Mikel Arteta, técnico do Arsenal. Foto: Getty Images
Futebol Premier League

Arsenal sente a pressão mesmo com vantagem na liderança

Ainda é cedo para falar em reta final de campeonato, mas a sensação entre os torcedores do Arsenal já é de certo desconforto. A derrota em casa para o Manchester United no último domingo mexeu não só com a tabela, mas também com o ambiente ao redor do time. O que antes parecia uma liderança tranquila, com sete pontos de vantagem, agora virou uma margem bem mais apertada de quatro pontos.

O resultado no Emirates Stadium foi o terceiro jogo seguido dos Gunners sem vitória na Premier League. Em um campeonato tão equilibrado, qualquer sequência negativa ganha proporções maiores, ainda mais quando envolve um confronto direto e uma atuação abaixo do esperado em casa.

Mesmo assim, olhando friamente para a classificação, o Arsenal segue em uma posição que qualquer equipe gostaria de estar. A questão é menos matemática e mais emocional: como o time vai reagir a esse momento de oscilação, algo que já custou caro em temporadas recentes.

O que a história da Premier League mostra sobre esse cenário

O histórico não é exatamente animador para o torcedor mais desconfiado. Em três ocasiões anteriores, o Arsenal liderou a Premier League neste mesmo ponto da temporada e só conseguiu levantar a taça uma vez, justamente na lendária campanha dos Invencíveis, em 2003-04, quando terminou o campeonato invicto.

Na temporada 2022-23, o roteiro ainda está fresco na memória. A equipe de Mikel Arteta chegou a abrir oito pontos de vantagem sobre o Manchester City após 29 rodadas, mas acabou desmoronando na reta final, perdendo fôlego e deixando o título escapar. Foi um golpe duro e que ainda ecoa dentro do clube.

Voltando um pouco mais no tempo, em 2002-03, o Arsenal tinha uma vantagem de cinco pontos após 23 jogos. Foi ali que surgiu o famoso termo “squeaky bum time”, popularizado por Sir Alex Ferguson, então técnico do Manchester United. A pressão funcionou, os Gunners tropeçaram e terminaram a temporada cinco pontos atrás do rival.

Vantagem grande nem sempre é garantia, mas costuma pesar

Olhando para o campeonato como um todo, os números históricos ajudam a equilibrar o debate. Em 20 ocasiões anteriores, o líder da Premier League tinha ao menos quatro pontos de vantagem neste estágio da temporada. Em apenas quatro dessas vezes o título escapou.

Casos famosos ficaram marcados justamente por serem exceções. O Newcastle de 1995-96 desperdiçou uma vantagem de 12 pontos, enquanto o Manchester United deixou escapar uma liderança confortável em 1997-98 diante do próprio Arsenal. Anos depois, em 2019, o Liverpool fez uma campanha quase perfeita na reta final, mas ainda assim foi superado por um Manchester City implacável.

Se o recorte for ainda mais específico, o dado é ainda mais favorável ao Arsenal. Nenhum time neste século conseguiu perder um título da Premier League após abrir sete pontos de vantagem com 22 rodadas disputadas. Antes da última rodada, apenas Newcastle, em 1996, e Manchester United, em 1998, falharam em cenários semelhantes.

Dados animam, mas discurso externo segue cauteloso

Mesmo com a derrota para o Manchester United, os números seguem otimistas. Segundo o Opta, o Arsenal ainda tem 81,7% de chances de conquistar o título, com base em milhares de simulações considerando os jogos restantes. No papel, os Gunners seguem como favoritos claros.

Fora dos números frios, porém, o discurso é mais cauteloso. Patrick Vieira, ex-capitão do clube e campeão inglês com o Arsenal, levantou dúvidas sobre a força mental do elenco. Para ele, este é o momento de provar maturidade, especialmente porque os principais concorrentes não vivem suas melhores fases.

Peter Schmeichel foi ainda mais direto ao falar sobre o peso psicológico. O ex-goleiro destacou a falta de experiência do elenco em decidir a Premier League, lembrando que o time bateu na trave em temporadas recentes. Segundo ele, a pressão não vem tanto de fora, mas nasce dentro do próprio clube.

Arteta tenta blindar o elenco do Arsenal em momento-chave

Do outro lado, há quem veja o cenário com mais tranquilidade. Alan Shearer, maior artilheiro da história da Premier League, acredita que o Arsenal segue como favorito, muito por conta da força do elenco e da consistência apresentada ao longo da temporada. Para ele, tropeços fazem parte do processo e não são motivo para pânico.

Mikel Arteta também adota um discurso sereno, embora reconheça os erros recentes. Após a derrota no Emirates Stadium, o treinador falou sobre margens pequenas e reforçou a necessidade de reação imediata. Internamente, a mensagem é clara: o título ainda está nas mãos do Arsenal.

A próxima rodada, contra o Leeds United, em Elland Road, surge como um teste importante. Não apenas pelo resultado, mas pela postura. Mais do que vencer, o Arsenal precisa mostrar que aprendeu com o passado e que, desta vez, está pronto para lidar com a pressão até o fim da temporada.