técnico da Seleção Italiana é um dos grandes mistérios recentes do futebol europeu — ainda mais em um momento de crise profunda.

Fora da Copa do Mundo pela terceira vez consecutiva, a Itália vive um colapso esportivo difícil de explicar. E o contraste é inevitável: enquanto a Azzurra afunda, o treinador italiano mais vitorioso da história se prepara para disputar o Mundial no comando da Seleção Brasileira.

Dono de cinco títulos da UEFA Champions League e campeão das principais ligas da Europa, Ancelotti nunca sequer foi procurado pela federação de seu país.

O nome que sempre é ventilado, mas nunca procurado

“A Itália nunca me procurou. Hoje eles têm um grande treinador, meu amigo Luciano Spalletti. O interesse veio do Brasil, e eu estou muito orgulhoso. A história mostra que é a seleção mais forte do mundo.” — revelou o próprio Ancelotti

Nascido em Reggiolo, em 1959, Ancelotti assumiu o Brasil em maio de 2025, com contrato até o fim da Copa do Mundo. O acordo gira em torno de 7,5 milhões de euros, com bônus por título — e já há conversas para estender o vínculo até 2030.

— Acredito que posso renovar por mais quatro anos. É um trabalho que estou gostando muito — disse, em entrevista a Jorge Valdano.

Em meio ao novo fracasso italiano, o nome de Ancelotti voltou à pauta. Ele aparece ao lado de opções como Antonio Conte, Massimiliano Allegri, Roberto Mancini, Stefano Pioli e Simone Inzaghi.

A pergunta é inevitável: chegou a hora?

No papel, até parece. Na prática, o cenário é bem mais complicado.

Tempo contra e projeto definido

O principal obstáculo é o calendário. A federação italiana terá um novo presidente eleito em 22 de junho — e a expectativa é por uma resposta imediata. O novo técnico precisará iniciar o trabalho já no fim do mês, visando a Nations League, em setembro.

Antes disso, um interino — como Silvio Baldini ou Gennaro Gattuso — pode assumir amistosos contra Luxemburgo e Grécia.

Só que há um detalhe óbvio: Ancelotti estará na Copa com o Brasil.

E o desempenho no Mundial pesa diretamente no futuro: Se o Brasil for campeão, a renovação é praticamente automática. Além disso, mesmo sem o título, o cenário ainda aponta para continuidade, já que há alinhamento entre treinador e federação.

Um casamento improvável

Qualquer definição sobre Ancelotti só aconteceria após a Copa — ou seja, no fim de julho. Tarde demais para uma Itália que já perdeu tempo demais.

Para que esse casamento finalmente aconteça, seria necessário um cenário específico: uma campanha frustrante do Brasil e uma aposta ousada da federação italiana em esperar.

Hoje, nada indica isso. A realidade é mais pragmática: a Itália deve optar por um nome disponível imediatamente, enquanto Ancelotti segue escrevendo sua história. Só que longe de casa.

Créditos da foto de capa: Rafael Ribeiro/CBF