O Flamengo viveu uma noite de confirmação, susto e autoridade no Catar. Com dois gols de Giorgian De Arrascaeta, um deles digno de camisa 10 histórico,o Rubro-Negro venceu o Cruz Azul por 2 a 1 e garantiu classificação para as semifinais do Intercontinental.
A equipe de Filipe Luís enfrentará no sábado, às 14h (de Brasília), o Pyramids, do Egito, enquanto o PSG aguarda o vencedor dessa chave para a grande final no dia 17.
O jogo
O início foi fiel ao que o Flamengo tem pregado desde que Filipe Luís assumiu o comando: intensidade, pressão alta e agressividade posicional. O Cruz Azul, por sua vez, tentou sair jogando com passes curtos, mas sofreu imediatamente com a abordagem adiantada da equipe brasileira. Do primeiro ao último momento do primeiro tempo, ficou claro que a estratégia rubro-negra era explorar erros na saída mexicana, e que esses erros fatalmente apareceriam.
O equívoco decisivo surgiu aos 17 minutos. Em um momento de aparente controle, Piovi recebeu pela esquerda, tentou fazer um passe na intermediária defensiva e acabou entregando a bola nos pés do jogador menos indicado: Giorgian De Arrascaeta. O uruguaio dominou como se estivesse em casa, invadiu a área, driblou o goleiro Gudiño com tranquilidade e tocou para o gol vazio. Um 1 a 0 construído na leitura de jogo e no faro de decisão que consagram Arrascaeta como um dos grandes da posição na América do Sul.
Com a abertura do placar, o Flamengo se soltou no ataque. Bruno Henrique virou protagonista das transições, atacando o espaço nas costas da defesa rival. O Cruz Azul, porém, não se deixou intimidar. Carlos Rodríguez passou a explorar diagonais e infiltrações com muita qualidade. Em um desses lances, após cruzamento de Rotondi, o camisa 19 cabeceou para a rede, mas o gol foi corretamente anulado por impedimento do argentino na origem da jogada.
O lance parecia isolado, mas serviu como alerta: pouco depois, o empate veio. Em nova bola recuperada por Rotondi na esquerda, Rodríguez tentou infiltrar na área, a bola rebateu e sobrou para Sánchez, que bateu de primeira, sem deixar cair, para marcar um golaço: 1 a 1. A defesa rubro-negra até tentou fechar o espaço, mas a finalização precisa foi indefensável para Rossi.
O Flamengo sentiu o golpe momentaneamente, mas não perdeu seu padrão. Filipe Luís pediu calma e reorganização. O time respondeu. Recuperou a bola no campo de ataque, voltou a controlar o ritmo e terminou o primeiro tempo sendo mais perigoso, com Bruno Henrique e Arrascaeta achando entrelinhas e obrigando o Cruz Azul a recuar mais do que pretendia.
Logo no começo do segundo tempo, Bruno Henrique arrancou em velocidade e quase recolocou o time em vantagem. Filipe Luís percebeu que precisava reforçar o duelo físico no meio e colocou Gonzalo Plata no lugar de Samuel Lino. A substituição funcionou: Plata criou uma boa jogada individual e quase marcou em chute colocado da entrada da área.
Aos poucos, o Flamengo retomou completamente o controle. A bola passou a rodar com mais lucidez, e o Cruz Azul recuou. Aos 26 minutos, o momento que decidiu o confronto: Everton Cebolinha, outro que veio do banco muito bem, encontrou lindo passe vertical para Arrascaeta infiltrar entre os zagueiros. O uruguaio tentou tocar para Bruno Henrique, a zaga cortou parcialmente, mas a sobra voltou para ele, que bateu de primeira. Rotondi ainda tentou tirar, mas a tecnologia confirmou: a bola cruzou a linha. Flamengo 2 a 1.
O gol desmontou o Cruz Azul. A equipe mexicana até tentava avançar com mais jogadores, mas ofereceu espaços generosos para o contra-ataque rubro-negro. Luiz Araújo desperdiçou excelente chance ao conduzir errado no momento crucial, e Gudiño conseguiu fechar o ângulo.
Na sequência, quase o terceiro: Ortiz desviou de cabeça no escanteio, e Sánchez salvou em cima da linha, agora evitando que o prejuízo fosse maior. Entre sustos e arrancadas, o Cruz Azul teve uma rara oportunidade na área, mas Rossi apareceu de forma decisiva para garantir a vitória.
O apito final confirmou a classificação rubro-negra — e a noite de mais um capítulo especial de Arrascaeta com a camisa do Flamengo.
Flamengo mostra maturidade competitiva, brilho individual e sinais de evolução
O Flamengo avançou porque foi mais agressivo, mais preparado e mais decisivo. A pressão alta funcionou, a equipe soube alternar intensidade e controle, e o talento individual, especialmente o de Arrascaeta — apareceu quando mais precisava.
O uruguaio comandou o jogo, marcou dois gols e ainda organizou o meio em momentos de turbulência. Bruno Henrique voltou a ser crucial atacando o espaço, e Filipe Luís acertou em cheio nas substituições: Plata e Cebolinha elevaram o nível técnico e físico da equipe no segundo tempo.
Defensivamente, o Flamengo ainda sofre com infiltrações pelo corredor central, especialmente quando o adversário ataca em velocidade, como fez Carlos Rodríguez. Mas Rossi esteve seguro, e a equipe demonstrou maturidade nos minutos finais.
O saldo é muito positivo: o Flamengo se impôs, soube sofrer e soube decidir. O Pyramids promete um duelo mais físico, mas se Arrascaeta repetir o nível desta noite, o Rubro-Negro entra como favorito.
(Foto: Adriano Fontes/Flamengo)