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Aston Villa tem janela agitada; o que podemos esperar da equipe?

O Aston Villa entrou na atual janela de transferências vivendo uma situação que poucos imaginavam quando a última temporada terminou. Depois de conquistar a Liga Europa, acabar com um jejum de 30 anos sem títulos e garantir vaga na próxima edição da Champions League, o clube inglês viu seu elenco sofrer mudanças profundas em poucas semanas. Saídas importantes, uma lesão gravíssima e uma reformulação acelerada mudaram completamente o cenário para Unai Emery.

Em um primeiro olhar, a impressão é de que o Villa perdeu boa parte da base que o levou ao sucesso. Morgan Rogers foi negociado com o Chelsea por 117 milhões de libras, Youri Tielemans acertou sua transferência para o Manchester United, Lucas Digne está próximo de reforçar o Paris Saint-Germain e Amadou Onana rompeu o ligamento cruzado anterior durante a Copa do Mundo defendendo a Bélgica, ficando fora de praticamente toda a temporada.

Apesar do impacto dessas notícias, o momento vivido pelo Aston Villa não precisa ser encarado como o início de um declínio. Pelo contrário. Existe um argumento bastante sólido para acreditar que a equipe apenas antecipou uma reformulação que aconteceria naturalmente nos próximos anos. Agora, a missão de Unai Emery será transformar um período de mudanças em mais um capítulo de crescimento do clube.

Saídas pesam, mas eram difíceis de evitar

A negociação de Morgan Rogers representa, sem dúvida, a perda mais midiática da janela. O atacante evoluiu de forma impressionante desde que chegou ao Aston Villa em 2024, deixando rapidamente o status de promessa para se transformar em um dos jogadores mais decisivos da Premier League. Foram 14 gols em 55 partidas na última temporada, além de atuações marcantes na campanha do título da Liga Europa, desempenho suficiente para despertar o interesse dos principais gigantes do futebol inglês.

Quando uma proposta de 117 milhões de libras chegou à mesa da diretoria, recusá-la seria extremamente complicado. Além do enorme retorno financeiro, o clube sabia que dificilmente receberia uma oferta superior por um jogador que atingiu sua máxima valorização no mercado. É o tipo de venda que dói esportivamente, mas faz sentido quando o planejamento de médio e longo prazo entra em pauta.

Já a saída de Youri Tielemans talvez seja ainda mais delicada dentro das quatro linhas. O belga era muito mais do que um meio-campista técnico. Funcionava como o cérebro da equipe, controlando o ritmo dos jogos, distribuindo passes entre as linhas e oferecendo equilíbrio para que os jogadores ofensivos atuassem com liberdade. Os números deixam clara essa influência: quando Tielemans esteve em campo, o Aston Villa venceu 53% de suas partidas na última temporada. Sem ele, esse índice caiu para 41%, mostrando o tamanho da lacuna deixada em Birmingham.

Lesão de Onana aumenta o desafio para Emery

Se perder jogadores por grandes transferências já exige planejamento, conviver com uma lesão grave torna o cenário ainda mais complicado. Amadou Onana rompeu o ligamento cruzado anterior enquanto defendia a Bélgica na Copa do Mundo e praticamente não entrará em campo nesta temporada. A notícia representou mais um problema para um setor que já passava por mudanças importantes.

Onana oferecia força física, intensidade e qualidade na proteção da defesa, características fundamentais em uma equipe que disputa simultaneamente Premier League, Champions League e copas nacionais. Sua ausência obriga Emery a buscar alternativas dentro do elenco e também acelera a necessidade de reforços para o meio-campo.

Mesmo assim, o treinador espanhol já mostrou diversas vezes que sabe reorganizar equipes após perdas importantes. Ao longo da carreira, precisou substituir jogadores decisivos em diferentes clubes e quase sempre encontrou soluções competitivas sem alterar sua identidade de jogo.

Aston Villa respondeu rapidamente no mercado

Se existe um aspecto que transmite confiança ao torcedor do Aston Villa, é a velocidade com que o clube passou a agir após as saídas. Em vez de esperar o mercado avançar, a diretoria iniciou imediatamente a busca por peças capazes de renovar o elenco e reduzir a média de idade da equipe.

