Liverpool Arne Slot
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Arne Slot está realmente pressionado no Liverpool?

Arne Slot deu um leve sorriso quando admitiu que esta é, “de longe”, a temporada mais difícil da sua carreira. E olha que o homem chegou em Anfield colocando o pé na porta: campeão da Premier League logo no primeiro ano. Só que, como todo mundo que já viveu o famoso “segundo ano depois do título” sabe, manter-se no topo é outra história.

A pergunta que ronda Liverpool hoje é simples e direta: Slot está pressionado? Tem chances de ser demitido em breve? A resposta, como quase tudo no futebol, não é tão preto no branco.

Os números não ajudam (e Roy Keane não perdoa)

Vamos começar pelo que dói: os números. Daquilo que é impossível fugir, porque é basicamente para sempre.

Depois de vencer os cinco primeiros jogos da Premier League nesta temporada, o Liverpool somou apenas 24 pontos nos 20 jogos seguintes. Para efeito de comparação (e aqui o torcedor mais antigo já começa a suar frio), Roy Hodgson conquistou 25 pontos em 20 partidas antes de ser demitido em 2010-11.

Em 2026, o cenário ficou ainda mais indigesto: apenas uma vitória em sete jogos de liga. Em determinado momento da temporada, foram nove derrotas em 12 partidas, a pior sequência do clube em 71 anos. Setenta e um. Simplesmente um número assustador, ainda mais para alguém que voltou de um título.

Roy Keane, sem papas na língua, cravou na Sky Sports: “Eles têm sido campeões muito ruins”. Quando Keane fala, não é exatamente um elogio disfarçado. É mais uma chacoalhada na cabeça dos atletas.

E, convenhamos, para um time que investiu cerca de £450 milhões no verão, a cobrança é natural, contrataram mais para contar com um elenco melhor, na intenção de ir em busca da Champions League, mas também, queriam brigar pelo campeonato nacional novamente. O próprio Slot já admitiu: ficar fora da Champions League não seria aceitável.

Arne Slot ainda tem crédito

Agora vem o outro lado da moeda.

Arne Slot não é qualquer treinador. Desde 2017-18, apenas três técnicos conquistaram a Premier League: Pep Guardiola, Jurgen Klopp e… Arne Slot. Estar nessa prateleira não é pouca coisa, ainda mais em sua primeira aparição na Inglaterra.

E há precedentes em Anfield. Em 2020-21, na temporada seguinte ao título sob Klopp, o Liverpool estava apenas em oitavo após 28 jogos. Mesmo assim, o clube manteve confiança no alemão. O resultado? 26 pontos nos últimos 30 possíveis e uma arrancada até o terceiro lugar.

Ou seja: em Liverpool, tradição não é sair apertando botão vermelho na primeira turbulência. Não dá para se agarrar em cenários antigos, mas também, é um ponto interessante para continuar confiando no holandês.

Internamente, a diretoria segue apoiando Slot, ao menos até o fim da temporada. Um vídeo recente com o técnico, o diretor esportivo Richard Hughes e o CEO Billy Hogan mostrou sintonia e alinhamento. Hughes, inclusive, foi peça-chave na contratação do holandês. Demiti-lo agora seria praticamente admitir erro estratégico poucos meses depois.

Vaias em Anfield e a pressão invisível

Mas o futebol não vive só de bastidores. Em campo, o clima mudou. Depois de terem iniciado a temporada bem abaixo, melhoraram o nível, só que se encontram perdidos novamente.

As vaias em Anfield não são rotina, ou pelo menos não eram. Nesta temporada, começaram a aparecer com mais frequência, existe uma insatisfação enorme do público, porque era esperado algo muito melhor, com Florian Wirtz, Alexander Isak e entre outros nomes interessantíssimos. E mesmo sendo descrito como calmo, consistente e centrado, Slot deixou escapar que é “difícil ouvir” críticas de que o futebol do Liverpool está “sem graça”.

Para um treinador que construiu a carreira com base em identidade ofensiva e intensidade, esse tipo de comentário atinge. Ele insiste que o time pode fazer “algo especial”. Mas, olhando para oito derrotas e seis empates em 25 jogos, a ideia de que o Liverpool só foi “dominando em três tempos na temporada” soa otimista demais.

O contexto que ninguém pode ignorar

Há também fatores que vão além do campo, são difíceis de receberem o apoio devido, mas contam com essa necessidade de atenção.

A morte trágica de Diogo Jota no último verão abalou profundamente o elenco. Caoimhín Kelleher chegou a dizer que, diante do que aconteceu, o futebol se tornou secundário por um período. Arne Slot revelou que a reunião com o elenco após o funeral foi um dos momentos mais difíceis da sua vida.

Ninguém usa isso como desculpa. Mas é impossível fingir que não teve impacto.

Além disso, o time enfrentou uma crise de lesões, incluindo ausências longas de Giovanni Leoni, Conor Bradley e Alexander Isak, enquanto passava por uma transição de elenco. A nova estratégia prioriza jogadores mais técnicos, com foco em posse de bola e controle, apostando que o futuro do jogo caminhará mais nessa direção do que na força física pura. Só que transições raramente são suaves. E quando jogadores-chave caem de rendimento ao mesmo tempo, o efeito dominó é cruel.

Como se não bastasse, há um fantasma elegante circulando pelos corredores: Xabi Alonso.

Após deixar o Real Madrid, o ex-meio-campista do Liverpool passou a ser citado como possível substituto, um nome que já era alvo há bastante tempo, chegando a ser uma opção que deixou claro seu interesse de se juntar ao time merengue, para onde foi, e na direção dos Reds, ambos locais onde fez história como jogador. E sabemos como essas histórias começam a ganhar força quando os resultados não ajudam.

Porém, há um detalhe relevante: nenhum técnico na história do Liverpool tem aproveitamento melhor que Arne Slot (61%). Isso não é pouca coisa. Demitir um treinador com esse retrospecto exigiria convicção absoluta de que o projeto fracassou e o clube ainda não parece enxergar dessa forma.

O que vem agora?

Arne Slot foi direto: o time precisa ser “quase perfeito” daqui até o fim da temporada, caso queiram colocar na mesma prateleira da temporada de Jurgen Klopp. O objetivo mínimo é garantir vaga na próxima Champions League. O modelo financeiro do clube depende disso, muito investimento para pouco retorno até então, logo, é necessário mudar a realidade.

FA Cup e Champions ainda estão no horizonte. Um título pode mudar completamente a narrativa.

Então, Slot está pressionado?

Sim. Em Liverpool, sempre há pressão, estamos falando de um time gigantesco. Ainda mais depois de gastar £450 milhões e defender um título.

Mas ele também tem respaldo, histórico recente vencedor e um contexto que a diretoria parece levar em conta. A reta final vai responder à pergunta que o próprio técnico levantou: é só azar… ou é parte da identidade atual do time? Se for a primeira opção, ainda dá tempo de virar a chave. Se for a segunda, aí sim o sorriso de Slot pode desaparecer de vez.