Lance Stroll Aston Martin
Automobilismo Fórmula 1

Lance Stroll entra para a história da Fórmula 1 com recorde negativo em Monza

Lance Stroll alcançou uma marca histórica na Fórmula 1 em Monza, mas certamente não da maneira que gostaria. O piloto da Aston Martin foi eliminado novamente no Q1 e se tornou o primeiro competidor a atingir 100 eliminações na primeira fase da classificação desde a introdução do atual formato de três sessões, em 2006.

Stroll terminou a classificação para o GP da Itália na última posição do grid, ficando pouco menos de um décimo de segundo atrás do companheiro de equipe, Fernando Alonso. O espanhol, porém, não conseguiu completar uma última tentativa no fim do Q1, o que tornou a diferença entre os dois ainda menor. A marca negativa de Stroll veio justamente em um fim de semana no qual a Aston Martin voltou a expor uma de suas principais limitações: a falta de velocidade em reta. Mesmo depois de apresentar sinais de evolução no GP da Holanda, a equipe novamente sofreu para acompanhar os rivais em Monza.

Aston Martin sofre com falta de potência em Monza

A situação da equipe britânica começou a ficar evidente desde os primeiros treinos. Apesar das atualizações introduzidas nas últimas etapas, incluindo a nova unidade de potência da Honda e outros componentes que complementaram o pacote apresentado na Hungria, o AMR26 mostrou dificuldades enormes no circuito italiano.

As características de Monza colocaram ainda mais pressão sobre o carro. Com longas retas e poucas curvas, a velocidade máxima é fundamental para conseguir uma volta competitiva. E foi justamente nesse aspecto que a Aston Martin mais sofreu.

Os carros da equipe chegaram a ficar cerca de 20 km/h mais lentos que os Mercedes nas retas, uma diferença que ajudou a explicar o enorme déficit registrado durante o Q1. Ao final da primeira fase da classificação, a Aston Martin estava aproximadamente 2,6 segundos atrás de Pierre Gasly, da Alpine, que foi o piloto responsável por estabelecer o tempo de referência para a passagem ao Q2.

A diferença deixou claro que o problema não estava apenas em um pequeno detalhe de acerto. O AMR26 simplesmente não conseguia gerar a velocidade necessária para competir com os adversários em uma pista tão dependente de potência. E Stroll não demonstrou surpresa com o cenário.

Stroll não espera reação da Aston Martin na corrida

Conhecido por respostas bastante diretas diante das câmeras, Stroll foi novamente econômico ao comentar o desempenho da equipe. O canadense afirmou que o resultado estava dentro das expectativas e não demonstrou grande esperança de uma recuperação durante a corrida de domingo. “Era o que esperávamos [com o motor]. Estamos três segundos atrás, então não vamos conseguir acompanhar o pelotão amanhã”, afirmou.

A declaração resume o tamanho do problema enfrentado pela Aston Martin. Em condições normais, a equipe poderia tentar compensar uma classificação ruim com estratégia, gerenciamento de pneus ou ritmo de corrida. Em Monza, entretanto, a falta de velocidade máxima torna a tarefa ainda mais complicada.

Mesmo que Alonso e Stroll consigam extrair mais do carro durante a prova, a diferença para os concorrentes deve dificultar qualquer tentativa de acompanhar o grupo intermediário. Para Stroll, portanto, o domingo começa com uma missão dupla: tentar deixar para trás a última posição e, ao mesmo tempo, administrar um carro que mostrou uma deficiência clara justamente no tipo de pista em que esse problema é mais difícil de esconder.

O primeiro Q1 de Stroll aconteceu já em sua estreia

O recorde negativo alcançado em Monza também representa uma espécie de resumo da longa trajetória de Stroll na Fórmula 1. A primeira eliminação do canadense no Q1 aconteceu logo em sua estreia na categoria, no GP da Austrália de 2017, quando defendia a Williams.

Na ocasião, Stroll terminou a classificação na última posição e ficou cerca de nove décimos atrás de Marcus Ericsson, que foi o último piloto a avançar para o Q2. A resposta veio já na corrida seguinte. No GP da China, Stroll conseguiu chegar ao Q3, embora sua prova tenha terminado de maneira prematura após um contato com Sergio Pérez na primeira volta.

Pouco depois, o canadense conquistaria seus primeiros pontos na Fórmula 1 diante de sua torcida, no GP do Canadá. Naquele mesmo ano, ele ainda surpreendeu ao conseguir seu primeiro pódio em uma caótica corrida no Azerbaijão. A carreira de Stroll também teve um momento completamente oposto ao recorde alcançado agora em Monza.

Em 2020, durante sua passagem pela Racing Point, o canadense conquistou a pole position no GP da Turquia, aproveitando o forte desempenho do RP20 em condições de pista molhada e uma característica que historicamente favoreceu seu estilo de pilotagem. Naquele ano, inclusive, Stroll não sofreu nenhuma eliminação no Q1. A diferença entre aquele momento e o cenário atual é significativa. O piloto que já conseguiu colocar um carro no topo do grid em uma das classificações mais difíceis de sua carreira agora se tornou o primeiro a atingir a marca de 100 eliminações no Q1 desde 2006.

Recorde negativo aumenta pressão sobre Stroll

A marca alcançada em Monza ganha ainda mais peso porque Stroll segue dividindo a garagem com Alonso, um dos pilotos mais experientes do grid. Embora a diferença entre os dois tenha sido inferior a um décimo nesta classificação, o desempenho geral da Aston Martin deixou os dois muito distantes das primeiras posições. Para Stroll, o resultado representa mais um capítulo complicado em uma temporada na qual a Aston Martin ainda tenta encontrar uma direção competitiva para o projeto.

O problema de Monza, porém, parece ir além do desempenho individual dos pilotos. A enorme perda de velocidade nas retas mostrou que as limitações do conjunto ainda podem aparecer de maneira bastante evidente dependendo das características do circuito.

E o próprio Stroll já deixou claro que não espera uma transformação repentina na corrida. Assim, enquanto Monza prepara mais uma disputa pela vitória, o canadense entra para a história da Fórmula 1 por uma estatística que certamente preferiria não carregar: 100 eliminações no Q1 desde a adoção do atual formato de classificação. Um recorde que dificilmente será motivo de comemoração.

Foto: (Rudy Carezzevoli / Getty Images)