O Arsenal entrou nessa última semana encarando uma sequência daquelas que derrubariam qualquer time: Tottenham, Bayern de Munique e Chelsea em sete dias. Mesmo assim, o time de Mikel Arteta entregou duas vitórias importantes e um empate sofrido fora de casa. No geral, o balanço é positivo, mas ficou aquela sensação de que dava para sair ainda melhor dessa maratona.
Depois de vencer o clássico contra o Spurs com autoridade e despachar o Bayern no Emirates, era natural imaginar que o duelo contra o Chelsea seria complicado. Foi um jogo no meio dessa sequência desgastante, com pouco tempo de recuperação e um adversário que costuma crescer quando enfrenta o Arsenal.
Para piorar, os preparativos foram atrapalhados por uma baixa importante: William Saliba. O zagueiro sentiu um problema no treino e ficou fora. O clube ainda espera exames para saber a gravidade. Em um jogo grande assim, perder seu defensor mais regular muda muita coisa.
Mesmo com todos esses problemas, o empate em 1 a 1 — garantido pelo gol de cabeça de Mikel Merino — manteve o Arsenal cinco pontos na liderança da Premier League. O resultado não é ruim. Mas, como o Chelsea ficou com um jogador a menos por boa parte do jogo por causa da expulsão de Moisés Caicedo, ficou a impressão de que existia uma oportunidade clara para ampliar a vantagem na tabela.
Arteta reconhece que o time deixou escapar algo maior
Arteta explicou no pós-jogo que entende o peso da semana e o desgaste do elenco. O técnico lembrou que o time vem perdendo jogadores importantes em sequência. Além de Saliba, o Arsenal também não teve Martin Ødegaard, Viktor Gyökeres e Kai Havertz no início da partida. Leandro Trossard também foi baixa de última hora.
O treinador destacou que, com tantas ausências, precisou improvisar uma dupla de zaga que nunca havia jogado junta em uma partida de Premier League. Mesmo assim, o time manteve competitividade e conseguiu reagir.
Ødegaard e Gyökeres entraram no segundo tempo para tentar mudar o cenário, mas o gol da virada não saiu. Para Arteta, foi uma semana extremamente positiva pela exigência dos jogos, mas com um “gostinho” de que três pontos eram possíveis contra o Chelsea.
Essa frustração, como ele mesmo disse, é parte do processo. “É um ponto de aprendizado”, resumiu o treinador, indicando que quer ver o time ainda mais frio e eficiente em momentos favoráveis.
Problemas na zaga mudam até a bola parada
O jogo contra o Chelsea também marcou um episódio raro: pela segunda vez desde agosto de 2021, o Arsenal jogou uma partida de Premier League sem Gabriel Magalhães e sem Saliba juntos na escalação. E isso altera muito mais do que a simples composição da defesa.
A dupla é fundamental nas bolas aéreas ofensivas. O Arsenal tem sido forte em escanteios, faltas laterais e até nos arremessos laterais longos, muito por causa deles. Sem os dois, o time perdeu presença e impacto dentro da área adversária.
Do outro lado, o gol que colocou o Chelsea na frente saiu justamente de um escanteio. Isso deixou um sabor amargo em Arteta e também no assistente Nicolas Jover, responsável pelo trabalho de bola parada no clube.
O técnico explicou que essa mudança na defesa foi totalmente inesperada. A lesão de Saliba aconteceu no último treino, e o time não teve tempo de ajustar muita coisa. Ainda assim, Arteta elogiou a postura dos substitutos.
Mosquera e Hincapié ganham chance e agradam
Sem Gabriel e Saliba, Arteta formou sua dupla de zaga com Cristhian Mosquera e Piero Hincapié. Foi a primeira vez que os dois atuaram juntos na Premier League. Mesmo assim, o técnico gostou do que viu, especialmente da disposição deles em se adaptar e se conectar rapidamente dentro de campo.
Arteta afirmou que esse tipo de situação obriga o time a se reinventar, e que o importante é ter jogadores dispostos a entrar e manter o nível. Para ele, a partida serviu como um exemplo claro de que o elenco tem profundidade para reagir a dificuldades inesperadas.
O treinador também avisou que o Arsenal vai precisar dessa resiliência por mais algumas semanas. Gabriel Magalhães não deve retornar tão cedo — a previsão é de várias semanas de recuperação antes de voltar a treinar com o grupo.
Um ponto que vale reflexão, mas mantém o Arsenal firme na disputa
No fim, o empate contra o Chelsea não muda a situação do Arsenal no campeonato. O time segue líder, com margem confortável e acumulando boas atuações nos jogos grandes. A semana, com seus altos e baixos, mostrou força, mas também evidenciou onde o grupo precisa ser mais matador.
Arteta sai com a certeza de que o time tem personalidade, mas também leva uma lição: quando aparece a chance de abrir vantagem, sobretudo contra um rival com um a menos, não dá para desperdiçar. Essas brechas podem decidir o título lá na frente.



