Artur, Botafogo
Futebol Libertadores

Artur mostra contra Estudiantes porque Botafogo foi buscá-lo na Rússia para vestir a 7!

Não dá pra negar: o começo de Artur no Botafogo foi bem abaixo do que se esperava. Um investimento alto, vindo do Zenit da Rússia, com toda a expectativa que cerca um nome que já brilhou no Bragantino e no Palmeiras, mas que simplesmente não engrenava no começo do ano. Parecia outro jogador. Lento, desconectado do jogo, sem aquela explosão característica e — o mais importante — sem confiança. E a torcida do Botafogo, que não costuma passar pano, pegou no pé.

Não foram poucas as vaias no Nilton Santos, principalmente nos jogos em que o camisa 7 mal tocava na bola e parecia fora de sintonia com o resto do time.

Era difícil olhar aquele Artur e lembrar do cara que, até pouco tempo atrás, era um dos atacantes mais promissores do futebol brasileiro. Mas, como acontece com muitos jogadores que vêm da Europa, ainda mais da Rússia, o processo de readaptação ao futebol brasileiro costuma ser mais complicado do que parece. O ritmo é outro, o estilo de jogo é diferente, o clima muda tudo… e, claro, o peso da cobrança aqui é muito maior.

Peso da camisa 7

Ainda mais quando se trata de vestir a camisa 7 do Botafogo. Essa não é uma camisa qualquer. Desde que Luiz Henrique desfilou com ela pelos gramados do Brasil no ano passado, a responsabilidade cresceu. Luiz foi simplesmente o melhor jogador do futebol brasileiro em 2023 — e não há exagero nisso. Foi o cara que fez o Botafogo sonhar alto, que fez a torcida acreditar que aquele seria o ano. Foram dribles, gols, assistências, arrancadas e atuações de gala que não saem da cabeça do torcedor.

Quando ele saiu para o Zenit — justamente o clube russo de onde veio o Artur — a camisa 7 ficou vaga. E junto com ela, uma lacuna enorme no ataque alvinegro. Quem vestisse aquela numeração, inevitavelmente, seria comparado com Luiz Henrique.

E foi aí que entrou Artur. Um jogador talentoso, sim, mas que precisava provar que podia carregar esse peso. E a verdade é que demorou pra ele começar a mostrar serviço. Mas nos últimos jogos, o filme começou a mudar.

A virada começou contra o Internacional, pelo Brasileirão. Numa noite inspirada no Nilton Santos, o Botafogo aplicou um sonoro 4 a 0 no Colorado, e Artur teve sua primeira atuação de destaque com a camisa alvinegra. Fez um golaço, daqueles de encher os olhos, cortando pra dentro com estilo e batendo no canto, e ainda deu uma assistência, mostrando que finalmente estava começando a se soltar. A torcida, que andava desconfiada, começou a dar aquele voto de confiança.

Artur protagonista

Mas foi no jogo de ontem, contra o Estudiantes, na Argentina, que Artur realmente mostrou por que o Botafogo foi até a Rússia pra trazê-lo. Em um confronto decisivo pela Libertadores, contra um adversário tradicional, ele apareceu como protagonista.

Logo no começo da partida, foi dele a jogada que resultou no primeiro gol do Botafogo. Com visão e calma, Artur achou Rwan Cruz livre pra marcar. Uma assistência que parece simples, mas que mostra inteligência e leitura de jogo — duas características que sempre fizeram parte do repertório dele.

O Estudiantes diminuiu num pênalti duvidoso, os argentinos ganharam confiança e empataram o jogo, e aí, quando o jogo parecia caminhar pra mais um drama sul-americano, apareceu a estrela do camisa 7. Com a partida empatada em 2 a 2 e o clima pegando fogo, Artur chamou a responsabilidade, recebeu um lançamento de Marlon Freitas, já no domínio tirou o zagueiro com uma linda caneta, e bateu firme.

Um golaço com “G” maiúsculo, daqueles que fazem o torcedor levantar do sofá, gritar, e olhar pro amigo do lado dizendo: “Esse é o Artur que a gente foi buscar!”

Foi o tipo de lance que separa os jogadores comuns dos decisivos. Que mostra que, mesmo com toda a pressão, mesmo com o começo difícil, Artur tem bola — e muita — pra fazer história no Botafogo. Não é fácil vestir a camisa 7 depois de Luiz Henrique. Mas aos poucos, o ex-atacante do Bragantino e do Palmeiras vai escrevendo seu próprio capítulo. E convenhamos: ele tá começando a escrever bem.

Ainda tem muito campeonato pela frente, tanto no Brasileirão quanto na Libertadores. O Botafogo precisa de jogadores que chamem o jogo, que não se escondam, que tenham personalidade. E Artur, depois de apanhar, de ouvir críticas, de ser questionado, parece ter encontrado seu ritmo.

Está pegando no tranco, como se diz por aí. E agora, com confiança, pode ser o diferencial que o Glorioso precisa pra sonhar com títulos grandes em 2025.

Se mantiver esse nível, se continuar crescendo, não só justifica o investimento, como ainda pode se tornar mais um ídolo recente da torcida. O desafio é grande, a cobrança vai continuar, mas ontem, lá em La Plata, ele deu uma resposta daquelas.

E o torcedor botafoguense, que tanto esperou, pode enfim dizer: “Agora sim, temos um camisa 7 à altura!”