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Bahia não vai demitir Rogério Ceni; Confira os motivos para a permanência do técnico

Rogério Ceni deve se manter no cargo de técnico do Bahia. Apesar da eliminação, nesta quarta-feira (13), na Copa do Brasil para o Remo e da sequência de resultados ruins no Brasileirão, demitir o treinador não é algo que a diretoria do clube deve realizar, pelo menos por agora. Mesmo com forte pressão da torcida, com direito a protestos, a escolha do Grupo City em manter Ceni não é apenas teimosia, mas sim resultado de um conjunto de fatores ligados ao planejamento a longo prazo do Tricolor de Aço.

Ceni assumiu o comando do Bahia em setembro de 2023, após a saída turbulenta de Renato Paiva. O ex-goleiro assumiu a equipe em um momento complicado, com o time na 16ª posição do Brasileirão, problemas de vestiário e falhas de comunicação envolvendo o treinador português, além de resultados aquém do esperado. O Grupo City contratou Rogério não somente na esperança de bons resultados, mas também para acalmar um ambiente inflamado e poder tocar o projeto com estabilidade. Ceni evitou o rebaixamento no Campeonato Brasileiro e restabeleceu a conexão entre o time e a torcida, que estava desgastada.

Sob o comando do treinador, o Bahia voltou a se classificar para a Copa Libertadores, feito que não conseguia desde 1988, e também introduziu de forma eficiente o Jogo de Posição, que era o modelo buscado pelo Grupo City para o Tricolor. Além disso, Rogério conquistou o Campeonato Baiano de 2025 e 2026, a Copa do Nordeste de 2025 e mantém o clube na parte superior da tabela do Brasileirão desde 2024. Para a diretoria, o balanço de Rogério Ceni no comando é positivo, e a fase atual é vista como uma oscilação natural dentro do processo de crescimento da instituição.

Estabilidade no Campeonato Brasileiro

Mesmo com o desempenho ruim nas Copas e a fase ruim de resultados, o Bahia é o atual 6º colocado na tabela do campeonato, com 22 pontos somados, somente dois abaixo do São Paulo, que ocupa o 4º lugar e está se classificando diretamente para a fase de grupos da Libertadores até o momento. Nos últimos 10 jogos no Campeonato Brasileiro, o Tricolor venceu quatro, empatou dois e perdeu quatro. Mesmo com a oscilação, o clube se mantém no G6, buscando uma vaga na maior competição do continente pelo 3º ano consecutivo.

As rodadas iniciais asseguram o Bahia nesta colocação, tendo um bom desempenho como visitante, com vitórias importantes sobre o Corinthians, na Neo Química Arena; o Vasco, em São Januário; e o Internacional, no Beira-Rio. Apesar das falhas defensivas e da quantidade de gols sofridos nas últimas partidas, demitir Rogério Ceni agora, com o Brasileirão em andamento, poderia desestabilizar toda uma estrutura criada pelo clube, que já se mostrou competitiva.

Rogério Ceni tem boa relação no vestiário

Independentemente das oscilações, os jogadores do Bahia já demonstraram o quanto confiam no trabalho do treinador e vice-versa. Diferentemente de outras equipes, nas quais resultados ruins balançam o técnico no cargo, os jogadores do Tricolor demonstram confiança nas ideias táticas. Rogério Ceni é visto como uma liderança por todos dentro do elenco, não apenas pela sua carreira extremamente vitoriosa como jogador, mas também por tudo o que já apresentou como técnico, chegando a conquistar títulos por diferentes equipes e também pelo clube. A decisão de demitir Rogério deve ser vista com cautela, tanto pelo bom ambiente no vestiário quanto pela capacidade de conseguir extrair mais dos jogadores do time.

Falta de opções no mercado

Além dos motivos citados, a falta de opções de técnicos disponíveis também garante a permanência de Rogério Ceni. Se o Bahia demitir o treinador, encontraria dificuldades na busca por um técnico que realizasse a implementação de jogo desejada pelo Grupo City, que pudesse manter uma boa relação com todos do clube e com a torcida, além de ser competitivo.

As melhores opções no futebol brasileiro já estão empregadas, e contratar um técnico estrangeiro para manter a filosofia do Jogo de Posição no clube demandaria tempo de adaptação. Por isso, o Grupo City prefere manter Rogério Ceni e dar ao técnico a possibilidade de realizar os ajustes necessários na equipe do que tomar uma ação precipitada.

(Foto: Catarina Brandão/Bahia)