O Atlético-MG segue vivo na Copa do Brasil do jeito que parece ter se acostumado nesta temporada: sofrendo até o último segundo. Depois do empate sem gols no jogo de ida, na Arena MRV, o Galo venceu o Juventude por 1 a 0, no Alfredo Jaconi, graças ao gol de Alan Minda praticamente no último lance da partida, garantindo vaga nas quartas de final. O roteiro repetiu o que já havia acontecido contra o Ceará na fase anterior, quando a equipe precisou de um gol nos minutos finais para levar a decisão aos pênaltis antes de avançar.
Se o desempenho ainda está distante daquele esperado para um elenco tão caro, o Atlético também mostra uma característica extremamente valorizada em competições eliminatórias: a capacidade de sobreviver. E essa classificação ganha ainda mais importância porque coincide com um momento em que a diretoria trabalha para elevar o nível do elenco com as possíveis chegadas de Kevin Castaño e Fred, dois reforços que podem mudar o patamar do meio-campo alvinegro justamente na reta decisiva da temporada.
Atlético ainda sofre para transformar domínio em oportunidades
Eduardo Domínguez voltou a mexer na estrutura da equipe. Alan Franco e Cissé ganharam espaço no meio-campo, enquanto Cuello entrou no ataque, modificando não apenas os nomes, mas também o posicionamento da equipe. O treinador congestionou o setor central, aproximou Bernard, Victor Hugo e Cissé e deu mais liberdade para os laterais participarem da construção ofensiva.
A ideia funcionou parcialmente. O Atlético conseguiu controlar boa parte da posse de bola e limitou os espaços do Juventude durante diversos momentos da partida, mas voltou a apresentar um problema recorrente: transformar domínio territorial em chances claras de gol.
O primeiro tempo foi equilibrado. A melhor oportunidade atleticana surgiu na cabeçada de Cuello, que acertou o travessão após boa combinação pelo lado esquerdo. Do outro lado, o Juventude respondeu principalmente nas bolas aéreas e exigiu boas intervenções de Everson, que novamente apareceu como um dos protagonistas da classificação.
Na etapa final, o cenário pouco mudou. O Atlético aumentou a pressão, empurrou o adversário para trás, recuperou bolas no campo ofensivo e criou situações interessantes, mas voltou a pecar na tomada de decisão e na conclusão das jogadas. Natanael desperdiçou uma boa oportunidade ao preferir finalizar em vez de servir um companheiro, enquanto Bernard também não conseguiu aproveitar um raro momento de liberdade na entrada da área.
Quando o Juventude cresceu novamente na partida, Everson apareceu para fazer uma defesa decisiva após cabeçada de Marcos Paulo, mantendo o jogo aberto até os instantes finais.
O gol da classificação nasceu praticamente no apagar das luzes. Lyanco lançou a bola para a área nos últimos segundos, a defesa gaúcha falhou no corte e Alan Minda apareceu atento para aproveitar a sobra e garantir a classificação atleticana. Foi uma vitória construída muito mais na insistência do que na qualidade técnica.
Reforços podem elevar o patamar do Atlético no mata-mata
Apesar da classificação, o Atlético sabe que precisará evoluir se quiser conquistar a Copa do Brasil. A equipe ainda apresenta dificuldades para acelerar a circulação da bola, criar entre linhas e oferecer maior presença ofensiva no terço final. É justamente nesse contexto que entram os movimentos da diretoria no mercado.
Kevin Castaño surge como o principal alvo para reforçar o meio-campo. O colombiano, atualmente no River Plate, é visto internamente como um volante capaz de organizar a saída de bola, controlar o ritmo da partida e oferecer mais qualidade na construção das jogadas. Trata-se de um perfil que o elenco ainda não possui de maneira consolidada e que pode facilitar o trabalho ofensivo da equipe, reduzindo justamente um dos maiores problemas apresentados contra o Juventude.
Já Fred representa outro tipo de reforço. Aos 33 anos, o volante conhece o clube, possui identificação com a torcida e agregaria liderança, intensidade e capacidade de pressionar sem a bola. Além disso, sua experiência em grandes jogos pode ser um diferencial em uma competição de mata-mata, onde equilíbrio emocional costuma ser tão importante quanto desempenho técnico.
Os dois jogadores, inclusive, não seriam concorrentes diretos. Enquanto Castaño tende a assumir funções mais ligadas à construção e ao primeiro passe, Fred pode atuar como um volante de maior mobilidade, pressionando adversários e acelerando as transições.
Essa combinação pode tornar o meio-campo muito mais completo. O histórico recente mostra que Domínguez consegue montar equipes extremamente competitivas em confrontos eliminatórios. Mesmo quando o desempenho coletivo não encanta, seus times costumam apresentar organização defensiva, competitividade e capacidade de decidir jogos apertados. Contra Ceará e Juventude, o Atlético encontrou maneiras diferentes de sobreviver sob pressão.
Naturalmente, apenas reforços não resolvem todos os problemas. O Galo ainda precisa aumentar sua eficiência ofensiva, melhorar o aproveitamento das chances criadas e depender menos das grandes atuações de Everson para seguir avançando.
Ainda assim, uma eventual chegada de Kevin Castaño e Fred pode alterar significativamente a percepção sobre o potencial da equipe nesta Copa do Brasil. O elenco já conta com jogadores experientes como Hulk, Bernard, Alan Franco, Lyanco, Renan Lodi e Everson, além de atletas capazes de decidir partidas equilibradas.
Se conseguir encaixar essas novas peças e corrigir a falta de criatividade demonstrada nas últimas partidas, o Atlético poderá reunir exatamente aquilo que costuma definir campanhas vencedoras em torneios eliminatórios: um sistema defensivo sólido, um meio-campo mais qualificado e jogadores experientes para decidir nos momentos de maior pressão.
A classificação diante do Juventude mostrou que o futebol do Galo ainda está longe do ideal. Mas também reforçou uma característica comum aos campeões de mata-mata: a capacidade de permanecer vivo mesmo quando não joga seu melhor futebol. Se os reforços confirmarem as expectativas, o Atlético pode entrar nas quartas de final com um elenco mais equilibrado e credenciais ainda mais fortes para disputar o título da Copa do Brasil.
(Foto: Pedro Souza/Atlético)



