O início do novo regulamento da Fórmula 1 tem sido um verdadeiro pesadelo para a Aston Martin. A equipe britânica chega a Melbourne para a abertura da temporada de 2026 cercada por rumores de que talvez não consiga completar o GP da Austrália. E o problema parece ir além de desempenho ou confiabilidade: o AMR26 estaria causando lesões nos próprios pilotos.
Adrian Newey, chefe da equipe, confirmou que a dupla Fernando Alonso e Lance Stroll dificilmente completará as 58 voltas do Grande Prêmio por causa das vibrações geradas pelo conjunto da Aston Martin. A informação foi divulgada pelo jornalista Chris Medland.
Carro da Aston Martin causa lesões nos nervos da dupla

Segundo Newey, a oscilação do chassi está afetando diretamente as mãos dos pilotos, com risco de danos permanentes nos nervos caso insistam em completar a corrida. Alonso estima que conseguiria dar, no máximo, 25 voltas. Stroll é ainda mais pessimista: na avaliação do canadense, o limite seguro seria de cerca de 15 voltas.
Os números preocupam, mas a situação poderia ser ainda pior. Aston Martin e Honda conseguiram, entre a pré-temporada e o GP da Austrália, reduzir significativamente as vibrações da bateria, apontada como a origem do problema. O chassi estaria absorvendo as oscilações da unidade de potência e transferindo essas vibrações para o cockpit.
As consequências vão além do desconforto físico. O fenômeno compromete também a confiabilidade e a eficiência do AMR26, algo que ficou evidente durante os testes. Os tempos de volta foram consideravelmente mais lentos — cerca de quatro segundos — nesta fase inicial, o que levanta dúvidas sobre a própria classificação da equipe diante da regra dos 107%.
Newey detalhou que os efeitos das vibrações aparecem em diversas áreas do carro, desde a queda de espelhos retrovisores até falhas no sistema responsável por fornecer potência. Mesmo que a Aston Martin consiga alinhar no grid e completar algumas voltas, terminar a corrida parece improvável no cenário atual.
Não correr representaria quebra do Pacto de Concórdia
Existe ainda um obstáculo importante nas regras da categoria. Equipes não podem simplesmente decidir não largar em um Grande Prêmio de Fórmula 1. O Pacto de Concórdia determina que todas as 11 equipes participem das 24 corridas previstas para a temporada. Descumprir o acordo pode gerar multas pesadas e até comprometer a permanência da equipe no longo prazo.
No início da semana, surgiram especulações de que a Aston Martin estaria considerando ficar fora do GP da Austrália. Caso a escuderia de Silverstone realmente não tenha condições de competir, uma alternativa possível seria alinhar no grid e recolher o carro aos boxes após a primeira volta. Isso evitaria o estresse nos componentes do carro e, teoricamente, não infringiria as normas da categoria.
Um episódio semelhante ocorreu em 2005, embora por motivos fora do controle das equipes. A Michelin não conseguiu fornecer pneus capazes de suportar as exigências impostas pela pista de Indianápolis. Após estouros e acidentes ao longo do fim de semana, todas as equipes equipadas com pneus da fabricante recolheram seus carros depois da volta de formação. Apenas seis carros, todos com pneus da rival Bridgestone, largaram para a corrida.
Há 11 anos, a Marussia F1 Team esteve presente em Melbourne, mas nenhum dos dois pilotos, Roberto Merhi e Will Stevens, foi à pista durante o fim de semana. A equipe esteve à beira da falência no ano anterior e sua participação na temporada 2015 era uma grande incógnita.
Newey mantém otimismo apesar da crise

Mesmo diante do cenário caótico, pouco digno da Fórmula 1 moderna, Newey tenta demonstrar confiança na recuperação da equipe. Segundo ele, a Aston Martin ainda tem potencial para brigar no meio do pelotão assim que resolver os problemas mais críticos.
“Provavelmente somos a quinta melhor equipe no momento, então temos potencial para chegar ao Q3 em termos de chassi. Obviamente não é onde queremos estar, mas acredito que em algum momento da temporada podemos lutar mais à frente”, afirmou.
Em coletiva de imprensa, Koji Watanabe (presidente da Honda Racing Corporation) e Ikuo Takeshi (chefe da divisão de corridas da Honda) reconheceram que corrigir as falhas da unidade de potência será um desafio técnico significativo.. A expectativa dentro da fabricante japonesa é que o conjunto comece a se tornar competitivo apenas na terceira etapa do campeonato, o GP do Japão, corrida disputada em casa para a Honda.
(Foto principal: Zak Mauger/LAT Images via Getty Images)


