A Aston Martin chega ao GP do Japão de Fórmula 1 com uma pressão extra. Se o AMR23, impulsionado pela unidade de potência da Honda, já tem causado dores de cabeça (e nas mãos) dos pilotos, a corrida em casa da fabricante de motores agrava ainda mais o vexame esperado. Mike Krack, chefe de engenharia de pista da equipe, definiu o objetivo em Suzuka: terminar a corrida com os dois carros.
Nas duas corridas anteriores, em Melbourne e Xangai, os pilotos Fernando Alonso e Lance Stroll não receberam a bandeira quadriculada. A dupla sofreu com a fraca performance e com as fortes vibrações do carro, que chegaram a ameaçar a integridade física dos pilotos. Alonso declarou que, em determinado momento do GP da China, perdeu a sensibilidade nas mãos e nos pés.
Aston Martin dá passos curtos rumo à recuperação

Krack afirmou à imprensa que a Aston Martin e a Honda adotaram medidas em conjunto para mitigar os problemas do conjunto. Para o time, a corrida deste fim de semana será novamente um campo de testes para avaliar a evolução do carro.
O objetivo agora será cruzar a linha de chegada — algo que já se sabia improvável nas duas primeiras provas, já que o chefe de equipe Adrian Newey confirmou, antes mesmo dos eventos, que o número de voltas seria limitado para poupar os pilotos. Agora, Krack e a Aston Martin acreditam que a meta poderá ser alcançada, com base nos progressos feitos até aqui.
O dirigente não comentou sobre desempenho, mas, seguindo a lógica do que foi visto na Austrália e na China, Alonso e Stroll devem disputar com a dupla da Cadillac, Sergio Pérez e Valtteri Bottas, as últimas posições do grid de largada. Em ritmo de classificação, porém, a Aston Martin tem conseguido superar a equipe americana.
Para a Honda, o cenário projetado é humilhante e remete a 2015. Diante dos fãs locais, a marca japonesa está longe do sucesso recente com a Red Bull, marcado sobretudo pelas vitórias de Verstappen.
Engenheiro da Honda garante ter encontrado problema
Shintaro Orihara, engenheiro-chefe de pista da Honda, confirmou que o problema responsável pelos abandonos e pela falta de desempenho foi identificado. Além das vibrações nas baterias, houve escassez de componentes nos fins de semana anteriores, o que prejudicou seriamente as operações da Aston Martin.
“Não podemos melhorar ou mudar a especificação em termos de desempenho, mas coletamos muitos dados na China, analisamos esses dados e implementamos simulações para aprimorar nossa estratégia de gerenciamento de energia para esta corrida”, afirmou Orihara.
A Honda está otimista de que conseguirá se reencontrar, mas, até lá, muitos pontos já terão sido perdidos. Ainda assim, a pausa de 35 dias sem corridas após o GP do Japão deve dar uma folga para a Aston Martin e sua fornecedora de motores trabalharem em cima do problema.
Fora da pista, a equipe britânica vive também uma situação incomum na gestão interna. A passagem de Newey no comando da Aston Martin pode terminar mais cedo do que se esperava, com rumores de que Jonathan Wheatley, recém-saído da Audi, assumirá o cargo. O atual chefe deve seguir na organização, mas focado exclusivamente na parte de desenvolvimento do carro.
(Foto principal: Reprodução / Cidadania Italiana)


