O Athletico vive um momento crítico. A equipe, tradicional presença na Série A nos últimos anos, iniciou a temporada 2025 de maneira decepcionante na Série B, com um desempenho abaixo do esperado e, consequentemente, a demissão de seu então treinador Maurício Barbieri. A diretoria agiu rápido e anunciou Odair Hellmann como novo comandante. A escolha, no entanto, divide opiniões.
Por um lado, Hellmann é um técnico com experiência, capaz de organizar rapidamente uma equipe em crise. Por outro, seu histórico na elite do futebol brasileiro levanta dúvidas sobre sua capacidade de conduzir um projeto de longo prazo, especialmente um que visa o retorno e a consolidação na Série A.
A crise que exigia ação no Athletico
O Athletico foi rebaixado em 2024 de forma surpreendente. Um clube estruturado, com categorias de base fortes e investimento constante em gestão, viu o elenco fracassar e não resistir ao ritmo intenso do Brasileirão. Esperava-se que a equipe iniciasse 2025 como favorita ao acesso imediato. Porém, após as primeiras rodadas da Série B, o cenário se mostrou desolador: resultados ruins, desempenho fraco e pressão interna crescente.
Com a saída do antigo treinador, a diretoria do Athletico precisava de um nome com perfil de “ajustador de rota”. Alguém que entendesse os desafios do futebol brasileiro e conseguisse fazer o básico funcionar. Foi aí que surgiu o nome de Odair Hellmann.
Ex-volante, Hellmann iniciou sua carreira como treinador no Internacional, onde teve certo destaque ao conduzir o time ao 3º lugar do Brasileirão de 2018. Desde então, passou por Fluminense, Al-Wasl (Emirados Árabes), Santos e, mais recentemente, pelo futebol árabe novamente.
O técnico é conhecido por um estilo pragmático, disciplinado e de baixa exposição ofensiva. Suas equipes são organizadas, mas raramente encantam. Ele valoriza a compactação entre os setores, aposta em transições rápidas e costuma ser conservador nas escolhas táticas. Costuma atuar com formações como o 4-1-4-1 ou o 4-2-3-1, dando solidez defensiva, mas, muitas vezes, limitando a criatividade do setor ofensivo.
No Fluminense, por exemplo, embora tenha montado uma equipe competitiva, sofreu críticas por insistir em jogadores veteranos e não explorar o potencial criativo do elenco. No Santos, sua passagem foi curta e marcada por más atuações, sendo demitido após uma campanha decepcionante no Campeonato Paulista de 2023.
Por que a contratação de Hellmann faz sentido agora?
Apesar das críticas ao seu estilo, há um consenso: Odair Hellmann sabe organizar times que estão perdidos taticamente. E é exatamente o que o Athletico precisa neste momento. A equipe paranaense não apresenta padrão de jogo, sofre defensivamente e mostra pouca agressividade no setor ofensivo.
Para uma campanha de acesso na Série B, organização tática, consistência e um plano de jogo objetivo são elementos fundamentais, e isso Hellmann pode entregar. Seu histórico sugere que ele pode ser o técnico certo para apagar o incêndio, reencontrar a disciplina dentro de campo e transformar uma equipe instável em um time competitivo e seguro.
O desafio mais imediato de Odair será recuperar o ânimo do elenco e ajustar a linha defensiva. Os erros individuais e coletivos vêm custando pontos preciosos nas rodadas iniciais. Além disso, o setor ofensivo do Athletico, que deveria ser um diferencial na Série B, vem sendo previsível e improdutivo. O treinador terá que encontrar soluções rápidas, talvez apostando em mais nomes da base para trazer energia e profundidade.
Mas ele é o nome para o futuro?
Se a chegada de Odair Hellmann parece adequada para salvar o presente, dificilmente pode ser encarada como uma aposta para o futuro. Em todos os clubes da Série A por onde passou, Hellmann teve dificuldades para manter bons resultados no longo prazo. Sua equipe tende a começar bem organizadamente, mas com o tempo sofre com a previsibilidade e falta de repertório ofensivo. Em torneios mais exigentes, como o Brasileirão ou a Libertadores, suas limitações táticas ficam mais expostas.
Ou seja: ele pode até ser o homem certo para garantir o acesso em 2025, mas dificilmente será o comandante ideal para um Athletico de Série A que almeje mais do que apenas permanecer na elite. Isso exigirá um treinador mais ousado, com maior capacidade de leitura de jogo e variação de modelos.
O torcedor e a diretoria precisam entender que essa é, muito provavelmente, uma solução emergencial — e não uma construção de longo prazo. Se o objetivo for subir e, em 2026, disputar a Série A como protagonista, será necessário pensar em um novo perfil de treinador ao fim da temporada.
Por ora, o foco do Athletico é simples: vencer, pontuar e subir. Depois, será hora de sonhar mais alto, talvez com alguém que pense o futebol com mais ousadia do que disciplina.
(Foto: José Tramontin/Athletico)