Arsenal
Futebol Premier League

Arsenal tem recaída, mas precisa se preocupar? Confira

A vantagem do Arsenal na liderança da Premier League encolheu para apenas dois pontos e esteve muito próxima de desaparecer completamente no último fim de semana, durante a vitória por 2 a 1 sobre o Wolverhampton, no Emirates Stadium. Ainda assim, o fato de ver uma margem de sete pontos sobre o Manchester City ser reduzida para apenas dois em apenas quatro rodadas seria motivo de alerta para qualquer equipe. O próximo compromisso dos Gunners será neste sábado (20), às 17h (horário de Brasília), contra o Everton, no Hill Dickinson Stadium, em duelo válido pela 17ª rodada.

Para o Arsenal, porém, o contexto torna a situação ainda mais delicada na tabela de classificação, caso que não vença o Everton na rodada. O clube londrino carrega o peso de três temporadas consecutivas batendo na trave na tentativa de conquistar o primeiro título da Premier League em quase duas décadas. Feridas antigas voltam a incomodar os Gunners. O ambiente é de vigilância constante, com todos olhando por cima do ombro. Cresce a sensação incômoda de que a aproximação do Manchester City é inevitável.

O paradoxo é que o Manchester City já não apresenta a mesma solidez que marcou boa parte da era Pep Guardiola. A equipe foi derrotada pelo Newcastle no mês passado e quase desperdiçou vantagens expressivas — 2 a 0 e 5 a 1 — em jogos contra Leeds, em casa, e Fulham, fora. Na última rodada, apesar da vitória por 3 a 0 sobre o Crystal Palace no domingo, o City produziu apenas 0,4 de xG (gols esperados) sem pênaltis. Esse foi o segundo pior índice do clube na Premier League sob Guardiola e o pior desde os 0,26 registrados contra o Liverpool, em outubro de 2018.

Mais importante ainda, o Arsenal é hoje uma equipe melhor, mais robusta e resiliente do que em qualquer outro momento recente de sua história. O time de Mikel Arteta segue na liderança da competição e aparece como grande favorito ao título segundo o supercomputador da Opta. Há inúmeros motivos para acreditar que esta será, finalmente, a temporada da consagração, como parecia ao longo de boa parte do campeonato até aqui. Ainda assim, não dá para ignorar a tensão que ronda o clube à medida que o City se aproxima.

A vantagem mínima de dois pontos ficou ainda mais frágil após uma vitória dramática sobre o lanterna Wolves, decidida apenas nos acréscimos. Em um confronto que parecia controlável, o Arsenal precisou de um esforço máximo para superar o pior time da liga. A atmosfera no estádio refletia isso: nervosismo, expectativa e um desejo quase desesperado dos torcedores para que esta seja, enfim, a temporada do título, superando Manchester City e Liverpool. Não há dúvidas quanto à capacidade do elenco.

Contudo, após uma sequência impressionante no outono europeu — dez vitórias consecutivas em jogos oficiais e apenas um gol sofrido —, o desempenho caiu. Desde então, o time sofreu oito gols em oito partidas, um número que evidencia a perda de solidez defensiva. As lesões têm papel central nessa queda. Os zagueiros titulares Gabriel Magalhães e William Saliba ficaram ausentes por períodos prolongados, assim como o reserva Cristhian Mosquera. Sem essas peças, o Arsenal naturalmente se tornou mais vulnerável atrás, ao mesmo tempo em que a carga de responsabilidade sobre os demais aumentou.

Outro fator relevante é a intensidade extrema exigida pelo treinador. No auge, o Arsenal defendia cada lance como se fosse decisivo, sufocando os adversários. Entre outubro e novembro, por exemplo, houve uma sequência de quatro jogos da Premier League em que o time permitiu apenas um chute a gol. Esse nível de pressão constante, porém, é difícil de sustentar ao longo de toda a temporada, ainda que tenha sido derrotado duas vezes na liga inglesa, contra o Liverpool e o Aston Villa.

A fadiga mental, em especial, é um componente complexo de mensurar. Diferentemente do desgaste físico , que pode ser identificado por dores e exames, a queda de concentração é mais sutil. Ainda que não seja possível afirmar com certeza, esse cansaço psicológico pode ter contribuído para o gol sofrido contra o Wolves, quando Mateus Mané teve liberdade para cruzar e, segundos depois, Tolu Arokodare cabeceou para o empate, mas não foi o bastante para satisfazer os visitantes no Emirates Stadium, que ainda testemunharam o Arsenal marcar o segundo gol já nos minutos finais da partida.

