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Ancelotti transforma Vini Jr na grande referência da Seleção Brasileira na Copa do Mundo

Vini Jr está vivendo aquela fase em que parece que tudo dá certo. Se antes era visto apenas como um atacante capaz de decidir partidas com velocidade e dribles desconcertantes, agora o camisa 7 da Seleção Brasileira mostra que seu repertório ficou muito maior. Na Copa do Mundo, o brasileiro se consolidou como o principal nome da equipe comandada por Carlo Ancelotti e vem chamando atenção não apenas pelos gols, mas também pela inteligência tática, participação coletiva e entrega sem a bola.

A vitória sobre o Japão foi mais um capítulo dessa evolução. Os asiáticos prepararam um esquema especial para tentar parar o atacante, utilizando praticamente uma marcação dupla durante toda a partida. O problema? Enquanto dois jogadores se preocupavam em fechar os espaços de Vini Jr, outros brasileiros apareciam livres para atacar.

Foi justamente esse tipo de situação que mostrou como o atacante deixou de ser apenas um driblador para se tornar um jogador capaz de influenciar todo o funcionamento ofensivo da Seleção.

Japão tentou parar Vini Jr, mas encontrou um problema maior

O plano japonês fazia sentido no papel.

Sempre que Vini Jr recebia a bola pela esquerda, dois defensores se aproximavam imediatamente. A intenção era impedir que o brasileiro encontrasse espaço para acelerar no um contra um, principal característica que o tornou um dos jogadores mais perigosos do futebol mundial.

Só que a estratégia acabou funcionando apenas parcialmente.

Mesmo quando ficava cercado, Vini conseguia prender a atenção da defesa adversária, abrir espaços para os companheiros e manter a Seleção Brasileira constantemente instalada no campo ofensivo. E quando aparecia uma brecha…

Aí o camisa 7 fazia aquilo que o torcedor já conhece muito bem.

Uma atuação completa, mesmo sem balançar as redes

O gol não saiu, mas isso passou longe de diminuir o tamanho da atuação do brasileiro.

Os números mostram o quanto Vini Jr participou do jogo. O atacante terminou a partida com 90% de aproveitamento nos passes, acertou mais de 70% dos dribles tentados e venceu seis dos onze duelos individuais que disputou.

Mais do que as estatísticas, chamou atenção a maneira como ele controlou o ritmo da partida.

Nem sempre acelerou na primeira oportunidade. Em vários momentos preferiu prender a bola, esperar o movimento dos companheiros e escolher o instante ideal para atacar. É uma maturidade que não era tão evidente nas primeiras temporadas da carreira.

Ainda assim, o lance mais bonito quase terminou em um dos gols mais espetaculares desta Copa do Mundo.

Recebendo a bola longe da área, Vini eliminou o primeiro marcador com um drible entre as pernas logo no domínio, deixou outros defensores para trás e atraiu praticamente toda a linha defensiva japonesa.

Quando todos esperavam uma finalização de pé esquerdo, surpreendeu ao bater de trivela com a direita. O goleiro Suzuki fez uma defesa espetacular e ainda contou com a ajuda da trave para evitar um golaço que certamente entraria para a lista dos mais bonitos do torneio.

Foi uma jogada que resumiu perfeitamente o momento vivido pelo brasileiro: confiança em alta, criatividade e a sensação de que qualquer toque na bola pode terminar em algo especial.

Ancelotti encontrou a melhor versão do brasileiro

Muito dessa transformação passa pelas mãos de Carlo Ancelotti.

Os dois já possuíam uma relação extremamente bem-sucedida nos tempos de Real Madrid, mas o treinador conseguiu transportar essa parceria para a Seleção Brasileira.

Ancelotti criou um contexto em que Vini Jr tem liberdade para circular pelo ataque sem perder a disciplina tática. O atacante participa mais da construção das jogadas, entende melhor quando acelerar ou controlar o ritmo da posse de bola e passou a assumir naturalmente o protagonismo da equipe.

O resultado aparece dentro de campo.

Vini já soma quatro gols na Copa do Mundo, dividindo a vice-artilharia da competição com Erling Haaland, Ousmane Dembélé e outros destaques do torneio. Apenas Lionel Messi, com seis gols, marcou mais até aqui. Mas reduzir sua importância apenas aos números seria injusto.

Hoje, praticamente todas as principais ações ofensivas do Brasil passam pelos pés do camisa 7.

Trabalho psicológico também faz diferença

A evolução de Vini Jr não acontece apenas na parte técnica ou tática.

Internamente, a comissão técnica acredita que o atacante vive também o melhor momento emocional da carreira.

Desde 2024, a psicóloga Marisa Santiago integra o trabalho da Seleção Brasileira, e sua participação ganhou ainda mais importância com a chegada de Ancelotti.

O treinador italiano nunca escondeu que considera o aspecto mental tão importante quanto a preparação física e tática.

Após a vitória sobre o Japão, Ancelotti fez questão de elogiar o trabalho desenvolvido pela profissional.

Segundo o treinador, a equipe entrou em campo mais tranquila, concentrada e serena durante toda a partida, fatores que ajudaram o Brasil a controlar melhor a posse de bola e reduzir os erros ao longo do jogo.

Esse ambiente mais leve também parece refletir diretamente em Vini Jr, que demonstra muito mais confiança para assumir responsabilidades nos momentos decisivos.

O dado que mostra um novo Vini Jr

Existe, porém, uma estatística que talvez represente melhor do que qualquer outra essa transformação.

Durante muito tempo, Vini Jr foi conhecido principalmente pelas arrancadas e pelos dribles.

Agora, também virou referência na pressão sem bola.

O brasileiro aparece entre os 30 jogadores que mais pressionaram adversários em toda a Copa do Mundo, acumulando 92 ações defensivas.

O número impressiona principalmente quando comparado a outros grandes atacantes da competição.

Kylian Mbappé soma 77 ações defensivas, Lionel Messi aparece com 48, Erling Haaland tem 47, Cristiano Ronaldo registra 42 e Lamine Yamal soma apenas 18.

Ou seja, Vini não apenas decide jogos no ataque como também participa ativamente da recuperação da posse de bola.

Contra o Japão, duas jogadas resumiram perfeitamente essa evolução.

Na primeira, perdeu a bola e imediatamente arrancou para recuperá-la antes mesmo que o adversário organizasse o contra-ataque.

Na segunda, talvez ainda mais simbólica, percorreu mais de 60 metros em velocidade máxima para acompanhar um contra-ataque japonês e ajudar a defesa brasileira dentro da própria área.

Foi um lance que não terminou em assistência, gol ou drible plástico.

Talvez nem apareça entre os melhores momentos da partida.

Mas provavelmente foi a jogada que melhor definiu quem Vini Jr se tornou nesta Copa do Mundo: um craque que continua desequilibrando no ataque, mas que hoje entende que liderança também passa por correr, marcar e ajudar a equipe quando a bola está nos pés do adversário. Sob o comando de Carlo Ancelotti, o camisa 7 parece finalmente ter encontrado sua versão mais completa e isso pode ser a melhor notícia possível para a Seleção Brasileira na reta decisiva do Mundial.