Quando se fala em Gareth Bale, muita gente lembra imediatamente dos gols decisivos, das arrancadas em velocidade e, claro, das noites mágicas na Champions League. Mas por trás da carreira brilhante do galês existia um problema físico que quase ninguém sabia: uma lesão nas costas que o acompanhou por praticamente toda a trajetória no futebol profissional.
Agora, alguns anos depois de pendurar as chuteiras, Bale decidiu abrir o jogo. Em entrevista ao podcast Stick to Football, o ex-atacante revelou que jogou praticamente toda a carreira convivendo com uma lesão séria na coluna, um problema que começou ainda quando ele era um jovem jogador no Tottenham.
E, segundo o próprio, essa lesão foi um dos principais fatores que contribuíram para sua aposentadoria precoce, deixando um pouco de lado o fato dele ter uma paixão inenarrável pelo golfe, é claro que ela existe, mas nem todas as fichas podem ser colocadas nela.
Uma lesão desde os 18 anos
Bale contou que sofreu uma lesão no disco da coluna ainda aos 18 anos, quando estava começando a carreira profissional em Londres.
“Eu rompi um disco nas costas quando tinha 18 anos no Tottenham. Joguei minha carreira inteira com isso”, revelou.
O problema nunca foi divulgado publicamente durante os anos em que ele atuava no mais alto nível do futebol mundial. Segundo o galês, isso aconteceu por um motivo bem simples: evitar críticas ou interpretações equivocadas.
“Eu nunca falei sobre isso quando jogava porque algumas pessoas diriam que eu estava dando desculpas”, explicou.
Apesar de afirmar que o problema era “controlável”, Gareth Bale admitiu que, com o passar dos anos, a lesão começou a cobrar seu preço.
Bale e sua relação com as lesões musculares
Quem acompanhou a carreira do atacante provavelmente lembra que ele sofreu diversas lesões na panturrilha ao longo dos anos. Na época, muitos questionavam sua condição física ou sugeriam falta de cuidado.
Mas Bale explicou que essas lesões estavam diretamente ligadas ao problema nas costas.
“A maioria das minhas lesões na panturrilha vinha das costas”, disse.
Ele contou inclusive que adotava hábitos curiosos para evitar novas lesões. Um exemplo quase surreal: escovar os dentes em uma posição específica para evitar sobrecarregar a musculatura.
“Eu escovava os dentes ficando na ponta dos calcanhares para não colocar pressão nas panturrilhas.”
A rotina de prevenção era intensa. O galês disse que trabalhava constantemente para deixar a musculatura da região o mais forte possível, e em certas ocasiões, não colocar muita pressão nela.
“Eu fazia de tudo para deixar minhas panturrilhas à prova de balas.”
Mesmo assim, às vezes o problema simplesmente aparecia.
“Quando dava errado e a lesão vinha, não havia muito o que fazer.”
Em alguns casos, a solução era recorrer a injeções na coluna para reduzir a inflamação.
O Real Madrid já sabia
Em 2013, Bale protagonizou uma das transferências mais marcantes da história do futebol ao trocar o Tottenham pelo Real Madrid em um negócio recorde na época, dando início ao trio BBC, que fez história ao bater de frente com o MSN.
O valor ultrapassou o que havia sido pago por Cristiano Ronaldo anos antes, colocando o galês no topo das negociações do futebol mundial naquele momento. Mesmo com a lesão nas costas, o clube espanhol decidiu seguir com a contratação.
Segundo Bale, o problema era conhecido internamente no clube, mas considerado administrável. E, olhando para os resultados, dá para dizer que o investimento valeu, e muito.
Durante sua passagem pelo clube merengue, Gareth Bale conquistou nada menos que cinco títulos da Champions League, tornando-se um dos jogadores britânicos mais vitoriosos da história do torneio.
Entre os momentos mais memoráveis está o gol de bicicleta na final da UEFA Champions League de 2018 contra o Liverpool, um daqueles lances que entram automaticamente para a galeria dos maiores da história do futebol, vale lembrar que naquela época, já estava começando a se distanciar da alta frequência de bons jogos, não é atoa que saiu do banco de reservas para o confronto.
Além disso, o galês também levantou diversos títulos nacionais e participou diretamente do período de domínio europeu do clube espanhol.
Ídolo absoluto no País de Gales
Se no Real Madrid, Bale foi protagonista de conquistas históricas, na seleção ele foi simplesmente o maior nome da geração. Com 111 partidas e 41 gols pela seleção de País de Gales, ele se tornou o principal símbolo do futebol galês moderno.
Sob sua liderança, o país viveu momentos históricos, como a surpreendente campanha até a semifinal da UEFA Euro 2016. Depois, o atacante também ajudou a seleção a chegar às oitavas de final da UEFA Euro 2020 e foi decisivo na classificação para a Copa do Mundo de 2022, a primeira participação do país em um Mundial em 64 anos.
Bale anunciou sua aposentadoria em janeiro de 2023, pouco depois de disputar a Copa do Mundo no Catar. Ele revelou que já pensava em parar alguns anos antes, mas decidiu continuar até alcançar um último objetivo: levar o País de Gales novamente a um Mundial.
“Eu senti que já tinha conquistado tudo que queria”, explicou.
Para o galês, participar da Copa do Mundo foi o ponto final perfeito.
E agora?
Depois de encerrar a carreira como jogador, Bale decidiu tirar um tempo para aproveitar a família e desacelerar a rotina,algo quase impossível durante os anos de futebol profissional. Mas ele já pensa no próximo passo.
O ex-atacante revelou interesse em se envolver na gestão de clubes, inclusive participando de um grupo que tentou comprar o Cardiff City, clube de sua cidade natal. A proposta, no entanto, não avançou. Mesmo assim, Bale não descartou novas tentativas no futuro.
“Algo como ser dono de clube me interessa mais do que virar treinador.”
E considerando tudo o que ele já viveu dentro de campo, talvez essa nova etapa no futebol ainda reserve histórias tão interessantes quanto sua carreira, mesmo que, desta vez, longe das chuteiras.
Foto: Getty Images