O Flamengo finalmente voltou a vencer no Campeonato Brasileiro. Depois de uma sequência recente que deixou o torcedor bastante preocupado, o Rubro-Negro apresentou uma atuação convincente e bateu o Vitória por 2 a 0, neste domingo (9), no Maracanã. O resultado trouxe alívio, mas não apaga os problemas que apareceram nas últimas semanas. Pelo contrário: o grande desafio agora é mostrar que a atuação diante do time baiano não foi apenas uma exceção.
A equipe comandada por Leonardo Jardim dominou o Vitória e controlou a partida durante boa parte dos 90 minutos. Erick Pulgar abriu o placar com um belo chute de fora da área, enquanto Bruno Henrique marcou o segundo gol e confirmou a vitória rubro-negra. O resultado também permitiu ao Flamengo diminuir a distância para o líder do Brasileirão.
A atuação, portanto, foi importante por vários motivos. O Flamengo precisava voltar a jogar bem, precisava recuperar confiança e, principalmente, precisava chegar fortalecido para o compromisso que pode definir os rumos da temporada. Na quarta-feira (12), o time enfrenta o Cruzeiro, no Mineirão, pelo jogo de ida das oitavas de final da Libertadores. A partida é, sem exagero, o maior desafio do Flamengo até aqui no ano.
Vitória mostra um Flamengo diferente
Se as partidas anteriores vinham deixando a torcida rubro-negra irritada pela queda de rendimento, o duelo contra o Vitória apresentou uma resposta bastante diferente. O Flamengo teve controle do jogo, criou oportunidades e não deu ao adversário a mesma liberdade que havia permitido em apresentações recentes. Foi uma atuação mais segura, intensa e próxima do nível que se espera de um elenco com grandes ambições.
O primeiro gol resumiu um pouco essa mudança. Pulgar recebeu espaço e acertou um chute de enorme qualidade para colocar o Flamengo em vantagem. A partir daí, o time conseguiu administrar o resultado sem abrir mão da busca pelo segundo gol. Bruno Henrique apareceu para ampliar a vantagem e transformar a reta final da partida em um período de maior tranquilidade.
O resultado também serve para diminuir a pressão sobre Leonardo Jardim. O treinador vinha sendo questionado justamente porque o Flamengo não apresentava o futebol esperado e acumulava atuações abaixo do potencial do elenco. Contra o Vitória, porém, a equipe mostrou intensidade e organização, dando ao técnico uma resposta importante antes da Libertadores.
Mas é justamente aí que está o ponto principal: uma boa partida não resolve todos os problemas. O Flamengo precisava vencer o Vitória e conseguiu. Agora, precisa provar que consegue repetir o nível de atuação contra adversários mais fortes e em jogos de pressão muito maior.

Mercado aumenta pressão sobre José Boto
Enquanto o time tentava encontrar respostas dentro de campo, a diretoria também passou a enfrentar cobrança no mercado de transferências. José Boto, diretor de futebol português do Flamengo, virou um dos principais alvos das críticas de parte da torcida após duas negociações que ganharam status de novela e terminaram sem o final esperado.
A primeira foi a tentativa de contratar Thiago Almada. O Flamengo passou semanas trabalhando pela chegada do argentino e chegou a demonstrar publicamente otimismo com o negócio. Em determinado momento, a diretoria estava alinhada com o Atlético de Madrid e com o estafe do jogador, e o clube acreditava estar próximo de concretizar a contratação.
José Boto chegou a dizer que estava confiante na contratação, embora ressaltasse que não era uma negociação simples. O problema é que a novela se prolongou e, no fim, o Flamengo não conseguiu convencer o jogador. Almada deixou o Atlético de Madrid e acertou sua transferência para o River Plate, em uma operação superior a 20 milhões de euros.
Para o torcedor rubro-negro, a frustração não está apenas na perda do jogador. O que incomoda é a expectativa criada durante semanas e o desfecho contrário ao que era esperado. O Flamengo tratou Almada como um dos grandes alvos da janela, avançou nas negociações e chegou a acreditar que o negócio estava próximo. No fim, ficou sem o reforço.

Luiz Henrique vira outra novela sem final feliz
Quando a negociação por Almada chegou ao fim, o Flamengo direcionou sua atenção para outro nome conhecido: Luiz Henrique, atacante do Zenit. O brasileiro passou a ser tratado como uma das alternativas para reforçar o setor ofensivo e, novamente, José Boto esteve diretamente envolvido nas conversas. O diretor chegou a se reunir com o empresário do jogador, aumentando as expectativas em torno da possível transferência.
A negociação, entretanto, também não terminou como o Flamengo desejava. As conversas avançaram, mas acabaram travadas por questões financeiras e orçamentárias. Segundo informações divulgadas sobre o negócio, o Flamengo chegou a trabalhar com valores elevados para tentar convencer o Zenit, mas a operação não foi concluída.
O resultado foi um mercado que deixou parte da torcida bastante irritada com José Boto. É importante separar a cobrança legítima da avaliação definitiva sobre o trabalho do dirigente: perder uma negociação não significa, por si só, que uma gestão seja ruim. Porém, quando dois dos principais alvos da janela passam por longas tratativas e nenhum deles chega ao clube, a pressão naturalmente aumenta.
E o momento do time potencializa essa cobrança. Se o Flamengo estivesse apresentando um futebol dominante e acumulando grandes resultados, as frustrações do mercado provavelmente teriam um peso menor. Como o desempenho recente vinha abaixo do esperado, a ausência de reforços passa a ser vista pelo torcedor como mais um problema.

Cruzeiro pode mudar completamente o ambiente
É por isso que a partida contra o Cruzeiro ganha uma importância enorme. O Flamengo enfrenta a equipe mineira nesta quarta-feira (12), às 21h30, no Mineirão, pelo primeiro jogo das oitavas de final da Libertadores. A partida de volta será no Maracanã, uma semana depois.
Depois da boa atuação contra o Vitória, o Flamengo chega ao confronto com uma dose maior de confiança. Só que o nível de exigência também será muito maior. Não haverá espaço para repetir os erros apresentados em partidas recentes. Contra o Cruzeiro, qualquer desatenção pode custar caro, e o time precisará manter a intensidade demonstrada no Maracanã.
Por isso, a vitória sobre o Vitória deve ser encarada como um ponto de partida, e não como a solução definitiva. O Flamengo mostrou que ainda consegue apresentar um futebol de alto nível, mas precisa transformar essa atuação em tendência. O jogo de quarta-feira será a oportunidade perfeita para isso.

Se vencer ou conseguir um bom resultado no Mineirão, o ambiente pode mudar completamente. As críticas ao desempenho recente perderão força, Leonardo Jardim ganhará tranquilidade e a pressão sobre a diretoria também poderá diminuir. Se a equipe voltar a apresentar os mesmos problemas das últimas partidas, porém, a vitória sobre o Vitória será lembrada apenas como um intervalo positivo em meio a uma fase turbulenta.
O Flamengo voltou a vencer e, principalmente, voltou a jogar bem. Agora, precisa provar que consegue fazer isso quando realmente importa. E dificilmente haverá um teste maior do que o Cruzeiro, pelas oitavas da Libertadores.
Foto: Donaldo Hadlich/Código 19/Folhapress



