Poucas equipes chegaram à temporada de 2026 da F1 diante de um desafio tão grande quanto a Audi. A fabricante alemã precisou desenvolver sua nova unidade de potência completamente do zero, ao mesmo tempo em que expandia e reestruturava a antiga organização da Sauber para atender às novas exigências do projeto.
Dentro desse contexto, a estreia da Audi na Austrália foi considerada extremamente positiva. Gabriel Bortoleto conseguiu avançar ao Q3 da classificação e terminou a corrida na nona posição, conquistando pontos para a equipe em sua primeira participação na temporada.
O resultado foi tão positivo que superou as expectativas internas da própria equipe. Desde então, porém, a situação se tornou mais complicada e a Audi ainda não voltou a pontuar. Mesmo assim, os resultados mostram que a equipe tem estado muito próxima desse objetivo.
Em cinco das seis corridas seguintes, Gabriel Bortoleto ou seu companheiro de equipe, Nico Hulkenberg, terminaram na 11ª posição. Na única exceção, o melhor carro prateado da equipe cruzou a linha de chegada em 12º lugar.
Essa sequência de resultados não representa totalmente o potencial do conjunto desenvolvido pela Audi. O desempenho do carro em diversas ocasiões demonstrou competitividade, enquanto o elevado número de abandonos registrado em algumas corridas abriu oportunidades para que equipes do pelotão intermediário conquistassem pontos importantes.
Mesmo assim, a equipe não conseguiu transformar essas oportunidades em resultados concretos. As duas corridas mais recentes foram exemplos claros dessa situação, especialmente para Nico Hulkenberg, que viu boas chances escaparem por circunstâncias diversas.
Oportunidades importantes foram perdidas nas últimas corridas
No GP de Mônaco, Hulkenberg teve sua sessão classificatória prejudicada por danos aerodinâmicos no carro. Apesar desse contratempo, realizou uma corrida sólida e cruzou a linha de chegada na nona posição.
Entretanto, o piloto recebeu uma punição por uma colisão envolvendo Carlos Sainz, resultado que acabou derrubando sua colocação para o 13º lugar. Na etapa seguinte, disputada na Espanha, Hulkenberg voltou a demonstrar bom desempenho. O piloto classificou-se em nono lugar e disputava posição com Liam Lawson durante a corrida quando aconteceu um incidente extremamente incomum.
Uma pedra lançada pelo carro do piloto neozelandês atingiu o interruptor de emergência do carro da Audi, desligando o sistema e provocando o abandono de Hulkenberg. Enquanto isso, Lawson seguiu na prova e terminou na oitava posição.
As oportunidades desperdiçadas têm sido motivo de frustração dentro da equipe, especialmente para Allan McNish, que assumiu o cargo de Diretor de Corridas da Audi em abril. “Certamente estamos um pouco frustrados depois de hoje”, afirmou McNish no domingo, em Barcelona.
Ele também relembrou a corrida em Mônaco. “E também depois de Mônaco, porque lá tínhamos mais alguns pontos, mas eles foram retirados com a penalidade aplicada ao Nico, que acreditamos ter sido muito severa. Mas as decisões dos comissários são decisões dos comissários e precisamos aceitá-las.”
Apesar dos contratempos, McNish considera que o desempenho atual do carro mostra sinais positivos. “No geral, temos um nível de desempenho que está batendo à porta do Q3. Com o tempo, essas boas atuações nas classificações e esse potencial vão se transformar em resultados. É uma questão de concentrarmos nossos esforços nas áreas em que ainda precisamos trabalhar para garantir que isso aconteça.”
Unidade de potência é considerada a principal área de atenção
Não é segredo dentro da equipe que a unidade de potência da Audi ainda apresenta desempenho inferior ao de seus concorrentes. O chefe do projeto de Fórmula 1 da Audi, Mattia Binotto, já admitiu que essa diferença pode representar uma perda de até um segundo por volta, enquanto Allan McNish reconhece que a evolução exigirá tempo. “Sabíamos que a primeira temporada da unidade de potência sempre seria difícil, já que ela foi construída completamente do zero”, explicou McNish.
Segundo ele, a equipe já conseguiu avanços importantes em algumas áreas do projeto. “Acredito que trabalhamos bastante em determinados aspectos e melhoramos significativamente.”
McNish afirmou ainda que a Audi continua buscando extrair o máximo do equipamento disponível. “Podemos otimizar aquilo que temos no momento. De maneira geral, o hardware está homologado, então existe um limite para as modificações possíveis. Mas certamente estamos otimizando e evoluindo, e nossa consistência está muito melhor do que no início da temporada.”
Mesmo com as limitações impostas pelas regras técnicas, a equipe acredita que ainda existe espaço para aperfeiçoamentos que possam melhorar o desempenho ao longo do campeonato. O trabalho atual está concentrado em tornar o conjunto mais eficiente e confiável, enquanto soluções mais amplas são desenvolvidas para o futuro. A expectativa da equipe é que a evolução aconteça gradualmente, acompanhando a maturação do projeto iniciado nesta temporada.
Pilotos reconhecem limitações atuais e apostam no futuro do projeto
Os pilotos da Audi demonstram estar conscientes de que fazem parte de um projeto de longo prazo e entendem que o progresso ocorrerá em etapas. Nico Hulkenberg avaliou a situação atual da equipe de forma realista. “Somos razoáveis, somos competitivos no pelotão intermediário. Mas, se compararmos com as principais equipes e os melhores carros, ainda não estamos nesse nível. Ainda há muito trabalho a ser feito no chassi e na parte aerodinâmica.”
O piloto também destacou que a estrutura da Audi oferece possibilidades importantes para o desenvolvimento futuro. “Com a ADUO em funcionamento, existem possibilidades e opções, e sei que na fábrica eles já estão trabalhando em soluções de médio e longo prazo, além de diferentes conceitos para o motor.”
Gabriel Bortoleto compartilhou uma visão semelhante sobre o momento vivido pela equipe. “Está claro que temos um chassi muito forte. Ainda não é um chassi capaz de vencer campeonatos. Ainda não temos um carro que, se tivesse um grande motor, pudesse vencer corridas. Mas temos um chassi que hoje é muito competitivo.”
O brasileiro também comentou a diferença de desempenho da unidade de potência. “Também está claro, pelos dados da ADUO, que temos um déficit no motor. Estamos perdendo bastante tempo por volta. Acho que o Mattia já mencionou anteriormente que essa diferença pode ultrapassar um segundo por volta, dependendo do circuito.”
Bortoleto ressaltou que essa avaliação não representa um exagero. “E isso não é exagero. Essa é a verdade sobre a nossa situação atual, e é algo normal, porque esta é a primeira temporada do nosso motor.”
As declarações dos pilotos e dos dirigentes mostram que a Audi reconhece suas limitações atuais, mas também acredita que a combinação entre um chassi competitivo e o desenvolvimento contínuo da unidade de potência poderá permitir avanços importantes ao longo do projeto na Fórmula 1.
Foto: (Fórmula 1)



