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Barcelona tem seis alternativas para substituir Raphinha, e Flick pode mudar o ataque

Raphinha virou dúvida justamente quando parecia insubstituível

O Barcelona passou a conviver com uma preocupação que ninguém no clube gostaria de ter neste momento: como manter o ataque funcionando sem Raphinha?

O brasileiro deixou a concentração da Seleção Brasileira antes do amistoso contra a Índia depois de apresentar um edema na coxa direita. A decisão foi tomada por precaução, e novos exames serão realizados quando o jogador retornar à Catalunha para determinar a extensão do problema.

A expectativa inicial é de que não seja uma lesão grave e que Raphinha tenha condições de enfrentar o Getafe, no dia 10 de outubro. A situação, porém, ainda exige cautela, principalmente porque o atacante se transformou em uma das principais referências ofensivas do time de Hansi Flick.

Os números ajudam a dimensionar sua importância. Raphinha soma 14 gols e três assistências em oito partidas oficiais e participou diretamente de momentos importantes em sete delas. Por isso, caso seja necessário preservá-lo ou caso o brasileiro não consiga se recuperar a tempo, o treinador terá de encontrar uma solução que não comprometa o funcionamento do ataque.

E opções não faltam.

Gabriel Jesus aparece como a alternativa mais natural

A primeira possibilidade é também a contratação que o Barcelona fez justamente pensando em aumentar suas alternativas ofensivas.

Gabriel Jesus chegou do Arsenal por 10 milhões de euros depois de o clube não conseguir contratar Julián Álvarez. Até aqui, porém, o brasileiro ainda recebeu poucos minutos: participou de quatro dos cinco jogos oficiais possíveis, sempre saindo do banco, e acumulou apenas 39 minutos.

Mesmo com uma participação limitada, conseguiu deixar sua marca. Gabriel Jesus marcou duas vezes, contra Racing e Feyenoord, mostrando que precisa de pouco tempo para produzir. Um dos gols saiu em finalização colocada; o outro, de cabeça.

A principal questão para Flick não seria saber se o atacante possui qualidade para atuar como referência, mas como adaptar o restante do sistema à presença de um centroavante mais tradicional.

Com Gabriel Jesus, o Barcelona teria uma alternativa mais próxima de um camisa 9, enquanto jogadores como Lamine Yamal poderiam permanecer em suas posições habituais pelos lados. É uma mudança relativamente simples e, por isso, aparece como uma das opções mais viáveis caso Raphinha não esteja disponível.

Hamza representa uma solução mais ousada

Outra alternativa está dentro do próprio clube. Hamza é uma das jovens promessas que podem ganhar espaço caso Flick precise modificar a escalação, embora ainda tenha pouca experiência no futebol profissional, com apenas quatro minutos pela equipe principal.

Por isso, colocá-lo como titular seria uma decisão mais ousada, especialmente diante da responsabilidade de substituir um jogador que vem sendo tão decisivo no início da temporada.

Ao mesmo tempo, a ausência de Raphinha poderia abrir uma oportunidade importante para um jovem que já vem sendo acompanhado internamente. Flick não precisaria necessariamente entregar a Hamza a responsabilidade de reproduzir a produção ofensiva do brasileiro, mas poderia utilizá-lo dentro de uma estrutura que distribuísse a criação e a finalização entre outros jogadores.

É uma solução menos convencional, mas que ganha sentido justamente pela versatilidade do elenco.

Gordon pode oferecer uma alternativa diferente

A polivalência do grupo também permite que Flick pense em uma solução menos convencional. Anthony Gordon já foi considerado pelo treinador para atuar centralizado, uma ideia que chegou a ser discutida antes da contratação de Gabriel Jesus, quando o Barcelona ainda procurava alternativas para a posição.

Gordon não possui o perfil clássico de centroavante, mas oferece uma característica especialmente interessante para o sistema de Flick: velocidade.

