O 3 a 0 sobre o Botafogo, no último domingo (30), poderia sugerir uma tarde tranquila para o Flamengo. Não foi bem assim. O Rubro-Negro foi superior durante boa parte do primeiro tempo, criou oportunidades e terminou a partida com uma vantagem confortável. Entre esses dois momentos, porém, houve uma queda considerável de rendimento que recolocou o adversário no jogo.
A vitória resolveu o resultado. Não todos os problemas. E esse talvez seja o principal ponto a ser levado em consideração antes de uma semana que pode ser decisiva para o Flamengo no Brasileirão.
A vantagem poderia ter sido maior
O primeiro sinal apareceu ainda na etapa inicial. O Flamengo encontrou espaços, movimentou a bola com qualidade e conseguiu chegar perto da área do Botafogo diversas vezes. Faltou, entretanto, transformar o domínio em gols.
Pedro teve boas oportunidades, mas pecou na definição. Arrascaeta também não conseguiu aproveitar algumas situações promissoras. Assim, o Flamengo foi para o intervalo vencendo por apenas 1 a 0.
Contra um adversário mais eficiente, a história poderia ter sido diferente. O time não pode precisar de tantas oportunidades para construir uma vantagem segura, principalmente quando enfrenta partidas de maior peso.
Depois do intervalo, o jogo mudou
O segundo tempo foi o trecho mais preocupante. O Flamengo voltou menos intenso, passou a errar mais na saída de bola e perdeu presença no campo ofensivo. Sem conseguir manter a posse por muito tempo, permitiu que o Botafogo avançasse e acreditasse no empate.
A partida ficou mais aberta justamente quando o Flamengo deveria estar controlando os acontecimentos. Não foi apenas uma questão de recuar; o time perdeu a capacidade de ditar o ritmo.
Durante alguns minutos, a bola parecia passar rápido demais pelos pés dos jogadores rubro-negros, que encontravam dificuldades para escapar da pressão adversária. Diante deste cenário, o técnico Leonardo Jardim precisou recorrer ao banco para recuperar o controle.
O lado direito ainda pede uma solução
Outro ponto que ficou evidente foi a disputa pela posição deixada por Plata. Luiz Araújo começou como titular, mas não teve uma atuação no mesmo nível do restante do time. Paquetá apareceu pelo setor depois, enquanto Carrascal entrou na reta final e mudou a dinâmica ofensiva.
O colombiano foi decisivo. Além de marcar um belo gol, participou da construção do segundo de Samuel Lino e trouxe mais velocidade às ações do Flamengo. Isso aumenta a dúvida de Jardim sobre quem deve ocupar definitivamente aquele espaço.
A chegada de Anthony Valencia deve ampliar as possibilidades para o setor, mas a disputa ainda está aberta. E talvez seja positivo que esteja faltando. Ter alternativas diferentes pode ser importante em uma reta final na qual o Flamengo terá jogos de características distintas.
Samuel Lino é a grande certeza
Enquanto existem dúvidas de um lado, existe uma certeza no ataque. Samuel Lino vive seu melhor momento desde a chegada ao Flamengo.
Contra o Botafogo, marcou duas vezes e ainda participou do terceiro gol. Mas o que mais chama atenção é a maneira como passou a jogar. Ele aparece aberto, entra por dentro, ataca a profundidade e participa da construção. Não está limitado a esperar a bola chegar.
Além disso, melhorou a tomada de decisão. Isso faz diferença porque transforma Lino em uma solução mesmo quando o funcionamento coletivo não é perfeito.
Mas há um limite para essa dependência. O Flamengo precisa fazer com que seu melhor jogador seja o responsável por decidir as partidas, não por corrigir sozinho os momentos em que o time deixa de funcionar.
A vitória veio no momento certo
Apesar dos alertas, não há como diminuir o peso do resultado. O Flamengo aproveitou o empate do Palmeiras com o Mirassol e ganhou uma oportunidade importante na disputa pela liderança. Nesta quarta-feira (2), terá o jogo atrasado contra o Mirassol, no Maracanã, antes de visitar o Remo no domingo (6).
Uma sequência positiva pode colocar o time na liderança justamente antes das quartas de final da Libertadores. Ou seja: o triunfo sobre o Botafogo veio em uma hora excelente.
A questão é aproveitar a confiança sem ignorar o que a partida mostrou.
O placar não pode esconder os sinais
O Flamengo tem qualidade suficiente para vencer mesmo quando não faz seu melhor jogo. Isso é uma virtude. Mas também pode se transformar em armadilha se resultados positivos fizerem os problemas deixarem de ser discutidos.
Contra o Botafogo, o time desperdiçou chances, caiu de rendimento após o intervalo e precisou das mudanças de Jardim para recuperar o controle. Nos jogos de maior exigência que estão por vir, talvez não exista tempo para consertar tudo durante a própria partida.
O Flamengo está vivo na briga pelo Brasileirão e chega forte para a reta decisiva. Samuel Lino atravessa grande fase, o elenco oferece alternativas e a Libertadores mantém o calendário em alta.
Mas o próximo passo não é simplesmente continuar vencendo. É fazer com que vitórias como a sobre o Botafogo deixem de esconder os problemas e passem a mostrar o quanto o Flamengo ainda pode evoluir.



