A Arábia Saudita contou com um alto crescimento em sua liga de futebol depois das inúmeras movimentações do futebol europeu em direção ao continente asiático. Ao contar inicialmente com Cristiano Ronaldo para dar início a esse novo cenário da competição, outros jogadores resolveram repetir os passos do português, muito por conta das propostas milionárias oferecidas para esses profissionais “enriquecerem” o campeonato, mais no quesito qualidade.
A questão é que, normalmente, a Arábia Saudita é vista como um destino para encerrar a trajetória, os últimos passos na carreira. No caso de CR7, o ex-Real Madrid e Manchester United já possui 40 anos, e essa transferência ocorreu com outros vieses: além de vender camisas e atrair mais torcedores para o Al-Nassr, o camisa 7 ainda foi capaz de entregar um excelente nível, sem sofrer com lesões recorrentes, como foi o caso de Neymar no Al-Hilal.
Para ir contra esse paradigma de que apenas atletas experientes se transferem para o continente asiático, Sergej Milinković-Savić, que vivia um grande momento na Lazio, se transferiu para o Al-Hilal. O mesmo ocorreu com Marcos Leonardo: depois de ter começado a brilhar no Benfica, de Portugal, o técnico Jorge Jesus logo pediu a contratação do atacante brasileiro. Desde então, o menino da Vila Belmiro tem feito sucesso no país.
É possível citar inúmeros outros profissionais, mas, neste texto, colocaremos em pauta os nomes que não se satisfizeram na Arábia Saudita. Apesar do dinheiro ter sido interessante, continuaram visando a oportunidade de alçar voos mais altos, de manter a competitividade ao seu lado, seja retornando para a Europa ou para outro lugar no mundo.
Tudo começou em 2023, quando ocorreu a primeira onda coletiva de reforços no país. Alguns continuaram por lá, outros já seguiram novos caminhos. O dinheiro era tanto, que atuar por apenas seis meses ainda valia a pena para os profissionais, o que acabou sendo a escolha de muitos deles.
Arábia Saudita e seus 5 insatisfeitos com a realidade
1. Jhon Durán, ex-companheiro de Cristiano Ronaldo

O atacante Jhon Durán não foi um dos primeiros a conhecer o mundo da Arábia Saudita, dá até para citá-lo como uma das últimas peças, que hoje já não se apresentam mais no país. O colombiano fez parte de uma movimentação inesperada do Al-Nassr, que girou na casa dos €77 milhões, com cláusulas que podem elevar o total para até €90 milhões em bônus.
O atleta, de 21 anos, fechou um contrato de cinco anos e meio com o Al‑Nassr, com salário anual estimado em £16,7 milhões livres de impostos (cerca de €20 milhões por ano). Em outras palavras: aproximadamente £320.000 por semana, £46.000 por dia ou £1.900 por hora. Agora, o jogador se encontra emprestado pelo time da Arábia Saudita ao Fenerbahçe, da Turquia, hoje comandado pelo experiente treinador José Mourinho.
2. Jordan Henderson, ex-Liverpool foi jogar no time de Gerrard

Na época, vários times contavam com nomes interessantes para a história do futebol. Neste caso, Jordan Henderson deixou o Liverpool para se reencontrar com Steven Gerrard, mas com o lendário volante num papel diferente na Arábia Saudita, como treinador. Essa decisão rendeu ao antigo camisa 14 dos Reds um contrato de £700 mil por semana, aproximadamente £350 mil a mais que seu salário na época no Liverpool, que girava em torno de £200 mil por semana.
Só que não durou muito tempo, apenas seis meses. Henderson sentiu a diferença no nível e na competitividade do futebol asiático. Por ser um jogador mais experiente e não ter o vigor físico como um dos seus principais atributos, decidiu não perder tempo, negociando uma rescisão. Seu próximo passo foi no Ajax, com quem atuou por um tempo, mas já marcou seu retorno à Premier League.
3. Gabri Veiga, criticado por Toni Kroos pela sua decisão

Gabri Veiga faz parte dos jovens nomes que decidiram viver a realidade da Arábia Saudita, mas não passou impune às opiniões alheias. “Alheias” é até forte demais, porque estamos falando de ninguém menos que Toni Kroos, que demonstrou certo desapontamento com a decisão do meio-campista, que era visado por Manchester City, Chelsea, Napoli e outros times da Europa.
No Al-Ahli, o jogador contava com um salário líquido de €12 milhões por ano, simplesmente €230 mil por semana. Apesar de viver esse ótimo momento na questão financeira, Veiga logo demonstrou interesse em retornar ao cenário europeu, deixando claro que aceitaria uma redução salarial de até 90% para isso. Hoje, ele se encontra no Porto, de Portugal, com seus 23 anos de idade.
4. Aubameyang, fez chover numa temporada e ficou satisfeito

Esse nome fez valer seus momentos na Arábia Saudita. Tem certas situações que podem ser vistas como um trampolim, e o gabonês fez isso. Aubameyang foi contratado pelo Al‑Qadsiah. Em 36 jogos por todas as competições, anotou 21 gols e 3 assistências, incluindo 17 gols em 32 partidas de liga. Terminou a temporada em quarto lugar e ainda chegou à final da King’s Cup, mas foi derrotado pelo poderoso Al-Ittihad.
Aubameyang se transferiu para a Arábia Saudita em julho de 2024, com um contrato de duas temporadas e salário anual estimado entre €15 milhões e €20 milhões. Algumas fontes apontam para o valor médio de €20 milhões por ano, cifra facilmente aceita por um jogador de seu perfil e experiência. Mesmo com a fortuna em mãos, não quis continuar no continente e já tem conversas para retornar ao Olympique de Marseille.
5. Neymar, fez grana sem jogar e meteu o pé

Para fechar essa lista de atletas que receberam suas boladas e depois se despediram do futebol asiático, não podemos deixar Neymar de fora. O camisa 10 da Seleção Brasileira estava deixando o Paris Saint-Germain, e apesar de querer competir em alto nível, não havia interessados em pagar os valores exigidos pelos parisienses — além do Al-Hilal, de Jorge Jesus.
O técnico português já estava fazendo chover na Arábia Saudita com as peças que possuía. Com a estrela brasileira, dava para considerar que o domínio seria ainda maior. A questão é que o ex-técnico do Flamengo conseguiu fazer o que queria na competição sem precisar do seu camisa 10, seu reforço mais badalado pelo simples fato de o jogador não ter condições físicas para tal. Então, Ney apenas recebeu seus milhões e, depois, rumou ao Santos.
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