O Athletico Paranaense conseguiu a classificação diante do Atlético Goianiense, respirou aliviado e evitou um problema ainda maior na temporada. Só que a sensação deixada após o apito final passou longe de empolgação em Curitiba.
O Furacão avançou, mas novamente jogando um futebol que parece travado, previsível e sem qualquer sensação de evolução real.
E talvez esse seja justamente o ponto mais preocupante do momento atual do time de Odair Hellmann: o Athletico até compete, até sobrevive, mas raramente convence. A classificação veio. O desempenho, não.
O Athletico continua dependendo demais de Viveros
Mesmo titular contra o Atlético-GO, Kevin Viveros pouco conseguiu produzir individualmente. Bem marcado, com pouca bola limpa chegando e novamente precisando lutar quase sozinho contra os zagueiros, o colombiano teve atuação discreta.
Só que, curiosamente, isso talvez reforce ainda mais um problema coletivo do Athletico. Porque mesmo sem brilhar, Viveros continua sendo praticamente o único jogador do elenco que oferece profundidade constante, presença física e sensação de perigo real no ataque.
E isso já ficou evidente em outros momentos da temporada. Nas partidas em que o colombiano esteve fora ou fisicamente limitado, o Athletico caiu drasticamente de produção ofensiva. O time fica mais lento, mais previsível e muito menos agressivo atacando espaço.
Contra o Atlético-GO, mesmo sem uma grande atuação do camisa 9, dava para perceber como o sistema ofensivo tenta respirar através dele. O problema é que, quando Viveros não consegue resolver sozinho, o restante do ataque raramente consegue compensar.
E aí surge uma questão preocupante: até que ponto um time que sonha alto pode depender tanto de um único perfil de jogador?
O problema vai além do centroavante
Claro que seria injusto colocar na conta de Viveros um desempenho coletivo abaixo novamente. O grande problema do Athletico está justamente no fato de o time criar muito pouco para seus atacantes. O Furacão tem posse, circula a bola e até consegue ocupar o campo ofensivo durante vários momentos das partidas. Mas quase tudo acontece em ritmo lento demais.
Sem intensidade. Sem criatividade. Sem ruptura.
O meio-campo raramente acelera jogadas em direção ao gol, os pontas recebem muitas vezes engessados e o centroavante acaba isolado entre os defensores. Resultado: o time vive de cruzamentos previsíveis, jogadas espaçadas e pouca pressão real sobre os adversários.
E isso voltou a acontecer contra o Atlético-GO. O Athletico parecia controlar o jogo em alguns momentos, mas sem transmitir qualquer sensação de domínio verdadeiro. É aquele tipo de controle que deixa o torcedor nervoso justamente porque um erro muda tudo.
Odair ainda não conseguiu dar identidade ao time
Existe uma dificuldade clara em entender exatamente qual é a proposta definitiva desse Athletico de Odair Hellmann. A equipe tenta ser organizada defensivamente, mas não pressiona alto com frequência. Tenta controlar posse, mas cria pouco. Tenta ser segura, mas frequentemente sofre quando acelerada pelos adversários.
Falta uma identidade mais forte. E talvez o maior símbolo disso seja justamente a dificuldade do Furacão em transformar jogos teoricamente controlados em partidas tranquilas. O time raramente “amassa” adversários. Raramente empilha chances. Raramente mata confrontos cedo. Tudo parece sempre extremamente complicado.
Contra o Atlético-GO, novamente o Athletico jogou como uma equipe que parecia mais preocupada em não perder do que verdadeiramente determinada a impor seu futebol.
O torcedor entende sofrimento, mas quer evolução
Ninguém espera facilidade em mata-mata. Muito menos no futebol brasileiro atual, onde praticamente qualquer confronto pode virar caos em poucos minutos. Só que existe uma diferença importante entre sofrer ocasionalmente e viver permanentemente no limite.
Hoje, o Athletico transmite sensação de instabilidade até quando vence. E isso começa a gerar desconforto. Principalmente porque o clube criou nos últimos anos uma imagem de time agressivo, intenso e emocionalmente forte dentro da Ligga Arena.
O atual Furacão parece mais burocrático. Mais travado. Mais inseguro.
A classificação evita uma crise maior e mantém o calendário vivo, claro. Mas ela não apaga os sinais preocupantes que continuam aparecendo rodada após rodada.
Athletico segue vivo, mas ainda longe de convencer
No fim das contas, o Athletico sobreviveu. E em mata-mata, sobreviver sempre importa.
Só que o futebol apresentado continua deixando a sensação de que o time joga abaixo do potencial que possui. Existe elenco para produzir mais. Existe estrutura para competir melhor. Existe capacidade para entregar um desempenho muito mais convincente.
Kevin Viveros acaba simbolizando um pouco esse cenário inteiro. Mesmo quando joga mal, sua importância fica evidente. E isso não necessariamente é um elogio ao atacante. Talvez seja muito mais um alerta sobre o quanto o coletivo ainda depende pouco de ideias e demais de soluções individuais.
O Furacão continua avançando. Mas, neste momento, parece um time que ainda está procurando a própria identidade no meio da temporada e isso raramente termina sem turbulência.
Foto: Divulgação/Athletico-PR