Mario Andretti Cadillac
Automobilismo Fórmula 1

Andretti quer Cadillac no ‘top-10 ou melhor’ em 2026, mas esbarra na realidade

A Cadillac, equipe caçula da Fórmula 1, apostou alto em sua entrada na categoria. Após uma longa novela de negociações para obter aprovação e uma intensa campanha de divulgação do novo carro, a equipe americana finalmente estreou na pista. Os resultados iniciais confirmaram as expectativas, com o MAC-26 ocupando as últimas posições do grid, mas Mario Andretti, campeão mundial em 1976 e membro do conselho da equipe, mantém metas ambiciosas para 2026.

Em entrevista ao podcast ‘Drive to Wynn’, Andretti manteve postura otimista diante da temporada de estreia da Cadillac e afirmou que quer ver a equipe no top-10 ainda neste ano. Ele destacou a evolução apresentada no GP da China em relação à primeira corrida, na Austrália, mas o fato é que a dupla Sergio Pérez e Valtteri Bottas ainda está muito distante da zona de pontos.

A estreia da equipe está dentro do esperado para uma novata na Fórmula 1, com menos problemas do que algumas rivais mais experientes, como Aston Martin e Williams. Ainda assim, almejar pontos antes de 2027, em condições normais de corrida, parece ignorar que a Cadillac tem, neste momento, o conjunto mais lento do pelotão.

Expectativas de Andretti colidem com fraco desempenho

Cadillac Fórmula 1
Foto: Giuseppe Cacace/AFP via Getty Images

O ex-piloto destacou pontos positivos da segunda etapa da temporada, em Xangai, no último fim de semana, como a redução da desvantagem na classificação de cerca de quatro para aproximadamente dois segundos em relação ao pole position, considerando o melhor carro da Cadillac.

Ele admitiu que a distância para os rivais ainda é grande, mas projetou um restante de temporada otimista para o time, mesmo que a ideia de pontuar, no momento, soe distante da realidade.

“Vamos ser honestos: perto do fim do campeonato, você gostaria de pensar que talvez possa começar a disputar consistentemente posições no top 10, talvez até melhor. Então, é preciso pensar grande. Mas, sinceramente, sempre fiz isso, até mesmo ao ponto de ser ridicularizado”, declarou.

Na prática, porém, a mentalidade positiva de Andretti parece distante de um cenário provável ao se levar em conta tanto o histórico de novas equipes quanto as dificuldades já enfrentadas pela Cadillac.

Quando se observa a rival mais próxima, a Aston Martin, a distância pode até parecer curta — Bottas superou Lance Stroll nos treinos da China —, mas é preciso considerar que o atual ritmo da equipe britânica não reflete seu potencial completo. Os problemas de vibração na bateria do AMR26 têm limitado não apenas a performance, mas também a dirigibilidade do conjunto e, assim que a Honda solucionar a questão, a tendência é de aumento na diferença.

Situação semelhante ocorre com outra adversária do fundo do pelotão. A Williams conta com uma das duplas mais sólidas da Fórmula 1, formada por Alexander Albon e Carlos Sainz Jr., além de utilizar motores Mercedes, apontados como os mais fortes da temporada. Ainda assim, o sobrepeso de cerca de 20 kg tem prejudicado o desempenho do FW48.

Em um cenário em que essas equipes consigam corrigir seus problemas, a Cadillac tende a permanecer na última posição do grid. Isso porque, enquanto Aston Martin e Williams buscam uma correção de rota, a equipe do grupo General Motors ainda tenta se encontrar na categoria como uma estrutura inexperiente.

No passado recente da categoria, a Haas foi a última a estrear na Fórmula 1 como uma nova estrutura, embora tenha tido suporte significativo da Dallara e da Ferrari na composição do conjunto VF-16. A estreia da equipe, que também é dos EUA, surpreendeu com pontos logo na estreia. Porém, antes da Haas, as chamadas “três nanicas” — Caterham (antes Lotus Racing/Team Lotus), Hispania e Manor (que também se chamou Virgin e Marussia) — tiveram vida curta na categoria e, juntas, somaram apenas três pontos, todos marcados pela última delas.

Cadillac dependeria de corrida atípica para pontuar

Ao considerar a atual relação de forças do grid, seria necessária uma corrida fora do padrão para que a Cadillac alcançasse o top-10. O GP da China foi um exemplo atípico, com apenas 15 dos 22 carros inscritos completando a prova.

O problema é que, em cenários assim, são justamente as equipes do fundo do pelotão, geralmente menos confiáveis, que acabam mais suscetíveis a abandonos. Falhas de sistema, quebras e incidentes tendem a ocorrer com maior frequência em estruturas ainda frágeis.

Não se pode descartar a repetição de corridas desse tipo em 2026, já que muitas equipes ainda lidam com os detalhes do novo regulamento, inclusive entre as principais. Ainda assim, para que um cenário assim beneficie a Cadillac, a equipe precisaria evoluir tanto em desempenho quanto em confiabilidade.

O conjunto MAC-26 — nomeado assim em homenagem a Andretti —, equipado com motor Ferrari, terminou na última posição na Austrália, com Pérez a três voltas do líder, e repetiu o resultado em Xangai, desta vez a uma volta. No campeonato de construtores, a Cadillac é uma das duas únicas equipes que ainda não pontuaram na temporada, ao lado da Aston Martin.

(Foto principal: Alexander Trienitz)