O que seria se Gabriel Martinelli tivesse colocado aquela finalização sobre Caoimhín Kelleher? Estaríamos comemorando uma vitória suada do Arsenal no Gtech Community Stadium, uma daquelas vitórias que confirmam o DNA de campeão do time de Mikel Arteta. Mas não foi o que aconteceu. O chute do brasileiro foi defendido com perfeição pelo ex-goleiro do Liverpool, e o Arsenal saiu de campo com um empate 1 a 1 que, honestamente, não refletem a superioridade que todos esperavam.
Brentford fez um jogo espetacular. Limitou os Gunners de uma maneira que poucos times conseguiram desde que Arteta transformou a equipe de candidata ao top 4 para uma das grandes concorrentes ao título. Com o empate, a liderança do Arsenal na Premier League caiu para apenas quatro pontos, mesmo faltando 12 partidas para o fim da temporada. A equipe desperdiçou chances de ampliar a diferença sobre o Manchester City, oferecendo aos rivais uma sobrevida inesperada.
O tropeço em West London serve como alerta: nem sempre os jogos “fáceis” são fáceis. A forma como o Arsenal se comportou em campo mostrou vulnerabilidades que precisam ser corrigidas se o título for realmente o objetivo.
Ausência de Kai Havertz pesa para o Arsenal
O primeiro ponto que salta aos olhos é a falta de Kai Havertz. O alemão vinha se mostrando decisivo desde seu retorno de lesão no joelho, mas uma nova lesão muscular antes da partida com Brentford o deixou de fora. Havertz é fundamental para o Arsenal, principalmente em momentos decisivos. Sem ele, Arteta precisou improvisar.
Com Mikel Merino também fora devido a uma cirurgia no pé, Eberechi Eze recebeu uma rara chance no meio-campo como camisa 10. Viktor Gyökeres voltou ao ataque, mas sua performance foi aquém do esperado. Excluindo um passe magistral para Jurriën Timber nos acréscimos, Gyökeres foi praticamente inofensivo. Ele terminou o jogo com 47% de acerto nos passes e apenas 29 toques na bola, mostrando que ainda não é capaz de carregar o ataque sozinho.
A ausência de Havertz se traduziu em falta de criatividade, pressão eficiente e presença na área. O Arsenal sente falta do alemão para dar aquela movimentação que abre espaços e cria chances. Voltando em março, ele pode ser a peça que faltava para equilibrar o time nos jogos finais da temporada.
Eberechi Eze ainda busca brilho
Outra lição é que Eberechi Eze, contratado por 67,5 milhões de libras no verão, ainda não entregou o esperado. Arteta o promoveu como alguém capaz de criar “momentos mágicos”, mas, na prática, o jovem tem sido discreto. Desde o dérbi de North London, onde brilhou contra um Tottenham fraco, ele participou diretamente de apenas um gol.
Na quinta-feira, Eze foi praticamente invisível. Sua presença na primeira linha de pressão foi ineficiente, permitindo que Brentford saísse jogando com conforto. Poucas vezes conseguiu se mostrar perigoso com a bola nos pés. A expectativa era de que ele ajudasse a equilibrar o Arsenal nos momentos decisivos, mas, até agora, o time tem se saído bem apesar de suas limitações, e não graças a ele.
Enquanto Eze busca seu lugar de destaque, Arteta precisará encontrar soluções para manter a fluidez do time. Substituições ou ajustes táticos podem ser essenciais para que o Arsenal mantenha a liderança sem depender exclusivamente de peças individuais.
Set-pieces deixam a desejar
O terceiro ponto é irônico: o Arsenal, que se orgulha de dominar jogadas de bola parada, acabou sendo castigado por uma. Michael Kayode, do Brentford, mostrou que as longas laterais e arremessos podem ser tão perigosos quanto um escanteio bem batido. Seu lançamento encontrou Sepp van den Berg, que colocou a bola para Keane Lewis-Potter no segundo poste, resultando no empate.
Os Gunners lideram a Premier League com 15 gols de bola parada nesta temporada, e mais de 30% de seus tentos vêm dessa situação. Mas desta vez, a arma que geralmente os favorece virou contra eles. Brentford provou que, com planejamento e execução, qualquer time pode explorar pontos fracos do Arsenal nesse aspecto.
Além disso, o time teve apenas quatro escanteios no jogo, e Brentford lidou com cada um deles sem dificuldades. A dependência excessiva de jogadas de bola parada pode ser um ponto vulnerável, principalmente quando adversários estudam o Arsenal e se preparam para neutralizar suas principais armas.
Resumindo, o empate contra Brentford deixa algumas lições claras: Havertz é indispensável, Eze ainda precisa se encontrar e o Arsenal precisa cuidar de suas próprias vulnerabilidades, mesmo em áreas onde geralmente se destaca. Cada ponto perdido em jogos como esse pode fazer diferença no final da Premier League.
Arteta e sua equipe sabem que a luta pelo título ainda está viva, mas que cada detalhe será decisivo. O Manchester City, mesmo não estando no seu melhor, continua respirando no cangote do Arsenal. Corrigir falhas, recuperar jogadores-chave e manter a consistência nos próximos jogos será fundamental para não deixar escapar a chance de mais um troféu.
Se o Arsenal quiser realmente coroar a temporada com sucesso, o aviso de Brentford precisa ser levado a sério: mesmo os gigantes podem tropeçar, e o título não será entregue de bandeja.
