Mais uma vez, o Masters 1000 de Montreal não contará com a presença de Carlos Alcaraz, Jannik Sinner e Novak Djokovic. É uma situação que volta a expor os problemas do calendário da ATP, com três dos maiores tenistas da atualidade preferindo ficar de fora da disputa. Dessa vez, quem chamou a atenção sobre o assunto não foi um tenista.
Em um comunicado enviado ao The Canadian Press, a diretora do torneio, Valerie Tetreault, expressou sua frustração com as ausências dos tenistas: “Obviamente estamos muito desapontados que Jannik e Novak não estarão se juntando a nós em Montreal neste ano, especialmente depois que eles também desistiram do torneio do ano passado em Toronto.”
“Respeitamos as decisões deles e entendemos que, com um calendário tão exigente, a saúde dos atletas deve continuar sendo a prioridade. Dito isso, acreditados que a frequência dessas desistências de última hora nos últimos anos levanta uma questão mais ampla para o nosso esporte.”
“Os eventos Masters 1000 estão entre os mais importantes do circuito e os fãs, com razão, esperam ver os melhores do mundo na competição. Já estamos em discussão com a ATP para garantir que esse assunto receba a devida atenção.”
E Tetreault ainda acrescentou, mostrando uma certa concordância com as reclamações dos tenistas: “Acreditamos firmemente que mudanças serão necessárias em um futuro próximo para proteger a integridade dos nossos Masters 1000, sem deixar de lado as realidades enfrentadas pelos atletas.”

Montreal e Cincinnati seguidos
São dois Masters 1000 em sequência, com Montreal terminando na quinta-feira e o outro já iniciando no mesmo dia. Ou seja, se um tenista chega até a final no Canadá, terá poucos dias de descanso para a disputa nos Estados Unidos, pois estrearia no último dia possível para a primeira rodada. Desde o começo, é algo que tem sido reclamado pelos atletas.
Mesmo assim, a ATP manteve as competições com 12 dias, assim como outros sete Masters 1000. Esse é um fator que gera diversas críticas sobre o calendário, já que deixa as disputas uma em cima da outra. O Miami Open e Indian Wells, por exemplo, passam por algo similar, mas com uma diferença significativa.
As disputas em Indian Wells terminam em um domingo e a chave principal do Miami Open na quinta-feira para os homens e na terça-feira para as mulheres. Contudo, com exceção da final feminina, nenhuma outra tenista entra em quadra depois da sexta-feira anterior na Califórnia. Assim, ainda há alguns dias de descanso.
Isso não acontece com as partidas no Canadá e em Cincinnati, o que congestiona o calendário antes do US Open. Sendo o último Grand Slam da temporada, nenhum atleta quer chegar cansado e com o físico destruído.
Reclamações não são recentes
Nos últimos anos, diversos tenistas já apontaram problemas com o calendário. Aryna Sabalenka, Novak Djokovic, Iga Swiatek, entre vários outros, já expuseram suas opiniões e críticas sobre o assunto. Em setembro de 2024, Carlos Alcaraz chegou a afirmar, de forma bem direta: “Eles vão nos matar de alguma forma.”
No contexto de sua fala, o espanhol reclamava sobre como o calendário puxado contribui para a quantidade de lesões dos atletas. Mesmo assim, tanto a ATP quanto a WTA decidiram focar no ganho financeiro, deixando de lado as preocupações dos jogadores. Agora, a situação tem se tornado cada vez mais insustentável no circuito.
Foto: Corinne Dubreuil/ATP Tour