A principal contratação até aqui foi Johan Manzambi, adquirido junto ao Freiburg por cerca de 59,5 milhões de libras. Aos 20 anos, o suíço chega cercado de expectativa depois de se destacar na Copa do Mundo. Antes de sofrer uma lesão nas quartas de final contra a Argentina, marcou dois gols, distribuiu duas assistências e chamou atenção pela facilidade para atuar em diferentes funções do meio para frente.

Essa versatilidade parece ter sido um dos fatores que mais agradaram Unai Emery. O treinador sempre valorizou jogadores capazes de ocupar diferentes espaços durante a partida e adaptar suas funções conforme o adversário. Manzambi reúne exatamente essas características e chega com potencial para se tornar um dos protagonistas do novo projeto do Aston Villa.

Outro reforço importante é João Gomes. O brasileiro deixa o Wolverhampton para acrescentar intensidade, marcação e muita competitividade ao setor de meio-campo. Embora tenha características diferentes das de Tielemans, oferece uma dinâmica que pode tornar a equipe ainda mais agressiva na recuperação da posse de bola. Além disso, o clube segue negociando a chegada de João Palhinha por empréstimo, movimento que aumentaria a experiência e a liderança em um setor bastante remodelado.

Retorno de Kamara pode mudar o cenário no Villa

Nem toda boa notícia depende de contratações. Boubacar Kamara, afastado desde janeiro por conta de uma grave lesão no joelho, está próximo de retornar aos gramados e pode ser uma espécie de “reforço caseiro” para Emery. O volante deverá assumir a camisa 8 anteriormente utilizada por Tielemans e tende a recuperar rapidamente seu espaço entre os titulares.

Quando está em boas condições físicas, Kamara oferece exatamente o equilíbrio que qualquer treinador procura em um volante moderno. Tem capacidade para proteger a defesa, iniciar a construção das jogadas e permitir que jogadores mais criativos atuem com maior liberdade no ataque. Sua recuperação pode diminuir consideravelmente o impacto provocado pela saída do belga.

Emery já mostrou que sabe reconstruir equipes vencedoras

Talvez o principal motivo para acreditar no Aston Villa seja justamente quem está no comando. Unai Emery construiu sua carreira mostrando enorme capacidade para reorganizar elencos, superar momentos turbulentos e extrair o máximo de jogadores que, muitas vezes, não eram considerados protagonistas.

Foi exatamente isso que aconteceu quando assumiu o Aston Villa. A equipe vivia um momento complicado na Premier League e, em pouco tempo, passou a disputar competições europeias, conquistar a Liga Europa e voltar à Champions League. Nem mesmo o início ruim da última temporada abalou definitivamente o projeto. O time passou quatro rodadas sem marcar um único gol no campeonato inglês, mas conseguiu dar a volta por cima e terminou levantando uma taça continental.

Esse histórico mostra que Emery dificilmente enxergará esta janela apenas como uma sequência de perdas. Muito provavelmente, verá uma oportunidade para montar uma equipe ainda mais adaptada às suas ideias de jogo, aproveitando o investimento feito pela diretoria e a chegada de jogadores jovens com margem para evolução.

O que esperar do Aston Villa?

É natural imaginar que o Aston Villa passe por um período de adaptação nos primeiros meses da temporada. Afinal, substituir jogadores do nível de Morgan Rogers e Tielemans nunca acontece de forma imediata. O entrosamento precisará ser reconstruído, os novos reforços terão de se adaptar ao modelo de jogo e alguns resultados podem demorar a aparecer.

Por outro lado, a impressão deixada pelo mercado é de que existe um planejamento bastante claro. O clube aproveitou vendas milionárias para renovar um elenco que já figurava entre os mais experientes da Premier League, trouxe jogadores jovens com enorme potencial e manteve um treinador reconhecido justamente por desenvolver talentos e construir equipes extremamente competitivas.

Talvez o Aston Villa não repita exatamente a mesma campanha da temporada passada. Isso faz parte de qualquer processo de renovação. Ainda assim, tudo indica que o clube está longe de viver uma crise. A janela foi intensa, exigiu decisões difíceis e mudou o perfil do elenco, mas também abriu espaço para um novo ciclo. Se Unai Emery conseguir repetir o trabalho realizado nos últimos anos, o torcedor tem motivos para acreditar que essa reconstrução poderá render novos capítulos de sucesso em Birmingham.

Foto: Getty Images