Colocá-lo por dentro permitiria ao Barcelona atacar espaços em vez de depender exclusivamente de um jogador fixo entre os zagueiros. O time poderia utilizar movimentos de ruptura para acelerar as jogadas e aproveitar a capacidade do inglês de atacar a profundidade.

É uma opção que mudaria o comportamento do ataque, mas justamente por isso poderia ser útil em determinados adversários. Em vez de tentar reproduzir Raphinha, Flick utilizaria outro jogador para criar um problema diferente para a defesa.

Olmo e Fermín podem deixar o ataque mais móvel

Dani Olmo e Fermín López também aparecem como alternativas, embora nenhum dos dois seja um centroavante de origem. Ambos, porém, possuem características que permitem uma adaptação em determinadas situações.

Olmo oferece capacidade técnica, movimentação e leitura dos espaços, enquanto Fermín acrescenta intensidade, chegada à área e disposição para pressionar. A escolha por um deles faria o Barcelona jogar de maneira diferente, com menos dependência de um jogador fixo na referência ofensiva.

Em vez de buscar um substituto direto para Raphinha, Flick poderia montar um ataque mais móvel, com trocas constantes de posição e jogadores chegando de trás para ocupar a área. Essa alternativa pode ser especialmente interessante em partidas nas quais o Barcelona precise pressionar uma defesa mais fechada e encontre dificuldade para criar espaços pelo lado.

A ausência de um 9 tradicional, portanto, não significaria necessariamente falta de presença ofensiva.

Lamine Yamal é a opção que pode mudar tudo

Existe ainda a alternativa mais interessante do ponto de vista tático: deslocar Lamine Yamal para uma posição mais central.

O jovem espanhol construiu sua importância no Barcelona partindo principalmente do lado direito, onde consegue receber aberto, encarar o marcador e criar jogadas no um contra um. Flick, porém, já avaliou a possibilidade de aproximá-lo da região central, o que poderia oferecer ao treinador uma solução de alto nível sem a necessidade de contratar ou improvisar um jogador pouco utilizado.

A mudança teria consequências importantes. Yamal poderia receber a bola mais vezes entre as linhas, participar diretamente da construção e aparecer em zonas próximas ao gol, mas também perderia parte do espaço que costuma ter quando começa aberto pela direita.

Por isso, essa solução parece menos provável como primeira escolha, embora possa se tornar uma arma importante em determinados momentos. Se Flick entender que precisa colocar sua principal ameaça ofensiva mais perto da área, centralizar Yamal seria uma maneira de fazer isso sem necessariamente alterar toda a estrutura da equipe.

O Barcelona não precisa encontrar outro Raphinha

Talvez essa seja a principal conclusão diante da dúvida sobre o brasileiro. O Barcelona não possui um jogador capaz de simplesmente entrar no lugar de Raphinha e reproduzir exatamente tudo o que ele vem fazendo, e talvez Flick nem precise procurar isso.

Gabriel Jesus oferece presença de área e experiência. Gordon pode acrescentar velocidade por dentro. Olmo e Fermín permitem um ataque mais móvel. Hamza representa uma alternativa de juventude, enquanto Lamine Yamal pode mudar completamente o desenho ofensivo da equipe.

São soluções diferentes para problemas diferentes, e essa variedade pode ser justamente uma das maiores virtudes do elenco.

Se Raphinha estiver disponível, Flick terá sua principal referência em campo. Caso o brasileiro precise ser preservado, porém, o treinador não necessariamente precisará desmontar o sistema para encontrar uma alternativa. Poderá escolher a solução de acordo com o adversário, o momento da partida e aquilo que pretende explorar.

A dúvida sobre Raphinha, portanto, não representa apenas uma preocupação médica. Também pode ser uma oportunidade para Flick testar até onde pode levar a versatilidade do Barcelona e descobrir novas formas de distribuir a responsabilidade ofensiva.

Substituir um jogador que participou de 17 gols em oito partidas não será simples. Encontrar uma maneira diferente de atacar, entretanto, pode fazer com que uma ausência importante não se transforme em uma dependência ainda maior de um único jogador.

Foto: Reprodução/ X @FCBarcelona