Diego Maradona, Argentina, Copa do Mundo 1986
Futebol Copa do Mundo

Argentina na Copa do Mundo: os 5 momentos que moldaram a história da Albiceleste

Poucas seleções possuem uma relação tão intensa com a Copa do Mundo quanto a Argentina. Tricampeã mundial, dona de alguns dos maiores jogadores da história e protagonista de capítulos inesquecíveis — para o bem e para o mal —, a Albiceleste ajudou a moldar o torneio ao longo de quase um século.

A história argentina nas Copas vai muito além dos títulos conquistados em 1978, 1986 e 2022. Ela também é marcada por derrotas dolorosas, decisões ousadas, personagens lendários e momentos que atravessaram gerações.

Selecionar apenas cinco episódios não é uma tarefa simples. Afinal, ficaram de fora acontecimentos memoráveis como o golaço coletivo finalizado por Esteban Cambiasso em 2006 ou a participação decisiva de Diego Simeone na expulsão de David Beckham em 1998. Ainda assim, alguns capítulos se destacam por simbolizar diferentes fases da construção da identidade argentina no maior torneio do futebol.

1 – O quase de Stábile na primeira Copa (1930)

Foto: Divulgação/AFP via Getty Images
Guillermo Stábile, Argentina. Foto: Divulgação/AFP via Getty Images

 

A Argentina esteve muito perto de se tornar a primeira campeã mundial da história.

Na final da Copa de 1930, em Montevidéu, a Albiceleste chegou a abrir vantagem, mas viu o Uruguai virar o jogo. Perdendo por 3 a 2 na reta final, Guillermo Stábile — artilheiro daquele Mundial e principal estrela argentina — acertou o travessão em uma das últimas grandes chances da partida.

Pouco depois, Héctor Castro marcou o quarto gol uruguaio e decretou o título dos donos da casa.

O lance de Stábile ganhou um significado que ultrapassou aquela decisão. Durante décadas, simbolizou uma Argentina talentosa e competitiva, mas que frequentemente esbarrava em pequenos detalhes nos momentos decisivos.

2 – A goleada da Holanda que mudou o rumo do futebol argentino (1974)

Argentina x Holanda 1978, Copa do Mundo. Foto: Reprodução/Futebol Portenho
Argentina x Holanda 1978, Copa do Mundo. Foto: Reprodução/Futebol Portenho

 

A Copa de 1974 representou um choque de realidade para a Argentina.

Após avançar à segunda fase, a seleção foi atropelada pela Holanda de Johan Cruyff por 4 a 0. Mais do que uma derrota, o confronto evidenciou a distância entre o futebol argentino e as principais referências táticas da época.

O impacto foi tão grande que provocou mudanças profundas na estrutura do futebol do país.

Após o Mundial, David Bracuto assumiu a presidência da AFA e César Luis Menotti foi escolhido para comandar a seleção. O treinador implantou um projeto de longo prazo e passou a trabalhar uma nova identidade para a Albiceleste.

O resultado apareceu apenas quatro anos depois, mas a semente do sucesso argentino nasceu justamente daquela derrota humilhante para os holandeses.

3 – A decisão que parecia loucura: deixar Maradona fora (1978)

Maradona, Argentina. Foto: Reprodução/AFA
Maradona, Argentina. Foto: Reprodução/AFA

 

Toda grande conquista costuma ser acompanhada por uma escolha corajosa. No caso da Argentina em 1978, ela veio antes mesmo da bola rolar.

César Luis Menotti decidiu não convocar Diego Maradona para a Copa disputada em solo argentino. O craque tinha apenas 17 anos e já era tratado como fenômeno, o que tornou a decisão alvo de críticas da imprensa e da torcida.

Menotti, porém, acreditava que o jovem ainda não estava preparado para suportar a pressão de um Mundial disputado em casa. A aposta foi em um elenco mais experiente — e funcionou. Liderada por Mario Kempes, artilheiro da competição, a Argentina conquistou seu primeiro título mundial.

Com o passar dos anos, a ausência de Maradona virou uma das decisões mais emblemáticas da história das Copas. E também uma prova de que, às vezes, o treinador realmente enxerga algo que os demais ainda não conseguem ver.

4 – A “Mão de Deus” e o “Gol do Século” (1986)

Argentina x Inglaterra, Copa do Mundo 1986. Foto: Reprodução/TV
Argentina x Inglaterra, Copa do Mundo 1986. Foto: Reprodução/TV

 

Se existe um jogo capaz de resumir Diego Maradona, ele aconteceu no dia 22 de junho de 1986. Nas quartas de final contra a Inglaterra, o camisa 10 protagonizou dois dos momentos mais famosos da história do futebol — separados por apenas quatro minutos.

Primeiro, abriu o placar usando a mão para superar Peter Shilton. O lance, validado pela arbitragem, ficaria eternizado como a “Mão de Deus”.

Logo depois, veio a obra-prima. Maradona recebeu a bola ainda no campo de defesa, driblou praticamente metade da equipe inglesa e marcou aquele que seria eleito posteriormente como o “Gol do Século”.

Um gol nasceu da malandragem. O outro, do puro talento.

Juntos, os dois lances transformaram aquela partida em um dos capítulos mais icônicos da história das Copas e consolidaram Maradona como o grande protagonista do Mundial conquistado pela Argentina.

5 – A defesa que entregou a taça para Messi (2022)

Dibu Martínez, Copa do Mundo 2022. Foto: Reprodução/Instagram @emi_martinez26
Dibu Martínez, Copa do Mundo 2022. Foto: Reprodução/Instagram @emi_martinez26

 

A Copa do Mundo de 2022 ficará para sempre associada à consagração de Lionel Messi. Mas a história poderia ter terminado de maneira completamente diferente sem Emiliano Martínez.

Na final contra a França, aos 123 minutos de jogo, Randal Kolo Muani apareceu cara a cara com o goleiro argentino. O atacante francês finalizou forte e parecia destinado a marcar o gol do título. Martínez, porém, reagiu de forma espetacular e bloqueou a finalização com a perna esquerda.

Foi uma defesa que valeu tanto quanto um gol. A intervenção levou a decisão para os pênaltis, onde o goleiro voltou a ser decisivo ao defender a cobrança de Kingsley Coman e ajudar a Argentina a conquistar sua terceira Copa do Mundo.

A imagem de Martínez salvando a seleção nos segundos finais já ocupa um lugar de destaque na galeria dos grandes momentos da história argentina no torneio.

Uma história construída por gênios e decisões marcantes

Da trave de Stábile em 1930 à defesa milagrosa de Emiliano Martínez em 2022, a trajetória da Argentina na Copa do Mundo foi construída por episódios que transcendem resultados. São momentos que ajudaram a moldar a identidade de uma seleção acostumada a viver entre a genialidade e o drama, entre a glória e a controvérsia.

Talvez seja justamente por isso que a história da Albiceleste em Copas continue sendo uma das mais fascinantes do futebol mundial.

Créditos da foto de capa: Reprodução/Agência Estado