O Corinthians chega ao duelo contra a Chapecoense pressionado por uma sequência que mudou o ambiente ao redor da equipe. São três derrotas consecutivas no Brasileirão, contra Cruzeiro, Coritiba e Santos. A mais recente, por 1 a 0 para o rival, no último domingo (30), voltou a expor uma dificuldade que acompanha o time: a pouca produção ofensiva.
Com 32 pontos, o Corinthians ocupa a 10ª posição. A distância para o Bahia, que fecha o G-5, é de oito pontos, enquanto o Vasco, primeiro clube dentro do Z-4, está apenas sete à frente.
A margem ainda é confortável, mas a direção da tabela começa a incomodar. É nesse cenário que Fernando Diniz terá uma semana para mexer na equipe. E, curiosamente, o treinador chega ao confronto com o lanterna tendo problemas importantes para administrar, mas também alternativas que podem mudar o panorama.
O ataque precisa dar uma resposta
Contra o Santos, o Corinthians teve a bola, mas não conseguiu transformá-la em perigo. A equipe abusou dos cruzamentos, circulou sem acelerar as jogadas e criou poucas situações realmente claras. Depois de sofrer o gol, a dificuldade aumentou ainda mais: faltou repertório para desmontar uma defesa que passou a jogar protegendo a vantagem.
Esse talvez seja o principal ponto para Diniz trabalhar durante a semana.
A Chapecoense é a última colocada do Brasileirão, com 14 pontos, mas não pode ser tratada apenas como uma oportunidade para somar três pontos. É também o adversário ideal para testar se o Corinthians consegue assumir o controle e, principalmente, produzir a partir dele.
Ter posse sem transformar domínio territorial em chances não resolve a crise.
A defesa terá que ser remontada
O problema é que Diniz terá de fazer alterações justamente enquanto tenta dar estabilidade ao time. Hugo Souza, Gabriel Paulista e Raniele receberam o terceiro cartão amarelo contra o Santos e estão suspensos.
Kauê deve voltar ao gol depois de ter atuado pela última vez na derrota para o Coritiba, em 23 de agosto. João Pedro Tchoca aparece como alternativa na defesa, enquanto Breno Bidon retorna após cumprir suspensão.
São mudanças obrigatórias, mas também representam uma oportunidade para jogadores que precisam responder dentro de campo. O desafio será evitar que a troca de peças aumente uma instabilidade que já existe.
A possível volta do trio muda o cenário
Se Diniz perdeu titulares importantes para o duelo, o ataque pode receber um reforço considerável. Rodrigo Garro, Yuri Alberto e Memphis Depay podem voltar a atuar juntos depois de meses separados. Yuri se recuperou de lesão muscular, enquanto Garro e Memphis já estão à disposição.
É justamente no setor ofensivo que o Corinthians mais sente falta de soluções. O time marcou apenas uma vez nas três últimas derrotas pelo Brasileirão. A falta de criatividade, portanto, não apareceu somente contra o Santos.
A presença de Garro, Memphis e Yuri pode oferecer algo que o time não encontrou nas últimas rodadas: capacidade de criar por dentro, encontrar passes entre as linhas e ter uma referência mais clara na área.
Ainda existe, porém, uma questão física. Depois de tanto tempo afastados, dificilmente os três estarão nas mesmas condições de um jogador que vem atuando regularmente. Mesmo assim, ter essas opções novamente à disposição já representa uma mudança importante.
A Chapecoense não pode virar uma armadilha
O favoritismo é evidente. Mas é justamente aí que mora o perigo.
O Corinthians precisa vencer, e uma atuação abaixo do esperado aumentaria a pressão sobre Diniz. Ao mesmo tempo, entrar em campo pensando apenas na fragilidade do adversário pode levar a equipe a repetir o comportamento visto contra o Santos.
A diferença estará na capacidade de transformar superioridade em futebol. Não basta atacar mais. Será preciso encontrar espaços, acelerar quando houver oportunidade e impedir que a partida fique confortável para o adversário.
O calendário não dará tempo para respirar
A importância do jogo também está no que vem depois. Após enfrentar a Chapecoense, o Corinthians inicia as quartas de final da Libertadores contra o Estudiantes, na Argentina. Na sequência, encara o Flamengo, no Maracanã, pelo Brasileirão.
O nível de dificuldade sobe imediatamente.
Por isso, o duelo de domingo (6), às 19h30, na Neo Química Arena, funciona quase como um último laboratório antes de uma sequência em que os erros terão consequências maiores. Diniz precisa encontrar respostas agora, enquanto ainda existe margem para testar.
A pressão pode virar oportunidade
A situação do Corinthians não é confortável, mas também está longe de ser irreversível. As três derrotas consecutivas colocaram a equipe em alerta, porém o elenco pode ganhar peças importantes justamente quando o calendário começa a apertar.
Diniz terá de remontar a defesa, melhorar uma produção ofensiva que caiu e encontrar espaço para jogadores que voltam de suspensão ou lesão. Ao mesmo tempo, terá pela frente o último colocado do campeonato, dentro de casa. É uma combinação que transforma a partida em algo maior do que um simples confronto pela 26ª rodada.
O Corinthians precisa usar o jogo contra a Chapecoense para provar que a sequência ruim foi um tropeço de momento — e não o início de uma queda que pode comprometer o restante da temporada.



