Arsenal x Coventry City, Premier League. Foto: Reprodução/Arsenal FC via site oficial.
Futebol Premier League

Arsenal não precisou renovar o repertório para vencer o Coventry City e começar bem a temporada

As repercussões da vitória do Arsenal sobre o Coventry City na estreia da Premier League são as melhores possíveis. A equipe havia retornado a disputar um jogo competitivo em casa depois de 95 dias e pareceu seguir todo o embalo para construir uma vitória fácil por 3 a 0.

Desde o confronto contra o Burnley, do qual os Gunners venceram por 1 a 0, no dia 18 de maio, até a estreia na atual temporada, o Arsenal mostrou que nada foi perdido nesse caminho. A equipe tem tudo para conquistar a Premier League.e muitas coincidências e novidades foram apresentadas ontem. Confira:

Um novo senso de equilíbrio

A partida contra o Coventry também serviu para apresentar uma das novidades mais interessantes do Arsenal para a temporada: Christos Tzolis.

O grego fez sua primeira partida como titular na Premier League justamente no Emirates. E, curiosamente, não foi na sexta-feira. Cinco anos antes, ainda pelo Norwich City, Tzolis havia iniciado uma passagem decepcionante pela Inglaterra. Depois, construiu uma trajetória bastante particular por Holanda, Alemanha e Bélgica antes de retornar ao futebol inglês neste verão.

Em uma janela na qual os clubes da Premier League passaram a negociar cada vez mais entre si, em vez de buscar jogadores de outros mercados que precisam de tempo para se adaptar ao ritmo da competição, a contratação de Tzolis por 34 milhões de libras junto ao Club Brugge representa uma aposta diferente. Até agora, ela parece estar dando resultado.

Depois de uma estreia de alto nível na Community Shield, na qual contribuiu com duas assistências, o grego voltou a participar diretamente da construção de dois gols contra o Coventry.

No primeiro, sua pressão sobre Milan van Ewijk ajudou o Arsenal a recuperar a posse. Riccardo Calafiori recebeu a bola e cruzou para a área, onde Havertz apareceu para abrir o placar. No segundo, Tzolis recebeu de Declan Rice e cruzou rasteiro. Rushworth conseguiu defender, mas espalmou a bola justamente para Saka, que aproveitou o rebote e ampliou.

Em outra noite, Tzolis provavelmente teria deixado o campo com um gol. O atacante finalizou quatro vezes e criou alguns dos melhores momentos ofensivos do Arsenal. Também foi o jogador dos Gunners com mais toques dentro da área do Coventry.

A participação constante do jogador de 24 anos representa, por si só, um bom sinal para o departamento de recrutamento do clube.

O Arsenal há muito tempo concentra grande parte de suas ações ofensivas pelo lado direito. Saka possui uma força gravitacional que naturalmente atrai os ataques da equipe. Na última temporada, 42% das investidas dos Gunners aconteceram por aquele setor, segundo o WhoScored — a maior proporção da Premier League.

Não há nada de errado em procurar seu melhor jogador, mas ter uma ameaça real também pelo lado oposto muda o comportamento da defesa adversária. Mesmo quando Tzolis não recebe a bola, sua presença cria uma dúvida que pode abrir espaço para Saka, Ødegaard e companhia.

Arsenal melhora por dentro

Para Arteta, o principal objetivo agora é melhorar aquilo que o Arsenal já possui. A declaração pode ser interpretada como um sinal de que o clube não deve fazer grandes movimentos no mercado, mas também revela a confiança do treinador na qualidade do elenco. Essa qualidade fica ainda mais evidente nas conexões entre os jogadores.

Um dos principais mecanismos ofensivos do Arsenal está no lado direito, com Martin Ødegaard, Bukayo Saka e Ben White. O problema é que, nas últimas duas temporadas, lesões impediram que o trio tivesse continuidade.

Quando os três estão disponíveis, porém, o funcionamento da equipe muda completamente. White oferece as ultrapassagens que abrem espaço para Saka e Ødegaard, enquanto o norueguês encontra os dois jogadores em posições cada vez mais perigosas.

O terceiro gol contra o Coventry foi um exemplo perfeito disso. Ødegaard encontrou Saka, que segurou Jay Dasilva tempo suficiente para White aparecer às suas costas. O lateral recebeu e devolveu para o norueguês, que finalizou e contou com um desvio para vencer Rushworth.

É uma jogada simples, mas que resume o potencial coletivo do Arsenal. Mais do que depender de uma individualidade, o time possui mecanismos capazes de criar vantagens a partir da movimentação coordenada de seus jogadores.

A bola parada continua sendo uma superforça

O gol contra o Burnley na última temporada também havia mostrado uma das armas mais conhecidas do Arsenal: as bolas paradas. Havertz simplesmente subiu mais alto que os defensores para cabecear uma cobrança de escanteio de Saka. É um tipo de jogada que se tornou quase uma assinatura do time de Arteta, que bateu diversos recordes de gols em situações de bola parada durante a campanha do título.

A grande questão para 2026/27 é saber como as novas regras da Premier League vão afetar essa arma. Howard Webb, chefe de arbitragem da competição, prometeu uma postura mais rigorosa contra agarrões em escanteios e faltas, com “menos advertências e mais pênaltis” em situações consideradas de impacto relevante.

O Arsenal, portanto, pode precisar se adaptar. Mas, se a estreia contra o Coventry servir como indicativo, Arteta possui muito mais alternativas do que apenas os escanteios.

Tzolis oferece uma nova ameaça pelo lado esquerdo, Ødegaard, Saka e White continuam formando uma das conexões mais perigosas da competição e o elenco parece mais equilibrado.

Depois de uma temporada em que a pressão finalmente terminou com o título, o desafio agora é diferente. O Arsenal não precisa apenas vencer. Precisa mostrar que pode fazer isso de maneiras diferentes — e a estreia deixou sinais de que esse processo já começou.

Créditos da foto de capa: Reprodução/Arsenal FC via site oficial