A eliminação diante do Vitória, nas oitavas da Copa do Brasil, alterou o panorama da temporada do Athletico-PR. O torneio de eliminação simples era considerado internamente como uma das maneiras mais promissoras de garantir um título nacional e uma vaga direta na Libertadores de 2027. Com a eliminação, o Furacão agora direciona todas as suas energias para o Campeonato Brasileiro, onde vem realizando uma campanha consistente, mas ainda longe do favoritismo mostrado por times como Flamengo e Palmeiras.
É um momento que pede equilíbrio. O Athletico chega ao returno brigando na parte de cima da tabela da Série A, fruto de uma campanha regular e de um estilo de jogo bem definido com Odair Hellmann no comando. Por outro lado, a eliminação revela que o pragmatismo que tem dado certo no formato de pontos corridos não é suficiente em partidas eliminatórias, onde até mesmo os menores deslizes podem ter um alto custo.
A identidade permanece, mas agora sem margem para erros

Desde que começou a treinar a equipe, Odair Hellmann formou um Athletico que se destaca pela sua solidez defensiva, competitividade e pela capacidade de se igualar a qualquer rival em termos de equilíbrio em suas partidas. O treinador nunca escondeu que o que busca é consistência e vive repetindo que o time precisa “se impor” independentemente do rival, sempre priorizando a evolução coletiva em relação ao resultado do dia. Antes das oitavas da Copa do Brasil, ele chegou a caracterizar o duelo contra o Vitória como “a Copa do Mundo” da equipe, evidenciando a importância que o torneio tinha nos planos do clube.
O próprio treinador, ao longo da temporada, também reconheceu que o sistema ainda tem suas limitações no ataque. Depois da classificação diante do Atlético-GO, na fase anterior, Odair reconheceu que o Athletico teve um desempenho técnico aquém do esperado e que a solidez defensiva garantiu a vaga. O discurso revelava uma inquietação que se repetiria nas oitavas: a dificuldade de converter organização em produção ofensiva sólida.
Isso ajuda a entender por que o Furacão é capaz de se manter na luta dentro da Série A, mas teve dificuldades em momentos decisivos para garantir uma vaga em mata-matas. A equipe ainda é complicada de ser derrotada, mas ainda produz menos do que outros rivais diretos na parte superior da tabela.
O Brasileirão vira prioridade absoluta

Sem Copa do Brasil, o calendário ganha uma vantagem importante: tempo para treinar e recuperar jogadores. Em um campeonato de pontos corridos, semanas livres costumam representar um diferencial, principalmente para equipes que não possuem o mesmo poder de investimento dos principais favoritos.
Nesse aspecto, a eliminação pode produzir um efeito semelhante ao observado em outras campanhas bem-sucedidas de Odair Hellmann. Em 2018, pelo Internacional, o treinador conduziu uma equipe extremamente organizada ao G4 do Brasileirão apostando justamente na regularidade, na força defensiva e na competitividade. Agora, tenta repetir a fórmula em Curitiba.
Por outro lado, o desafio aumenta porque o Athletico deixa de ter margem para oscilações. Qualquer sequência negativa pode afastar rapidamente a equipe da disputa pelas primeiras posições, especialmente diante da força dos concorrentes que brigam pelo título.
Além disso, o clube perde a possibilidade de buscar um troféu em um torneio de mata-mata, cenário em que frequentemente construiu sua identidade nas últimas temporadas. Toda a pressão passa a recair sobre a campanha no Brasileirão.
Sonho possível ou objetivo passa a ser a Libertadores?
A campanha construída até aqui mostra que o Athletico reúne argumentos para permanecer na parte de cima da tabela. O sistema defensivo continua entre os mais consistentes da competição, Kevin Viveros vive boa temporada e o trabalho de Odair Hellmann consolidou uma identidade competitiva que faz o time raramente ser dominado pelos adversários.
Entretanto, a eliminação da Copa do Brasil também reforça os limites atuais do elenco. O Furacão ainda depende de um aproveitamento muito alto das poucas oportunidades que cria e, quando precisa assumir o protagonismo, encontra dificuldades para acelerar o ritmo das partidas. Em um campeonato longo, essas limitações costumam aparecer com mais frequência.
Por isso, embora o título brasileiro ainda seja matematicamente possível, ele depende de uma combinação de fatores: manutenção da regularidade, tropeços dos concorrentes diretos e uma evolução ofensiva que ainda não apareceu de forma consistente ao longo da temporada.
O cenário mais realista, neste momento, é que o Athletico transforme a frustração da eliminação em combustível para consolidar uma campanha entre os primeiros colocados e garantir uma vaga direta na Libertadores. Se conseguir manter o nível competitivo apresentado até aqui, o Furacão continuará vivo na briga pelo topo. Mas, para transformar um sonho distante em realidade, precisará provar que seu jogo pragmático também consegue vencer quando a margem de erro desaparece.
Créditos da foto de capa: Walmir Cirne/AGIF



