Em entrevista concedida nesta sexta-feira (22), o zagueiro André Ramalho comparou seus momentos na Europa com a fase vivida no Corinthians em 2024. Na avaliação do defensor, a pressão foi uma das realidades indiscutíveis da temporada, mas que graças a uma sequência de cinco vitórias, isso pôde ser afastado. O bom momento vivido pelo jogador traz uma expectativa por títulos internacionais, como a Libertadores, como expressou na conversa.
Uma das contratações deste ano, Ramalho foi uma das peças que trouxeram segurança a um setor defensivo, que vivia seus períodos de instabilidade. Com a presença de André, a zaga conseguiu se reestruturar, e assim como o time, vive seu bom momento, e agora tem um novo objetivo: levar o time de Itaquera para a Libertadores.
“Este tem que ser nosso objetivo. No Corinthians, sempre temos que ir com pé no chão, entender a realidade, mas buscar o máximo possível. Nosso máximo possível hoje é a Libertadores. A gente tem condições totais disso”, afirmou o jogador.
“Eram três times acima da gente: Cruzeiro, Vasco e Bahia, os três iríamos jogar contra. O primeiro, ganhamos. Agora temos mais dois confrontos diretos. Ainda temos Criciúma e Grêmio também. Temos que ter esse objetivo em mente, pode ter o G-9, temos que ir o mais alto possível G-7, G-8, isso que temos que almejar. Este tem que ser o objetivo até o fim da temporada”, complementou.
Vitórias consecutivas que não se via desde 2017
O timão obteve em 2024 algo que não conseguia desde 2017, ano em que o clube conquistou o Brasileirão. Na ocasião, as cinco vitórias trouxeram uma disparidade em relação ao segundo colocado e levou o “Bando de Loucos” ao heptacampeonato. Contudo, na atual temporada, essa série de triunfos foi fundamental para que o Corinthians visasse a parte de cima da tabela e mirar mais uma participação na competição apelidada de ‘Glória Eterna’.
“A gente estava quatro pontos do rebaixamento, o Brasileiro não permite relaxamento, ainda mais jogando no Corinthians. Temos que olhar jogo a jogo. Falamos que precisávamos embalar duas ou três vitórias para respirar, que daria tranquilidade para tirar essa pressão” iniciou.
“Tivemos cinco vitórias seguidas e seis sem perder, isso mostra que, quando você consegue consolidar um trabalho, facilita. Não adianta falar de sétimo lugar se não ganhar do Vasco. Se a gente ganhar do Vasco, olhamos próximo jogo. É pé no chão e olhando para o máximo possível de ser alcançado”, completou.
Com 32 anos, o jogador jamais havia vivido um período de tanta pressão na carreira. Com passagens por PSV, Salzburg e Leipzig, o contraste é nítido em relação ao clima de cobranças vivido pela equipe de Parque São Jorge.
“Foi o momento mais difícil (da carreira) pelo contexto. Estou no meu país, e a grandeza do clube e da torcida não se compara. Consequentemente, a pressão não se compara, é algo gigantesco. Não dá para falar, não consegue se blindar de tudo, entendemos o que acontece, e é bom porque evita cair em qualquer sossego, mas faz com o que se torne mais difícil”, avaliou.
“Sabemos da responsabilidade de jogar no Corinthians e viver isso de rebaixamento. Acho que soubemos lidar bem, ter paciência necessária para entender que é um processo e estávamos no processo, que precisávamos ajustar uma coisa ali, um pouco de sorte, e estamos saindo graças a Deus”, celebrou.
O ponto de ruptura do Corinthians
O zagueiro viveu um momento inigualável ao marcar o gol da classificação para as semis da Copa do Brasil, contra o Juventude. Ramalho foi um dos reforços da janela do meio do ano de 2024, e descreveu a chegada de caras novas como fundamental para a virada de chave do Timão.
“Tanto eu quanto os novos jogadores ajudamos nessa nova energia. Estavam sofrendo com essa pressão desde o início do ano, e é bom ter pessoas novas que estavam vivendo outras coisas há pouco tempo. Eu estava de férias, outros com títulos há pouco tempo, isso colabora para dar uma energia tranquila. Precisava de um frescor” argumentou.
“Tem a experiência dos que chegaram, eu, Memphis, Carrillo, Hugo Souza, que tem experiência por ter vivenciado coisas na carreira, não na idade, o Alex Santana. Corinthians estava precisando recuperar lideranças para redirecionar o time, pois saíram Renato Augusto, Paulinho, Cássio, Fábio Santos e outros. Ficou um grupo jovem, com qualidade, mas jovem” complementou.
Em busca de mais momentos vitoriosos e taças pelo Corinthians
Para André Ramalho, o segredo para a virada de jogo foi de manter o discurso confiante e de “não relaxar”. Nesse sentido, o elenco abraçou a filosofia e que consolidam a mudança do Timão na temporada. O zagueiro menciona que o clube, de todos que já jogou, é o maior, mas acrescenta que a ausência de títulos é uma realidade a ser mudada pela equipe.
“Faltam títulos pelo Corinthians, todos possíveis. De tradição e história, é o maior que joguei. Vim para cá não só para tirar que estávamos, que a gente vem conseguindo, mas por coisas maiores. Temos que ter pés no chão, entender que leva tempo o processo, mas que vem sendo realizado. Estamos conseguindo mostrar nossa cara e mostrar a ambição do Corinthians de brigar pelo topo. Esperamos no ano que vem desde o início brigar por títulos, quem quer estar no Corinthians tem que querer ganhar títulos e fazer de tudo”, encerrou.
A relação entre Ramalho e Memphis
Com experiência na bagagem, assim como o conhecimento de outros idiomas, André Ramalho é um dos que mais se comunica com o astro Memphis Depay. Fluente no inglês, o zagueiro comenta que jogar ao lado do holandês é algo encantador e que isso pode render muitos frutos ao Corinthians.
“Tem os momentos dele, conta as histórias dele, eu as minhas, aquela resenha normal. Engraçado ver jogadores que não falam inglês tentando falar com ele, falam algo errado, na resenha a gente brinca, e ele também tem aprendido português. É legal essa mistura de culturas, algo interessante que o futebol proporciona. Qualidade em si. Boa mentalidade, sabe, passou por clubes grandes, mentalidade vencedora. A qualidade por si só todo mundo vê, ele tem mais a oferecer para a gente, ele mesmo sabe disso. É uma qualidade absurda de entender o jogo, de segurar a bola, posicionamento, chute, é um cara que está agregando e vai agregar muito mais ainda”, afirmou.
A agenda do Timão para finalizar o ano
André estará em ação no próximo compromisso do Corinthians nessa reta final do Brasileirão. Como exposto pelo jogador, o próximo objetivo é conquistar uma vaga na próxima edição da Libertadores. Para alcançar o feito, o Timão terá que superar o Vasco, no domingo (24), às 16h (horário de Brasília), na Neo Química Arena.
O time comandado por Ramón Díaz está na 9ª colocação do Campeonato Brasileiro com 44 pontos, três pontos atrás do Cruzeiro, que ocupa a 7ª posição, e é o primeiro time dentro da zona de classificação para a competição internacional. Além disso, o Corinthians torce para que o Cabuloso conquiste a Copa Sul-Americana neste sábado (23), para assim abrir mais uma vaga para a Libertadores.
(Foto: Rodrigo Coca / Ag Corinthians)