Os dados reforçam essa impressão. Foi um Arsenal atípico, que registrou apenas 261 pressões — o menor número em um jogo da Premier League nesta temporada — e uma taxa de apenas 60,5% de toques dos adversários sob pressão, também a pior marca da equipe no campeonato. Esses números indicam dificuldades em lidar com a sequência pesada de jogos. No ataque, o time também passou a depender menos de bolas paradas do que no início da campanha.

Foto: Getty Images

Após pequena recaída, Arsenal busca se consolidar como favorito ao título da Premier League

O Arsenal vive um momento de leve oscilação, longe de configurar uma crise. Depois de um início dominante, que o colocou com folga na liderança, os Gunners atravessaram uma pequena recaída, viram a vantagem diminuir e sentiram a pressão aumentar. Ainda assim, o panorama segue amplamente positivo para a equipe de Mikel Arteta.

A queda de rendimento está ligada sobretudo a problemas defensivos causados por lesões e a um calendário mais exigente. A equipe, que baseou sua campanha em organização defensiva e controle territorial, passou a oferecer mais espaços aos adversários — algo incomum nos primeiros meses. As vitórias continuaram acontecendo, mas com menos domínio e mais sofrimento.

Mesmo assim, os números gerais sustentam o otimismo. O Arsenal segue como uma das equipes mais consistentes da liga em criação de chances, controle de jogo e métricas avançadas. Mesmo longe do auge, o time tem mostrado maturidade para pontuar, uma característica essencial em campanhas campeãs e que fez falta em anos anteriores.

Outro ponto positivo é a evolução mental do elenco. Diferentemente do passado recente, tropeços pontuais não geraram colapso. A resposta tem sido rápida, com ajustes táticos, maior rotação e melhor gestão do desgaste físico em um momento crucial da temporada.

A perseguição dos rivais, especialmente do Manchester City, aumenta naturalmente a pressão. Ainda assim, o Arsenal chega a este estágio com vantagem na tabela e a sensação de que ainda pode render mais. A recuperação gradual de jogadores importantes e a manutenção de um estilo bem definido reforçam a percepção de que a recente oscilação serviu mais como alerta do que como sinal de declínio estrutural.

Com confrontos decisivos pela frente, o desafio passa por transformar essa instabilidade em aprendizado. Se retomar o nível de intensidade e concentração de sua melhor fase, o Arsenal não apenas seguirá como favorito, mas dará passos firmes para encerrar o jejum e levantar novamente o troféu da Premier League.

Foto: AFP/Getty Images

Arsenal mira ampliar vantagem na liderança diante do Everton e aposta em tropeços dos rivais

Nesta rodada, o Arsenal entra em campo com um objetivo claro: transformar uma liderança apertada em uma margem mais confortável. Uma vitória sobre o Everton, combinada com eventuais tropeços de Manchester City e Aston Villa, pode representar um avanço importante na corrida pelo título, especialmente quando a margem de erro começa a diminuir.

O confronto contra o Everton se apresenta como um teste de maturidade. Conhecido pelo jogo físico e pelas transições rápidas, o adversário exige atenção máxima. Ciente disso, o time de Arteta busca impor seu ritmo desde o início, apostando na posse de bola, na pressão alta e na intensidade pelos lados — pilares da campanha até aqui.

Mais do que os três pontos, o triunfo permitiria pressionar diretamente os concorrentes. O City entra em campo sabendo que qualquer deslize pode ampliar a distância para o líder, enquanto o Aston Villa também sente o peso da regularidade exigida neste estágio do campeonato.

Internamente, o discurso é de foco absoluto no próprio desempenho. Arteta tem insistido na necessidade de transformar jogos teoricamente controláveis em vitórias mais tranquilas, evitando sustos que custaram caro em temporadas anteriores. Consistência defensiva e eficiência ofensiva são tratadas como prioridades.

Se o cenário ideal se concretizar — vitória sobre o Everton e tropeços de City e Villa —, o Arsenal poderá abrir uma vantagem que vai além dos números. Ganharia confiança, reduziria a pressão psicológica e enviaria um recado claro aos rivais: o time aprendeu com o passado e está pronto para sustentar a liderança até o fim.

Em uma Premier League marcada pelo equilíbrio, cada rodada tem peso decisivo. Para o Arsenal, esta pode ser a oportunidade perfeita de transformar expectativa em vantagem concreta e dar mais um passo firme rumo ao tão sonhado título.

(Foto: Getty Images)