Harry Wilson
Futebol Copa do Mundo Premier League

Sem Bale, mas com Wilson: o novo protagonista de Gales tenta escrever sua própria história

Harry Wilson assumiu o protagonismo em Gales e tenta, à sua maneira, preencher o enorme vazio deixado por Gareth Bale, uma missão que, convenhamos, está longe de ser simples.

Substituir um ídolo nunca é fácil. Agora, substituir o maior jogador da história de um país? Aí já entra no nível “missão impossível”. E quando falamos de Bale, essa responsabilidade ganha proporções ainda maiores.

Mas se ninguém consegue ocupar o lugar dele, alguém precisa assumir o papel de protagonista. E hoje, esse alguém é Wilson.

Sem fazer barulho, sem prometer ser o “novo Bale”, até porque isso seria loucura, o camisa 8 vem fazendo algo ainda mais importante: sendo ele mesmo. E, olha… tem dado bastante certo.

O vazio deixado por uma lenda

Quando Gareth Bale se aposentou da seleção em 2023, não foi só um jogador que saiu. Foi praticamente um capítulo inteiro da história recente de Gales que se encerrou.

Maior artilheiro, jogador com mais partidas e protagonista absoluto nos maiores momentos da seleção, incluindo a classificação para a Copa do Mundo de 2022, Bale era o cara que resolvia quando ninguém mais conseguia.

Aquele tipo de jogador que, quando o jogo apertava, todo mundo sabia pra quem a bola ia. E, mais importante, sabia que alguma coisa ia acontecer.

Substituir isso? Não dá. E o próprio Harry Wilson sabe disso.

Wilson não é Bale e esse é o segredo

Em vez de tentar ser uma versão 2.0 de Gareth Bale, Wilson fez algo mais inteligente: assumiu sua própria identidade. Desde a aposentadoria de Bale, ele se tornou o jogador mais decisivo da seleção galesa. Dos seus 17 gols pela equipe nacional, 12 vieram justamente nesse período pós-Bale. E não são gols qualquer.

Tem chute de longe, bola na gaveta, aquele estilo meio “sem pedir licença” que lembra, ainda que de leve, o próprio Bale. Coincidência ou não, a perna esquerda também é o instrumento de magia.

Até o visual ajuda: cabelo grande, faixa segurando… falta só o sprint absurdo pela ponta. Ok, talvez isso seja pedir demais.

Se antes Gales olhava para Bale nos jogos decisivos, hoje o olhar naturalmente se volta para Harry Wilson. E o timing não poderia ser mais perfeito.

A seleção comandada por Craig Bellamy tem pela frente um desafio gigante: os playoffs para a próxima Copa do Mundo. Primeiro, encaram a Bósnia e Herzegovina. Se passarem, podem enfrentar Itália ou Irlanda do Norte.

E aí vem a pergunta inevitável: será que Wilson consegue repetir o roteiro de Bale em 2022, quando decidiu praticamente sozinho contra Áustria e Ucrânia?

Ele mesmo já respondeu: não. Mas isso não significa que ele não possa decidir do seu jeito.

De promessa do Liverpool a protagonista na Premier League

A trajetória de Harry Wilson não foi exatamente uma linha reta até o topo. Revelado pelo Liverpool, ele até começou com expectativa alta, afinal, estreou pela seleção com apenas 16 anos. Só que a transição para o time principal nunca aconteceu de fato. Foram várias temporadas de empréstimos, altos e baixos, lampejos aqui e ali. Aquela sensação de “tem talento, mas…”.

Até que o Fulham apareceu como casa definitiva. E mesmo assim, demorou. Nas primeiras temporadas, Wilson era mais banco do que titular. Difícil ter sequência, difícil ganhar ritmo. Mas, como dizem por aí, o futebol às vezes demora… mas cobra.

Agora, tudo parece ter encaixado. Na atual temporada da Premier League, Wilson vive seu melhor momento. São 10 gols e 6 assistências, números que finalmente traduzem o talento que sempre foi visível.

E não é só estatística. Ele virou o cérebro ofensivo do Fulham. Tudo passa por ele: criação, finalização, bola parada. Não à toa, Wayne Rooney resumiu bem ao comentar suas atuações: Basicamente, se tem algo bom acontecendo no Fulham, tem o dedo do Wilson ali.

Maturidade, confiança… e timing

Então por que só agora? Essa é a pergunta que muita gente faz. E talvez a resposta não seja única. Lesões atrapalharam. Falta de sequência também. Mas existe um fator que pesa muito: maturidade.

Segundo Craig Bellamy, o crescimento do jogador vai além do campo. Entendimento de jogo, posicionamento, leitura, tudo evoluiu. E confiança, claro. Aquele momento em que “tudo começa a dar certo” finalmente chegou.

Ao lado de nomes como Ethan Ampadu, Wilson lidera essa nova geração galesa. Uma seleção que já não depende de um único superastro, mas que ainda precisa de alguém para decidir. E hoje, esse alguém é ele.

Não, ele não é Gareth Bale. E nem precisa ser. Porque, no fim das contas, Gales não precisa de um novo Bale. Precisa de um grande Harry Wilson. E, pelo que estamos vendo… ele está pronto para assumir esse papel.

Foto: Getty Images