O longo tempo necessário para preparar os motores de 2026 da Fórmula 1 para as largadas é uma das grandes dores de cabeça trazidas pelo novo regulamento. De acordo com Fréderic Vasseur, chefe da Ferrari, a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) foi alertada pela escuderia há cerca de um ano e ignorou a questão. Agora, a entidade prepara uma mudança no procedimento já para o GP da Austrália.
A saída do MGU-H, que alimentava o turbocompressor e eliminava o turbo lag — tempo ocioso entre o acionamento do acelerador e a entrega da potência —, é a principal causa dos problemas com as largadas em 2026.
Com isso, os pilotos estão se vendo obrigados a subir a rotação do motor por um período de 10 a 20 segundos antes de largar, tempo consideravelmente longo e que gerou preocupações sobre a segurança do início das provas.
O maior temor é que os carros caiam em anti-stall (sistema que força o veículo a cair em ponto morto, impedindo que o motor se apague) e fiquem parados quando as luzes vermelhas se apagarem, com risco de serem atingidos pelos adversários que vierem atrás.
Ferrari avisou FIA sobre a questão um ano atrás

Vasseur afirmou que a Ferrari alertou a entidade máxima do automobilismo sobre eventuais problemas com as largadas no início de 2025. “Todo mundo sabia que, sem o MGU-H, [a largada] seria uma fase complicada do fim de semana”, contou.
A FIA ignorou os indícios e seguiu firme com o planejamento do regulamento de 2026. Somente agora, com o campeonato prestes a começar, o tema passou a ser debatido e propostas de solução foram apresentadas.
A visão antecipada do problema rendeu bons frutos à equipe de Maranello. Com um turbo menor que o das rivais, a Ferrari parece ser a única unidade de potência do grid que não está sofrendo, ao menos em níveis tão significativos, com as saídas.
Em um dos treinos realizados durante a pré-temporada, Lewis Hamilton pôde ser visto ultrapassando dez carros nos metros iniciais, indo de 11º para primeiro. Em um regulamento que os próprios competidores temem que tornará as ultrapassagens um grande desafio, ganhar posições dessa maneira pode ser um trunfo relevante para a Ferrari.
Novo procedimento de largada será introduzido
Após pressão por parte dos pilotos e escuderias, e temendo uma catástrofe logo no início da primeira corrida, a FIA testou um procedimento de largada diferente, que dá mais tempo aos pilotos para prepararem o turbo antes de partirem. O formato foi utilizado na segunda semana de testes no Bahrein e, ao que tudo indica, agradou.
A solução consiste em um indicador de pré-largada, que pisca em azul por cinco segundos assim que o último colocado se alinha no grid, antes das tradicionais cinco luzes vermelhas que antecedem o início da corrida.
Vasseur elogiou o procedimento e afirmou que as demais equipes também ficaram satisfeitas. “Todos achamos que é seguro e vamos continuar assim. Se alguém não estiver convencido, pode sempre largar do pit lane, caso não se sinta seguro”, ironizou o dirigente da Ferrari.
Asas móveis deverão ser proibidas na largada

Outra questão pendente é a utilização do “modo reta”. Se antes a asa traseira se abria somente com a ativação do DRS (Sistema de Redução de Arrasto, projetado para auxiliar em ultrapassagens), quando o carro da frente estava a menos de 1s de distância, em 2026 isso mudou.
A aerodinâmica ativa agora inclui também a asa dianteira e poderá ser acionada em pontos específicos do circuito durante toda a prova. A função tem como objetivo aprimorar a eficiência da parte elétrica da unidade de potência, cuja força é 50% produzida por baterias que se recarregam nas frenagens.
Um dos trechos de ativação costuma ser a reta principal, e o regulamento permitiria que os carros largassem com o modo ativado, o que possibilitaria uma aceleração mais agressiva.
Porém, as 11 equipes do grid concordaram em limitar o uso da aerodinâmica ativa no momento da largada por questões de segurança. Embora ainda não haja uma ratificação oficial da FIA, o chefe da McLaren, Andrea Stella, afirmou que o pelotão chegou a um consenso na não-utilização.
(Foto principal: Red Bull Content Pool)


